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Para Shimizu Yukitoshi, ser invocado para um mundo diferente era o sonho pela qual ele ansiava. Como ele sabia que era impossível, todos os dias ele sonhava enquanto lia um livro ou web novels. Em seus sonhos, ele salvava muitos mundos, embora ele não soubesse se seguiria para o Final Feliz com as heroínas. Dentro do quarto de Shimizu, as paredes não podiam ser vistas por estarem cobertas por pôsteres de lindas garotas, e dentro da prateleira de vidro em uma das paredes estavam as figures[1] de lindas garotas com poses impróprias alinhadas em tal espaço apertado. Sua estante de livros estava cheia de mangás, light novels, livros finos, e eroges[2], enquanto os que não poderiam ser colocados lá estavam por todo o quarto formando torres.

Isso mesmo, Shimizu Yukitoshi era um genuíno otaku. Contudo, não havia ninguém entre seus colegas de classe que soubesse desse fato. Era porque o próprio Shimizu cuidadosamente escondia isso. Não havia necessidade para falar sobre suas razões. Ele via a atitude de seus colegas com Hajime, era por isso que não havia forma de ele se assumir como um otaku.

Dentro da sala, aqueles que o conheciam bem poderiam dizer que ele era apenas um personagem secundário. Não havia ninguém com quem ele fosse especialmente próximo, e ele sempre lia um livro em seu assento silenciosamente. Se conversassem com ele, ele iria dar uma resposta mínima em um pequeno murmúrio. Para começar, ele mantinha essa atitude discreta porque ele sofreu bullying no ensino fundamental II[3]. Talvez porque esse fosse o fluxo natural, ele virou um aluno que matava aulas e permaneceu dentro de seu próprio quarto todos os dias, e ele inevitavelmente tentou criar livros e jogos para passar o tempo.

Mesmo que seus pais sempre se preocupassem com ele, ele levava produtos de otaku para seu quarto todos os dias, o que deixava seus irmãos mais velho e mais novo irritados. Eles até mostravam isso em suas atitudes e palavras, o que fazia Shimizu pensar que sua casa confortável se tornava pior, o assim chamado “perder seu lugar para ficar”. Com tal ambiente sombrio, Shimizu pensou em fazer coisas desonestas para os outros dentro de sua mente sem deixar isso aparecer na superfície. Assim, ele se tornou mais e mais dedicado em suas ilusões e criação de livros.

Como ele era assim, quando ele entendeu que a invocação para um mundo diferente era verdade, o estado mental dele era como se estivesse gritando, “Aqui vou euuuu!!”. Mesmo quando Aiko protestou fervorosamente contra Ishtar, ou quando Kouki fervorosamente decidiu ajudar a humanidade a vencer e voltarem para seu mundo original, dentro da cabeça de Shimizu havia apenas ilusões sobre seu eu verdadeiro fazendo coisas espetaculares neste mundo diferente. Ele estava eufórico porque as ilusões que ele pensava serem impossíveis se tornaram realidade, e o clichê de ser invocado para um mundo diferente onde o protagonista era excessivamente cobrado foi afastado de sua mente.

Assim, as coisas foram como ele esperava, havia realmente um conflito neste mundo diferente. Primeiramente, Shimizu certamente manteve uma certa especificação trapaceira como segredo, mas isso era o mesmo para seus outros colegas. Além disso, Kouki era o ⌈Herói, não ele, e talvez por causa disso, as mulheres continuavam a se aproximar apenas de Kouki, e isso aconteceu sem precisar dizer que “ele era apenas uma das pessoas adicionais”. Com isto, nada mudou do tempo em que ele estava no Japão. Embora seu desejo tenha sido atendido, a realidade não virou exatamente o que ele esperava, o que fez aumentar a desonestidade de Shimizu, e sua insatisfação estava aumentando em sua mente.

“Por que é que eu não sou o ⌈Herói? Por que é que as mulheres só cercam e desejam Kouki? Por que é que não sou eu, mas Kouki que sempre é tratado como especial? Mesmo que eu pudesse fazer melhor se eu fosse o ⌈Herói. Então, as garotas vão me aceitar se eu me aproximar delas… esta, esta condição é culpa de todos, eu sou o único que é especial”, essa era a ideia egoísta que corroía a mente de Shimizu.

Nessa época… durante o treinamento de combate feito no |Grande Calabouço Orcus|. Shimizu pensou nisso como sua chance. “Eu não vou me importar com mais ninguém. Vai ser a mesma coisa se eles estiverem lá ou não. Esses colegas de classe que me trataram como segundo plano certamente notarão minha habilidade”, Shimizu tentou usar esta oportunidade… contudo, havia algo que ele notou.

