Súbita mudança

] Goteja [] Goteja [

Sentindo a sensação de água gotejando contra sua bochecha e fluindo para a sua boca, Hajime lentamente recuperou sua consciência. Enquanto pensava que isso era impossível, ele lentamente abriu seus olhos.

[Hajime]: (“… eu estou vivo? Eu estou salvo?”)

Enquanto se levantava cheio de dúvidas, sua cabeça bateu no teto baixo do buraco.

(Hajime): “Ouch!?”

Apenas nesse momento ele se lembrou que esse buraco que ele criou só tinha aproximadamente cinquenta centímetros de altura. Hajime levantou sua mão para o teto, planejando continuar a transmutá-lo para aumentar a altura. Contudo, ele tinha acabado de notar que o que entrou em sua visão era apenas UM braço trêmulo.

Hajime ficou momentaneamente confuso. Um momento depois ele se lembrou como perdeu seu braço esquerdo. Nesse instante, ele sentiu uma inacreditável dor em seu braço esquerdo inexistente. Mas isso era apenas uma alucinação. Hajime abaixou sua cabeça abatido e por reflexo pressionou o resto de seu braço esquerdo. Entretanto, ele percebeu que o ferimento onde seu braço foi arrancado não tinha mais carne exposta nem sangue. Ele estava curado.

(Hajime): “Po-por quê? E ele estava sangrando tanto…”

Apesar de não conseguir enxergar no escuro, Hajime tinha certeza que ele estava em um mar de sangue. Essa quantidade de sangue perdida normalmente mataria qualquer um. Usando sua mão direita para investigar os arredores, a sensação escorregadia o contou que o sangue ainda não tinha secado.

Confirmando que o sangue que não estava seco era de fato o de seu ferimento, Hajime julgou que ele não ficou muito tempo inconsciente. Enquanto Hajime estava tentando entender a recuperação de seu ferimento, outra gota de água caiu em sua bochecha e entrou pelo canto de sua boca. O momento que ela entrou em sua boca, Hajime notou que sua força se recuperou um pouco.

(Hajime): “… sem chances… isto é?”

Hajime aguentou a dor fantasma enquanto ele levantava seu braço direito para o lugar de onde as gotas estavam vindo e usou a ‖Transmutação‖. Ele transmutou de forma instável e avançou. A fonte inesperada d o líquido que estava pingando vinha das rochas e parecia ser capaz de recuperar até o |Poder Mágico, ele não exauriu seu |Poder Mágico, não importava o quanto ele transmutasse.

Sem descansar, Hajime estava respirando com dificuldade enquanto ele continuava a usar a ‖Transmutação‖ em busca da fonte de água. Pouco tempo depois, havia um aumentou significativo na quantidade que fluía do misterioso líquido. As gotas eventualmente se tornaram uma corrente e, avançando ainda mais, Hajime finalmente chegou na fonte de água.

(Hajime): “Isto… isto é…”

Havia um cristal do tamanho de uma bola de basquete com uma luminescência[1] branca azulada. O cristal estava enterrado no meio de algumas rochas, gotejando água de sua extremidade inferior. Era uma pedra misteriosa e fascinante. Um brilho azul ainda mais escuro que o da água-marinha[2] era a melhor forma de descrever a cor dessa pedra. Hajime ficou instantaneamente fascinado, esquecendo de sua dor.

Poderia ter sido dependência ou talvez atração, mas Hajime alcançou e colocou sua boca diretamente na pedra. A dor em seu corpo e a neblina em sua mente foram eliminadas, até sua fadiga desapareceu. Como esperado, a razão por trás da sobrevivência de Hajime era o líquido que escorria da pedra. O líquido parecia ter propriedades de cura. Fora a dor fantasma[3], todos os outros ferimentos foram curados em um piscar de olhos.

O que Hajime não sabia era que este cristal era de fato o maior de todos os tesouros da história. Chamado de [Cristal Divino] e reconhecido como um já perdido mineral lendário, os [Cristais Divinos] são formados pelo fluxo de |Poder Mágico na imensidão da terra através de milhares de anos que se acumulavam coincidentemente em um mesmo lugar. Ele era a cristalização do |Poder Mágico. Variando entre trinta a quarenta centímetros de diâmetro, depois de cristalizado, ele levaria algumas centenas de anos para ele atingir sua saturação antes que o |Poder Mágico começasse a escorrer em forma líquida.