Ele não era uma existência especial afinal, não havia uma oportunidade de desenvolvimento, e ele com certeza se tornaria uma pessoa “morta” no instante seguinte. Quando ele estava a ponto de ser morto por um 〈Soldado Esqueleto, ele viu o ⌈Herói que lutava com um monstro mais brutal a distância, e sua fantasia sobre um mundo diferente desmoronou enquanto fazia um som estridente.

Então ele testemunhou o colega que caiu para sua “morte” dentro do Abismo, e seu coração se quebrou. Ele só interpretou a situação para sua própria conveniência e sua mente sempre via os outros como inferiores a ele, então, naturalmente, o coração dele não era tão forte.

Quando ele voltou para o Palácio Real, Shimizu mais uma vez se isolou em seu próprio quarto. Contudo, a literatura que poderia animá-lo exatamente como em seu quarto no Japão, não estava ali. Foi por isso que Shimizu naturalmente passou seu tempo lendo livros sobre as habilidades e magias a respeito de sua classe, ⌈Mago Negro.

O sistema de ‖Magia Negra atuava na mente e sentidos dos outros, ela era reconhecida como uma magia que basicamente causava Status ruins no alvo durante a batalha. A aptidão de Shimizu incluía alterar a o reconhecimento dos outros, mostrar ilusões, interferir com a imagem da magia completa para interromper a invocação, e, ao dominar ainda mais suas habilidades, ele poderia causar desordens no controle corporal do alvo.

Assim, a depressão em seu coração foi completamente eliminada quando ele leu os livros, e Shimizu imediatamente se lembrou de algo. “Eu posso fazer lavagem cerebral em alguém se eu dominar a ‖Magia Negra?”, algo desse tipo. Shimizu estava excitado. Se a suposição dele estivesse correta, ele poderia fazer o que quisesse com esse alvo. Isso mesmo, o que ele quisesse fazer. A escuridão estagnada se espalhou na mente de Shimizu. Desde esse dia, ele treinou zelosamente com sua completa atenção.

Entretanto, as coisas não aconteceram facilmente. Primeiro, para algo com um forte ego[4], como um humano, ele precisaria continuamente aplicar o feitiço por várias horas, senão ele não poderia completar a lavagem cerebral. Naturalmente, isso só era valido se não houvesse nenhuma resistência. Como esperado, não havia ninguém que não reagiria se ele usasse esse feitiço.

Era necessário que ele colocasse o alvo em um estado de sono. Se o alvo fosse um humano, seria difícil demais para ele esconder o controle mental, tanto sobre as circunstâncias quanto sobre o tempo. Assim que ele pensou sobre o que aconteceria se ele fosse descoberto, Shimizu não pôde fazer nada além de abandonar esta ideia devido ao elevado risco.

Shimizu encolheu seus ombros, mas ele imediatamente se lembrou sobre o motivo para ele ser invocado, a raça dos Demônios podia controlar as Feras Mágicas. Ele se perguntou se ele poderia manipular as Feras Mágicas que se moviam por instinto e tinham egos pequenos se comparadas com humanos. Para confirmar isso, Shimizu foi para fora da Capital e repetidamente experimentou a magia em Feras Mágicas fracas. Como resultado, ele provou que era muito mais fácil fazer lavagem cerebral nelas do que com humanos. Para começar, ele só poderia fazer isto porque Shimizu era um dos trapaceiros e tinha um talento extremamente alto em ‖Magia Negra. Anteriormente, Ishtar disse que até se as pessoas desta classe gastassem muito tempo, eles só poderiam controlar um ou dois alvos.

Shimizu, que terminou seus experimentos nos arredores da Capital, pensou que seria bom se ele pudesse controlar Feras Mágicas poderosas. Contudo, ele se sentiu intimidado em ir para o |Calabouço| como vanguarda exatamente como o grupo de Kouki. Assim, no momento em que ele estava perdido sobre o que fazer, ele escutou conversas sobre os guarda-costas de Aiko. Se ele se juntasse, ele seria capaz de encontrar uma boa 〈Fera Mágica, ou assim ele pensou.

No fim, o grupo de Aiko foi até a |Cidade de Ur|, então ele ouviu sobre as Feras Mágicas na região da cordilheira do Norte e ele estava perdido em ganância quando ele pensou em fazer deles seus subordinados. Na próxima reunião deles, todos ficariam com admiração e respeito pela grande conquista dele, e ele seria tratado como especial, ou essa era a desilusão que Shimizu teve.

Normalmente, para o curto espaço de tempo de quase duas semanas, não importava se Shimizu fosse um gênio na ‖Magia Negra, e ele usasse o eficiente método de fazer lavagem cerebral apenas nos líderes dos grupos, 1.000 era o limite. Além disso, seriam apenas monstros no nível dos 〈Brutais da segunda cordilheira.