Este líquido era chamado de [Água Sagrada] e era dito que o beber iria curar todas as formas de ferimentos e doenças. Mesmo ele não tendo a habilidade para regenerar partes do corpo, as lendas diziam que beber ela constantemente poderia lhe dar a vida eterna e ela poderia mesmo ser chamada de remédio da imortalidade. Contos antigos que diziam que Eht usou a [Água Sagrada] para curar as pessoas eram amplamente conhecidos.

Experimentando a sensação de retornar do abismo da morte, Hajime arrastou o corpo dele para se apoiar na parede. O medo da morte o tomou, fazendo todo o seu corpo tremer enquanto ele abraçava seus joelhos e enterrava seu rosto no meio deles. Tanto seu coração quanto seu corpo estavam completamente quebrados, ele não tinha mais nenhuma energia para escapar.

Se o que fosse direcionado a ele não fosse hostilidade nem malícia, mas sim uma mão amiga, ele ainda teria uma chance de se recuperar. Contudo, o olhar do Urso de Garra Curvada estava fora de questão, ele só via Hajime como alimento; eram os olhos de um predador. Estando no topo da cadeia alimentar, ele dificilmente veria humanos como uma ameaça. Aqueles olhos, combinado com o fato de ter seu braço devorado, quebraram o espírito de Hajime.

[Hajime]: (“Alguém… me salve…”)

Ali, no fundo do abismo, as palavras de Hajime nunca alcançariam ninguém…


Depois de algum tempo, Hajime estava agora deitado de lado no chão, curvado como um feto.

Quatro dias se passaram desde o colapso de Hajime. Todo esse tempo, Hajime mal se moveu, sobrevivendo apenas com as gotas da [Água Sagrada]. Contudo, beber a [Água Sagrada] por tanto tempo tinha suas limitações. Apesar de ele ser capaz de sobreviver, ele não era capaz de saciar sua fome. Ele não morreria, mas Hajime estava agora sofrendo com uma imensa fome e a dor fantasma de seu inexistente braço esquerdo.

[Hajime]: (“Como eu acabei deste jeito?”)

Esta questão passou por sua mente incontáveis vezes nesses últimos dias. Ele não conseguia dormir devido a dor e a fome, que eram curadas ao erguer sua cabeça e beber a [Água Sagrada], mas depois de se recuperar, ele iria mais uma vez experimentar uma nova sensação de dor e de fome. De novo e de novo ele iria adormecer e perder sua consciência, apenas para ser acordado pela dor e pela fome, então ele iria beber a [Água Sagrada] para escapar da realidade. O corpo dele estava afogado na agonia. Quantas vezes isso aconteceu? A repetição entre um sono curto e o despertar cruel?

Antes que ele notasse, Hajime parou de beber a [Água Sagrada]. Ele inconscientemente escolheu o caminho mais fácil para acabar com seu sofrimento.

[Hajime]: (“Se eu tenho que continuar sofrendo assim… eu poderia apenas…”)

Seus pensamentos murmuraram enquanto sua consciência se perdia dentro da escuridão mais uma vez.

Outros três dias se passaram e a já controlada fome atacava de novo. A dor fantasma esteve o torturando incessantemente, destruindo seu espírito. A insuportável dor que ele sentia era a mesma de alguém arranhando sua ferida.

[Hajime]: (“Por que… eu ainda não estou morto… ah. Depressa, depressa… eu não quero morrer…”)

Despedaçado por seu desejo contraditório de querer morrer e querer viver, o Hajime de agora não poderia mais pensar com clareza e murmurava alucinado.

Se passaram mais três dias. Os efeitos da [Água Sagrada] que ele tinha tomado já tinham desaparecido. Ele não a bebeu mais, muito menos comeu algo e provavelmente não duraria outros dois dias.

Contudo, apenas há alguns momentos, no oitavo dia, a mente de Hajime começou a passar por mudanças. Alterando entre seu desejo de morrer e o de viver, ele determinadamente esperou que essa tortura infernal terminasse, mas uma escuridão ainda mais tenebrosa tomou conta dele. Essa substância sombria fluiu pelas rachaduras causadas por todo o medo e a dor, corroendo os pensamentos mais profundos da mente de Hajime.

[Hajime]: (“Por que eu tenho que sofrer tanto? O que eu fiz para merecer isso?