Contudo, ele foi auxiliado por uma certa existência, e ele foi capaz de controlar Tio, que deu seu poder para Shimizu eficientemente manipular até as Feras Mágicas da quarta cordilheira por acaso. E ao mesmo tempo, essa certa existência o prometeu reforço com tropas de Feras Mágicas todos os dias, e o limite da razão de Shimizu foi completamente perdido. Finalmente, enquanto ele estava encharcado em alegria por ele ser de fato especial, a enorme multidão em seu total controle estava apontada para a cidade.

Dessa forma, como resultado…

Ele foi transformado em tal estado miserável para todos verem, e ele foi obrigado a se ajoelhar na frente de Aiko e os outros. A propósito, o motivo para ele parecer com um soldado derrotado foi porque, usando o [Veículo Mágico de Duas Rodas], Hajime o arrastou pelo chão coberto por carne e sangue de Feras Mágicas juntamente com a nuvem de poeira. Shimizu estava inconsciente com o branco de seus olhos aparecendo, e quando eles viram ele sendo arrastado para a cidade com sua cabeça repetidamente atingindo o solo, a expressão de Aiko e dos outros ruiu.

Aliás, a atual localização deles era os arredores da cidade, e neste local, estavam apenas Aiko, os estudantes, várias pessoas dos ⌈Cavaleiros guarda-costas e dos líderes da cidade, Will e o grupo de Hajime. Como esperado, se o responsável por trás do ataque fosse levado para a cidade, a comoção seria maior e seria difícil ter uma conversa adequada, ou então essa era a razão deles. Os líderes da cidade, que permaneceram dentro da cidade, estavam atualmente ocupados com o pós-tratamento.

Aiko avançou em direção a Shimizu, que estava desmaiado com o branco de seus olhos a mostra. A aparência dele com um manto negro, acompanhado do fato de que ele foi arrastado diretamente pelo campo de batalha, se tornou prova indiscutível de que ele era o culpado por esse ataque. Era fato que ela não queria acreditar, pois a expressão de Aiko estava repleta de tristeza, e ela sacudiu Shimizu para acorda-lo.

David e os outros a disseram para parar porque isso era perigoso, mas ela sacudiu sua cabeça para rejeita-los. A mesma coisa aconteceu com a contenção. Ela foi retirada porque ela não seria capaz de ter uma boa conversa com Shimizu com fios nele. No fim, Aiko só queria conversar como uma professora com seu estudante.

Em pouco tempo, a consciência de Shimizu começou a voltar com o chamado de Aiko. Ele olhou para as imediações com um olhar vazio, e quem sabe porque ele entendeu sua situação, “Hah”, ele levantou seu tronco. Ele imediatamente tentou se distanciar, mas talvez porque ele machucou a parte de trás de sua cabeça, ele cambaleou e caiu de bunda, assim, ele se afastou sentado. Com cautela e infâmia, ele tinha uma expressão complexa, sem irritação, e ele olhou ao redor.

(Aiko): “Shimizu-kun, por favor, acalme-se. Não há ninguém aqui que irá te ferir… a Sensei só quer falar com Shimizu-kun. Por que você fez isso… eu não ligo se falarmos sobre outra coisa. Você irá, deixar a Sensei escutar sobre os sentimentos de Shimizu-kun?”

Como Aiko mirou seu olhar para Shimizu, ele parou de olhar para os lados. Seguido disso, ele desviou seus olhos e olhou para baixo, então falou com uma voz que mal podia ser ouvida… ou melhor, ele começou a praguejar.

(Shimizu): “Por quê? Você ainda não entende. É por isso que vocês e aqueles caras são incompetentes. Me tratando como um idiota… o ⌈Herói, aquele ⌈Herói é irritante. Mesmo eu podendo fazer melhor se fosse o escolhido… despercebido, e tratado como um figurante… honestamente, há apenas idiotas… foi por isso que eu pensei em mostrar o meu valor…”

(Tamai): “Você… coloque-se em seu lugar! Você quase destruiu a cidade!”

(Estudante A): “Isso mesmo! Se você está falando sobre idiotas, você é um deles!”

(Sonobe): “Pense em quão preocupada você deixou Ai-chan-sensei!”

Longe de refletir, Shimizu estava praguejando seu descontentamento com seus arredores, assim, Tamai, Sonobe e os outros estudantes ficaram nervosos e fizeram suas objeções um após o outro. Talvez porque ele foi pressionando pela vontade deles, Shimizu olhava mais e mais para baixo e assumiu o silêncio.

Como Aiko não podia suportar que Shimizu ficasse assim, ela tentou conter os cada vez mais irritados estudantes, e questionou Shimizu com uma voz que carregava o máximo de carinho possível.

(Aiko): “Entendo, você tem muitas insatisfações… contudo, Shimizu-kun. Se isso é sobre triunfar sobre todo mundo, isso faz com Sensei fique com ainda mais dúvidas. Por que você tentou atacar a cidade? Se você atacou a cidade assim… muitas pessoas poderiam ter morrido… deixando de lado a forma como você dominou tantas Feras Mágicas, isso não poderia mostrar o seu ‘valor'”

A pergunta justificada de Aiko fez Shimizu olhar um pouco para cima e seus olhos tristes e escuros se viraram para Aiko pelas aberturas de seu topete sujo que pendia para baixo, então ele mostrou um leve sorriso.

(Shimizu): “… eu posso mostrar isso… se for para a raça dos Demônios

(Aiko): “Quuuu!?”

Essas palavras inesperadas que saíram da boca de Shimizu fizeram não apenas Aiko, mas (excluindo Hajime e seu grupo) todos que estavam por perto ficarem em choque. Shimizu ergueu sua expressão satisfeita quando ele viu as aparências deles, e pensou que era o mesmo de antes, ele começou a falar com uma voz mais forte do que as da pressão anterior que fez ele se calar.

(Shimizu): “Para capturar as Feras Mágicas, eu fui para a cordilheira no Norte sozinho. Nesse momento, eu conheci uma pessoa da raça dos Demônios. No início, é claro que eu estava cauteloso… mas esse Demônio queria falar comigo. Assim, nós chegamos a um acordo. Aquele cara sabia o meu verdadeiro valor. Foi por isso que eu passei para o lado daquele cara… para o lado da raça dos Demônios e fiz um contrato”

(Aiko): “Um contrato… você diz? O que você quer dizer?”

Aiko estava abalada pelo fato de que ele estava conectado com a raça dos Demônios, o inimigo deles na guerra, mas ela estava certa de que a raça dos Demônios devia ter persuadido o estudante dela e ela perguntou sobre isso enquanto reprimia sua raiva.

Olhando para Aiko, Shimizu estava sorrindo como se ele estivesse vendo algo engraçado, então ele disse as palavras impactantes.

(Shimizu): “… Hatayama-sensei… isso foi para matar você”

(Aiko): “… eh?”

Por um momento, Aiko não entendeu o que ele disse, por isso ela espontaneamente soltou essa voz estúpida. A mesma coisa aconteceu com todos no local, eles ficaram estupefatos por um momento, eles entenderam o significado antes de Aiko, e encararam Shimizu com fúria em seus olhos.

Shimizu se encolheu por um momento com os olhares penetrantes que estavam cheios de poderosa ira dos estudantes e dos ⌈Cavaleiros, mas ele parou no meio do caminho e continuou suas palavras como se estivesse se livrando desses olhares.

(Shimizu): “O que há com essa expressão. Você pensou que eu fui usado pela raça dos Demônios? De certa forma, você é uma existência mais problemática do que o ⌈Herói⟦Deusa da Boa Colheita… se eu fizesse parecer que você matou os habitantes da cidade, eu seria recebido pela raça dos Demônios como um ‘herói’. Era esse tipo de contrato. Minha habilidade é incrível no fim das contas. Eles disseram que seria um desperdício eu ficar abaixo desse ⌈Herói.

Como imaginado, aqueles que entendem isso irão entender. Na realidade, eles também me emprestaram Feras Mágicas poderosas e eu fui capaz de criar um exército que excedia a minha imaginação… foi por isso, foi por isso que eu pensei que eu poderia te matar com certeza! O que foi isso!? Que merda foi aquela!? Por que um exército de 60.000 foi derrotado!? Por que essas armas existem neste mundo diferente!? Você, quem diabos é você!?”

Devido ao escárnio no início, Aiko só podia encarar fixamente Shimizu, seu estudante, quando ele disse a palavra “matar”, e talvez porque ele estivesse agitado enquanto falava, ele começou a gritar quando olhou para Hajime. Dentro de seus olhos havia algo mais do que melancolia e indignidade, a irritação porque nada foi de acordo com seu desejo, o ódio por Hajime, que o obstruiu, seguido disso, a inveja pelo poder, estavam todos misturados, misturados e criavam a loucura dele.

Aparentemente, Shimizu não notou que o garoto de cabelo cinza e tapa-olho diante dele era Nagumo Hajime, seu colega de classe. Para começar, podia se dizer que não podia ser diferente porque ele nunca falou com Hajime…

Shimizu continuou encarando e amaldiçoando Hajime como se ele fosse ataca-lo a qualquer momento, e Hajime, que subitamente virou o alvo, podia escutar Shimizu praguejando com, “Mesmo você sendo apenas um personagem chuuni[5], e, na verdade, Hajime recebeu um dano consideravelmente profundo, enquanto olhava para longe para escapar da realidade. A atitude dele podia ser considerada como, “Eu não penso nada sobre você”, então isso fez Shimizu se agitar ainda mais.