Por que eu tenho que receber esse tratamento? Por qual motivo?

Deus me sequestrou sem razão…

Um colega me traiu…

Um coelho me olhou de cima…

Aquilo comeu o meu braço…”)

Os pensamentos de Hajime aos poucos ficaram mais e mais sombrios. Como tinta caindo em uma tela branca, a pureza de Hajime foi maculada. De quem era a culpa disto? Quem forçou todos esses acontecimentos irracionais a ele? Quem o machucou? Hajime inconscientemente buscou por um inimigo. A intensa dor e a intensa fome, assim como o espaço sombrio e fechado, corroeram o espírito de Hajime, acelerando ainda mais esses sentimentos obscuros.

[Hajime]: (“Por que ninguém vem me ajudar?

O que eu vou fazer se ninguém me ajudar?

O que eu devo fazer para esta dor desaparecer?”)

Nono dia. Hajime inconscientemente começou a pensar em uma forma de fugir de sua atual situação. Desesperadamente querendo se livrar da intensa dor, ele começou a ignorar todos os sentimentos desnecessários de raiva e rancor que ele estava acumulando. Agora não era o momento para se deixar ser tomado por esses sentimentos. A dor que ele estava enfrentando não foi amenizada pela degradação de seu coração. Com o objetivo de escapar destas circunstâncias irracionais, ele deveria se livrar dessas emoções desnecessárias.

[Hajime]: (“O que eu quero?

Eu quero ‘Viver’.

Quem está te impedindo?

O inimigo está interferindo.

Quem é o inimigo?

Aqueles que me atrapalham e todos aqueles que me forçaram nesta situação irracional.

Mas o que eu deveria fazer?

Eu vou… eu vou…”)

Décimo dia. Não havia mais nenhum sentimento de raiva ou de rancor na mente de Hajime. Aquele Deus injusto, a traição de seu colega, a hostilidade dos monstros… até o sorriso de alguém que disse que iria protege-lo… nada disso importava mais. Para sobreviver… para obter o direito de sobreviver… todo o resto era fútil. Consolidando seus pensamentos, ele encontrou sua resposta. Com uma lâmina temperada, afiada e forte, destruir tudo o que existia. Em outras palavras…

[Hajime]: (“MATAR”)

Não era simplesmente malícia, hostilidade ou ódio. Era simplesmente intenção assassina. Simplesmente matar para sobreviver. Todos aqueles que ameaçaram sua sobreviveram eram inimigos. E o que ele iria fazer com os inimigos era…

[Hajime]: (“MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR. MATAR”)

Com o objetivo de escapar de sua fome…

[Hajime]: (“Matar e devorar!”)

Nesse momento, o garoto honesto e gentil que sempre resolvia seus conflitos se desculpando com um sorriso sem graça, o Nagumo Hajime que Kaori disse ser forte, tinha desparecido por completo.

E um novo Nagumo Hajime, que, para sobreviver, iria impiedosamente eliminar todos os obstáculos, nasceu. A mente dele que foi despedaçada se tornou uma de novo. Entretanto, não era uma mente em que as peças foram totalmente recuperadas, mas sim uma meramente remendada, cheia de cicatrizes. Na escuridão do abismo, fundida pela dor e desespero, sua mente foi instintivamente reforjada mais forte do que nunca.

Hajime lutou para mover seu corpo completamente enfraquecido, lambendo a [Água Sagrada] que se acumulou nos últimos dias no chão como se fosse um cachorro. Mesmo que ela não curasse sua fome ou a dor fantasma, a vitalidade retornou para seu corpo.

Com olhos brilhantes, Hajime limpou sua boca molhada e um sorriso destemido apareceu em seu rosto, revelando seus caninos. Era uma representação perfeita da súbita mudança. Hajime se levantou. Enquanto transmutava, ele murmurou mais uma vez.

(Hajime): “Matar…”


Em um certo lugar dentro do labirinto, havia um grupo de Lobos de Duas Caudas. Os Lobos tendiam a se mover em grupo de quatro a seis. Era porque individualmente, eles eram as Feras Mágicas mais fracas deste andar, assim, eles tinham que compensar isso ao trabalharem em grupos. Este grupo de Lobos de Duas Caudas não era uma exceção e formava um grupo de quatro feras.