Imaginando o sentimento de Hajime, suas costas foram acariciadas por Yue e sua bondade fez ele querer chorar de novo.

Talvez graças a Hajime ignorar o clima sério e entrar em seu próprio mundo (?), Aiko teve tempo para recuperar seus sentidos pelo impacto, ela respirou profundamente e, mesmo sem nenhuma coragem para confrontar sua raiva, ela não se moveu de onde estava e segurou a mão de Shimizu, e falou calmamente.

(Aiko): “Shimizu-kun. Por favor, se acalme”

(Shimizu): “O qu-que há com você!? Solte!”

Ele estava surpreso pelo súbito toque e Shimizu imediatamente tentou se livrar dela, mas Aiko disse que ela não soltaria e aumentou ainda mais a força em seu aperto. Quem sabe porque Shimizu não poderia encarar o olhar sério de Aiko, ele gradualmente se acalmou enquanto olhava para baixo de novo, e a expressão dele foi escondida pelo topete.

(Aiko): “Shimizu-kun… eu entendi seus sentimentos. Você quer ser ‘especial’. Seus sentimentos não estão errados. Esse é um desejo natural para um humano. Depois disso, você certamente pode ser ‘especial’. Afinal, embora seu método esteja equivocado, é verdade que você pôde fazer tudo isso… contudo, não vá para o lado da raça dos Demônios. Escutando sua história, a raça dos Demônios só está tentando usar seu desejo.

Afinal, a Sensei não pode confiar seu importante aluno para esse tipo de pessoa… Shimizu-kun. Vamos acabar com isso, okay? Eu não quero que ninguém lute, mas se Shimizu-kun deseja isso, a Sensei irá te apoiar. Se for você, você definitivamente pode lutar como um igual com Amanogawa-kun e os outros. Então, algum dia, vamos voltar juntos quando nós descobrirmos o método para retornar para o Japão, okay?”

Shimizu escutou Aiko falando em silêncio, e antes que eles percebessem, os ombros dele tremiam. Até os estudantes e os ⌈Cavaleiros guarda-costas pensaram que Shimizu estava abalado com as palavras de Aiko e começou a chorar. Na verdade, Sonobe Yuka, que era famosa por ser facilmente levada as lágrimas na sala, já estava chorando quando ela viu Aiko e Shimizu.

No entanto, isso não era algo tão doce já que as coisas simplesmente não seguiriam pelo caminho dela. Aiko esfregou a cabeça trêmula de Shimizu com uma expressão gentil, mas Shimizu subitamente agarrou a mão estendida em resposta e puxou ela, então ele a virou e enrolou seu braço ao redor do pescoço de Aiko. Aiko involuntariamente gemeu porque seu braço estava preso atrás dela e ele pegou uma agulha longa com dez centímetros de Deus sabe onde, então ele a apontou para a parte de trás do pescoço dela.

(Shimizu): “Não se movam! Ou eu irei usar isso!”

Shimizu gritou histericamente. A expressões dele estava se contorcendo em convulsão, em seus olhos havia a mesma loucura de quando ele estava amaldiçoando Hajime. Aparentemente, seus ombros estavam tremendo por ele estar rindo.

Aiko parecia sofrer porque ela era incapaz de empurrar o braço de Shimizu, que se enrolou ao redor de sua garganta. As pessoas ao redor desesperadamente pararam seus movimentos depois de receberem o aviso de Shimizu. Pela aparência de Shimizu, eles entendiam que ele estava sério sobre suas ameaças. Todos chamavam o nome de Aiko com aflição e arrependimento, e Shimizu continuou a ridicularizá-los.

A propósito, Hajime finalmente voltou para a realidade neste momento. Como ele estava em uma viagem para escapar da realidade até agora, seu rosto dizia, “Oya? Quando foi que…”, devido ao súbito desenvolvimento.

(Shimizu): “Escutem, esta é uma agulha envenenada que eu consegui de uma 〈Fera Mágica da cordilheira do Norte! Ela irá sofrer por poucos minutos antes de morrer se eu a furar! Se vocês entenderam, então todos devem jogar suas armas para longe e erguer suas mãos!”

Com as palavras do enlouquecido Shimizu, todos ficaram pálidos. Shimizu estava rindo dos estudantes e ⌈Cavaleiros que não podiam se mover, e ele virou seu olhar para Hajime.

(Shimizu): “Oi, você, chuuni desgraçado, você! Não atrás de você! Eu estou falando com você! Não me tome por um idiota, seu desgraçado! Se você continuar brincando, eu realmente vou matá-la! Se você entendeu, me dê a sua arma! As outras armas também!”

Como a forma como Shimizu chamou ele era cruel demais, ele involuntariamente olhou para trás, “Ele não está falando comigo”, o que acabou sendo fútil, e o rosto de Hajime parecia muito incomodado. Apesar da situação tensa, a atitude dele não mudou pois ele estava calmo, e Shimizu perdeu sua paciência porque ele pensou que ele estava sendo feito idiota de novo. Assim, histericamente, ele exigiu que Hajime entregasse suas armas de fogo.

Hajime se virou para olhar para Shimizu com olhos extremamente frios quando ele escutou isso.

(Hajime): “Bem, você, para dizer que você não irá matá-la… para começo de conversa, você não pode ir para o lado da raça dos Demônios se você não matar a Sensei, então você vai matar ela de qualquer forma, não é? É por isso que eu não vou entregá-las a você”

(Shimizu): “Calado, calado, calado! Só fique quieto e entregue elas! Um idiota como você deve apenas fazer o que eu digo! É-é verdade, hehe, oi, me dê a sua Escrava também. Faça ela carregar as armas!”

Com sua calma retornando, Shimizu gritou mais um pouco. Como ele estava encurralado, ele não poderia mais fazer um julgamento normal. Shia, que foi marcada por Shimizu, estava tremendo e sua expressão mostrava seu desgosto.

(Hajime): “Mesmo que eu atire três vezes seguidas para calar sua boca, você só vai ficar mais bizarro… ou melhor, Shia, mesmo que você esteja enojada, não se esconda atrás de mim. Ele não é tão assustador assim”

(Shia): “Mas ele é mesmo repugnante… você pode dizer que minha mente não pode aceitar isso… só olhe para aquelas espinhas. É impossível não sentir nojo”

(Hajime): “Bom, embora ele tenha desejado ser um herói, as frases dele são as mesmas de um ladrão que é morto facilmente pelo protagonista bem no início da história”

Apesar da pessoa em questão não poder escuta-los por causa do volume baixo de suas vozes, todos puderam ouvi-los graças a seus olhos enojados e o volume de suas vozes ficando cada vez mais alto. Shimizu só podia abrir e fechar sua boca e a cor de seu rosto gradualmente se tingiu de vermelho, então ela mudou para azul, e, no fim, ela ficou branca. Esse foi um exemplo da mudança na compleição devido a fúria que ficou grande demais.

Shimizu começou a murmurar, “Eu sou um herói, eu sou especial, estes caras e aqueles outros são apenas idiotas, tudo é culpa deles, não há problemas, tudo vai acontecer conforme eu desejo, eu sou um herói afinal, eu sou especial”, com olhos vazios, em seguida, ele subitamente soltou uma risada estridente como se ele tivesse se libertado de algo.

(Aiko): “… Shi-Shimizu-kun… vamos conversar… no fim das contas… tudo vai ficar bem…”

Embora Aiko estivesse sofrendo enquanto era exposta a antiquada loucura de Shimizu, ela falou essas palavras, e no momento que ele escutou isso, Shimizu parou completamente sua risada e enforcou Aiko com força.

(Shimizu): “… que irritante. Pare de tentar ser uma boa pessoa, sua hipócrita. Só cale a boca e se torne uma ferramenta para eu escapar daqui”

Shimizu murmurou isso com um tom sombrio e ele olhou para Hajime mais uma vez. Sem nenhuma agitação ou outras expressões, ele olhou para Hajime com olhos repletos de sentimentos negativos, a seguir, ele viu a arma no coldre na coxa dele. O que ele queria foi transmitido sem a necessidade de palavras. Se ele vacilasse aqui, ele só estaria desprezando sua vida e, não, sua boa sorte iria apenas ser um sonho se ele não ferisse Aiko.

Hajime suspirou, ele pensou em disparar o cabo quando ele passasse a arma para usar a ‖Capa do Relâmpago, mesmo se Aiko fosse envolvida, mas ele lentamente alcançou [Donner] e [Schlag] para não estimular Shimizu. Como o corpo de Aiko era pequeno, ela não poderia ser um escudo, e era possível para Hajime atingir Shimizu antes que ele percebesse com sua velocidade de saque, ele pensou que estaria tudo bem ser olhado por Aiko com olhos ligeiramente feridos.

Mas, no momento que Hajime começou a descer sua mão, a situação repentinamente mudou.

(Shia): “Kh!? Não! Desvie!”

Assim que ela gritou isso, Shia fortaleceu seu corpo o máximo que sua habilidade permitia e momentaneamente chegou a um movimento de alta velocidade no nível do ‖Teletransporte, e ela pulou em direção a Aiko.

Devido a brusquidão, Shimizu imediatamente tentou espetar a agulha em Aiko. Shia estava fazendo o impossível ao puxar Aiko e girou seu corpo para protegê-la de algo, então, uma corrente de água azulada atravessou o peito de Shimizu e essa coisa parecida com um laser passou pelo lugar onde a cabeça de Aiko estava um instante atrás simultaneamente.