Enquanto estavam atentos a seus arredores e se moviam sob a cobertura das paredes, eles procuravam por um bom local de caça. O método de caça básico dos Lobos era a emboscada. Depois de vagarem por um tempo, os Lobos de Duas Caudas encontraram um lugar satisfatório para caçar e se esconderam separadamente em quatro cantos diferentes, debaixo da sombra das rochas. Em seguida vinha a espera pela presa. Um deles deslizou para o meio de uma rocha e a parede para esconder sua presença. Enquanto esperava por sua presa, ele repentinamente sentiu uma sensação de desconforto.

Como a cooperação era essencial para a sobrevivência dos Lobos de Duas Caudas, eles tinham uma forma própria e única para se comunicarem. Apesar de não ser uma comunicação eficiente, eles eram ao menos capazes de entender as intenções uns dos outros independentemente de suas localizações. Ele sentiu que algo estava errado. Eles deviam ser um grupo de quatro, mas ele podia sentir apenas a presença de dois companheiros. Um deles, que deveria estar esperando do lado oposto da parede, desapareceu subitamente.

O que estava acontecendo? Enquanto sentia este tipo de suspeita, ele ouviu o grito de um companheiro justo quando estava a ponto de usar sua força para levantar seu corpo. Do mesmo lado onde um de seus companheiros desapareceu, outro Lobo estava se sentindo frustrado. Parecia que ele tinha sido capturado em alguma coisa e estava lutando para escapar, mas ele era incapaz de fugir. Justo quando os dois restantes estavam a ponto de se levantarem para ajudar, a presença do Lobo que estava lutando também desapareceu.

Confusos, eles se apressaram para o lado oposto da parede para verificar, mas não havia absolutamente nada lá. Os dois Lobos restantes ficaram perplexos e tentaram usar seus focinhos para farejar o local onde seus companheiros desapareceram. Ao mesmo tempo, o chão subitamente afundou e a parede se projetou como se estivessem tentando engolir eles.

Mesmo eles pulando para longe, no momento em que eles aterrissaram, seus pés afundaram dentro do chão, mantendo-os fixos no lugar. Normalmente, seria uma tarefa fácil para eles esmagarem as pedras e escaparem, contudo, eles estavam muito impressionados com os eventos anormais que nunca tinham acontecido antes. Essa era a primeira vez que eles eram capturados. O agressor pensou em usar o caos criado para ganhar um momento de confusão, e os Lobos capturados o deram essa chance.

(Lobo): “Guruua!?”

Os lamentos dos Lobos foram engolidos pela parede. Então, nada mais restava.

É claro que a pessoa que capturou os quatro Lobos de Duas Caudas era Hajime. A partir do dia que ele decidiu retaliar, Hajime esteve suprimindo sua fome e a dor fantasma. Enquanto bebia a [Água Sagrada] para sobreviver, ele este repetidamente treinando sua ‖Transmutação‖ com esse inesgotável |Poder Mágico. Mais rápido, mais preciso, mais extensivo. Ele seria facilmente morto se saísse do jeito que estava. A pequena caverna que tinha o [Cristal Divino] serviu como sua base de treinamento, onde ele refinou sua arma pouco a pouco. Não é preciso dizer que sua arma era a ‖Transmutação‖.

Apesar de ele estar deitado, ele também tinha que aguentar os ataques aleatórios de dor. Hajime tinha que se concentrar o máximo possível para resistir a fome e a dor fantasma. Como resultado de seu treinamento, sua velocidade e precisão estavam agora muitas vezes maiores. Ele podia transmutar até uma distância de três metros. No entanto, o poder ofensivo de tal magia continuava inútil como sempre.

Usando pequenos fracos processados com as pedras da caverna, ele guardou a [Água Sagrada]. Hajime explorou o labirinto enquanto marcava o caminho com sua ‖Transmutação‖. Foi assim que ele encontrou os quatro Lobos de Duas Caudas. Perseguindo o grupo de Lobos, houve alguns momentos em que ele quase foi descoberto, mas todas as vezes, ele foi capaz de escapar dentro das paredes usando a ‖Transmutação‖. Esperando pelo momento em que os quatro Lobos se separariam para preparar a emboscada, ele transmutou a parede e sua armadilha estava preparada.