Hajime, que estava dentro da trajetória, usou [Donner] para se defender contra o laser de água que provavelmente era a magia ofensiva ‖Ruptura, do sistema da água. Quanto a Shia, ela vigorosamente disparou enquanto abraçava Aiko com força, assim, ela deslizou pelo chão com seu ombro. Ela ergueu uma tempestade de poeira, e Shia, que finalmente parou, “Uguh”, soltou um gemido de dor e continuou deitada.

(Yue): “Shia!”

Entre todos que estavam paralisados com o desenvolvimento repentino, Yue correu com toda a sua força enquanto chamava o nome de Shia. Em seguida, ela assumiu uma posição para proteger Shia e a mulher que ela abraçava, Aiko, de outro ataque.

Hajime não disse nada e apenas agradeceu e elogiou Yue em sua mente porque ela se moveu como ele esperava, então ele segurou [Donner] com ambas as mãos enquanto usava a ‖Visão de Longo Alcance para rastrear a trajetória desse ‖Ruptura. Logo a seguir, ele viu um homem vestido de preto com orelhas pontudas e cabelo penteado para trás que montava em uma 〈Fera Mágica enorme parecida com um pássaro ao longe.

] DOPANh! DOPANh! DOPANh! DOPANh! DOPANh! DOPANh! [

Em um instante, Hajime sucessivamente disparou o canhão eletromagnético contra a 〈Fera Mágica voadora e a silhueta. O homem com cabelo penteado para trás, como se tivesse antecipado o ataque, fez a 〈Fera Mágica parecida com um pássaro desesperadamente desviar fazendo barrel rolls[6] enquanto ele confirmava a localização de Hajime. Era uma 〈Fera Mágica bem ágil, mas ela não conseguiu desviar de tudo e uma das pernas do 〈Pássaro foi arrancada, o ombro do homem também foi atingido. Ainda assim, ao invés de cair, sua velocidade não diminuiu e ele tentou escapar em velocidade máxima. Poderia se dizer que a forma como o monstro escapou da sequência de ataques não era nada além de esplêndida.

Hajime imaginou que esse homem provavelmente era a pessoa da raça dos Demônios da conversa de Shimizu. O homem já tinha desviado para a cidade em baixa altitude como se estivesse usando ela como um escudo, então ele desapareceu. Pelo método que ele usou para escapar das balas de Hajime e seu grupo, parecia que a informação sobre Hajime e seu grupo já era conhecida pela raça dos Demônios, o que fez com que Hajime ficasse com uma expressão amarga. Como o homem escapou em direção ao |Lago Urdeia|, seria difícil demais persegui-lo usando as [Aeronaves de Reconhecimento Não Tripuladas], se ao menos ele tivesse escapado pela floresta… acima de tudo, essa não era a prioridade atual.

(Yue): “Hajime!”

Talvez por que Yue também tivesse adivinhado que o inimigo escapou, ela chamou Hajime com uma voz que continha impaciência, diferente do normal.

Hajime colocou [Donner] de volta em seu coldre e correu para Shia sem nem mesmo olhar para o caído Shimizu. Shia estava olhando para o alto enquanto descansava no colo de Yue e a expressão dela estava envolvida pela dor. Aiko, ao lado dela, também mostrava uma expressão similar enquanto era abraçada por Yue.

(Shia): “Ha-Hajime-san… ukh… eu… estou… bem… por-por favor, Sensei-san foi… arranhada pela agulha venenosa…”

Havia um buraco com três centímetros de diâmetro no flanco de Shia. Embora o sangramento tenha sido suprimido pelo ‖Fortalecimento Corporal, podia se entender que ela estava em considerável dor pela quantidade de suor que escorria de seu rosto. Contudo, ela mostrou um sorriso forçado e o disse para dar prioridade a Aiko com uma voz trêmula.

Quando ele viu Aiko, o rosto dela estava completamente pálido, e seus membros começavam a convulsionar. Talvez porque ela ouviu a conversa de Shia e Hajime, Aiko desesperadamente balançou seu pescoço, apelando para que Shia fosse tratada primeiro. Ela não podia falar nenhuma palavra porque o veneno já tinha se espalhado. Se as palavras de Shimizu estivessem corretas, ela só tinha alguns minutos, não, era menos do que um minuto ao olhar para a aparência de Aiko. Ela não queria causar mais problemas pois já era tarde demais.