(Hajime): “O que!? Eles ainda estão vivos? Bem, minha ‖Transmutação‖ tem quase zero de ataque. Mesmo esses espinhos de pedra que eu transmutei não tem poder suficiente ou velocidade para matar as Feras Mágicas daqui”

Hajime espiou dentro do pequeno buraco em seu pé com olhos brilhantes. Os Lobos de Duas Caudas estavam literalmente “dentro da parede”, cercados de pedras por todos os lados, eles mal podiam se mover e só podiam demonstrar suas irritações com lamentos baixos.

Ele de fato tinha tentado atacar as Feras Mágicas ao transmutar perto de seus pés, mas o poder e a velocidade dos espinhos de pedra eram muito baixos até para perfurar eles. Isso dificilmente teria um efeito prático. Contudo, isso se referia ao campo da ‖Magia da Terra‖. ‖Transmutação‖ era apenas uma magia de refinamento e não fazia sentido precisar de poder para matar durante processos de refinamento. Assim, ser capaz de prender eles desta forma era o melhor que ele poderia fazer no momento.

(Hajime): “Sufocar eles deste jeito seria bom… mas eu não posso esperar mais”

Os lábios de Hajime formaram um sorriso. Seus olhos eram os mesmos de um predador. Ele pressionou sua mão direita contra a parede e começou a usar a ‖Transmutação‖. Cortando rochas e focando uma imagem mental clara, ele continuou trabalhando aos poucos. Eventualmente, o produto completo era um fina lança espiral, mas ele fortaleceu ela ainda mais ao adicionar novas partes e algo parecido com uma manivela foi anexada no cabo da lança.

(Hajime): “Aqui vou euuuu. Tome isto e mais isto!”

Hajime espetou a lança nos Lobos de Duas Caudas presos dentro da parede. Contudo, a ponta da lança foi facilmente repelida pela pele e o pelo resistentes.

(Hajime): “Como imaginei. Ela não pode mesmo perfurar”

Por que não uma faca ou até uma espada? Basicamente, quanto mais forte a Fera Mágica, mas resistente ela é. É claro que há algumas exceções, dependendo das diferentes características únicas de cada espécie. Com o objetivo de compensar por sua incompetência, ele tinha enfatizado nos estudos e no aprendizado. Ele já tinha suspeitado que facas e espadas comuns eram inúteis contra as Feras Mágicas deste andar.

Assim, Hajime girou a manivela que estava anexada ao cabo da lança. Pouco a pouco, a ponta em espiral da lança começou a girar. Sim, isto era uma broca que levava em consideração a forma para atravessar a resistente pele das Feras Mágicas. Desesperadamente girando a manivela enquanto adicionada o peso de seu corpo na lança, pouco a pouco, a ponta da lança começou a perfurar a pele do Lobo de Duas Caudas.

(Lobo): “Guruaaaa!?”

O Lobo de Duas Caudas gritou.

(Hajime): “Isso dói? Ou você quer que eu me desculpe? Eu estou fazendo isto para sobreviver. Vocês não teriam me comido também? Nós somos o mesmo”

Dizendo isso, ele girou a broca ainda mais enquanto usava o peso de seu corpo. Mesmo que o Lobo lutasse para se mover, era impossível porque ele estava completamente enterrado sem nenhum espaço livre.

Finalmente, a broca atravessou a pele dura do Lobo de Duas Caudas, impiedosamente destruindo seu interior. O Lobo deu um grito de morte. Isso durou algum tempo e, subitamente, com um espasmo final, ele parou de se mover.

(Hajime): “E a comida está garantida!”

Sorrindo com alegria enquanto ele exterminava os outros três Lobos usando o mesmo método, Hajime usou a ‖Transmutação‖ para recuperar as carcaças dos Lobos de Duas Caudas e, enquanto estava limitado a apenas uma mão, ele esfolou a pele deles.

Motivado por sua fome, ele começou a comer.


[1] A luminescência é a geração de luz sem calor.

[2] A água-marinha é uma gema mineral com cor que varia do verde-azul a azul-claro. O Brasil é o maior produtor, mas esta gema é encontrada um pouco por todo o mundo.

[3] A dor fantasma é a dor que é percebida em parte do corpo que foi removida (amputada) cirurgicamente ou após trauma. É comum em pacientes no pós-operatório, isto é, após amputação da perna, o paciente a sente como se o membro ainda estivesse presente. Ela pode ocorrer em quase todos os pacientes após uma amputação.