Hajime desviou seus olhos de Aiko e, sem hesitação, concordou com Shia, então ele pegou um frasco da [Caixa do Tesouro]. Nesse momento, as pessoas ao redor finalmente correram em direção a Hajime e as outras com expressões desconfortáveis enquanto deixavam seus lamentos escaparem de suas bocas. Os estudantes, David e os ⌈Cavaleiros estavam particularmente abalados, eles estavam em pânico. Eles estavam perguntando Hajime sobre a segurança dela, recuaram quando viram a aparência dela, e tentaram usar ‖Magia de Cura, o que foi ineficaz… para tais pessoas, uma única palavra de Hajime, “Silêncio”, com intenção assassina fez eles recuarem e manterem o silêncio.

Até Hajime estava um pouco surpreso pelo que ele tinha dito. Sua raiva pelo ferimento de Shia foi maior do que ele esperava. Aparentemente, sem ele notar isso, ele tinha a reconhecido como uma importante companheira no fundo de seu coração. Dessa forma, ele estava completamente furioso com a raça dos Demônios que entrou em contato com Shimizu e com ele mesmo, que se esqueceu da possibilidade de alguém ainda estar por perto.

Se ele fizesse algo contra Aiko e os outros enquanto o grupo de Hajime estava na linha de frente, a possibilidade de isso se tornar um caos era alta. No entanto, como ele na verdade não fez nada, Hajime estava convencido de que o homem não queria fazer isso diretamente, sem nenhum bom motivo.

De fato, essa pessoa da raça dos Demônios tinha pensado em assassinar Aiko quando Shimizu estava fora de controle, mas ele perdeu a chance porque ficou estupefato com o grupo de Hajime que era fora do normal. Mais tarde, enquanto ele procurava por uma oportunidade, a conversa entre Shimizu e Aiko começou. Assim, ele pensou em deixar a morte de Aiko com Shimizu enquanto olhava de longe, mas ele imaginou que Aiko seria recapturada no último momento pelo fora do padrão Hajime, então ele invocou uma magia que era especializada em penetração para atingir Shimizu e Aiko.

Entretanto, apesar do Demônio ser rápido para ver essa oportunidade, houve um erro de cálculo. Se as coisas tivessem dado certo, a trajetória do ataque iria atingir Hajime e os outros, apagando esses fatores de risco ao mesmo tempo, mas a magia única de Shia foi ativada. Essa foi a ‖Premonição[7]. Shia, que estava atrás de Hajime, naturalmente seria atingida pela trajetória, juntamente de Shimizu, Aiko e Hajime, então ela disparou para “quebrar” o futuro que ela viu.

Graças a isso, o futuro onde o ataque atravessaria a cabeça de Aiko e ela morreria imediatamente foi evitado. Shia colocou seu corpo em perigo para alterar esse futuro. Mesmo que ele estivesse com dúvidas sobre o porquê ela arriscar sua vida por Aiko, que não tinha intimidade com ela, Hajime não iria deixar de tratar uma importante companheira que deu o seu melhor com frieza. Assim, sem hesitação, ele usou a escassa [Água Sagrada] em Aiko. Como não havia tempo, esse era o melhor item a se usar.

Hajime segurou Aiko, que estava se apoiando em Yue, colocou o frasco na boca dela e colocou a [Água Sagrada] pouco a pouco. Aiko olhou para Hajime que não fez de Shia a prioridade máxima com olhos reprovadores, mas isso foi ignorado por Hajime. Na verdade, ele priorizou a vontade de Shia ao invés da de Aiko ou da sua. Foi por isso que ele apenas derramou a [Água Sagrada] sem nenhuma discussão. Contudo, o corpo inteiro de Aiko começou a convulsionar e ele não podia se mover da forma que ela desejava, então ela não conseguiu engolir a água. Ao invés disso, era possível que a água entrasse nos pulmões e fizesse ela vomitar.

Hajime julgou que seria impossível para Aiko engolir a [Água Sagrada] sozinha, ele colocou o restante dentro de sua boca e, sem hesitar, colocou o líquido diretamente na boca de Aiko.

(Aiko): “Kh!?”

Aiko arregalou seus olhos. Em seguida, gritos e vozes zangadas surgiram de todos ao redor de Hajime. Contudo, Hajime ignorou tudo isso e torceu sua língua que invadia a boca de Aiko, então ele colocou a força a [Água Sagrada]. A expressão de Hajime não continha qualquer vergonha ou culpa, havia apenas seriedade ao fazer o que precisava ser feito.

Em pouco tempo, a garganta de Aiko se moveu como se engolisse e a [Água Sagrada] fluiu para dentro de seu corpo. Em seguida, a dor que atacava o corpo dela e a sensação fria de sua vida sendo tomada foram varridas para longe assim que o fogo se acendeu dentro de seu corpo e começou a se espalhar. Aiko se lembrou da sensação de afundar dentro de uma fonte termal[8] no inverno gelado, e o corpo dela tremeu. Foi exatamente como esperado da [Água Sagrada]. Essa era uma água milagrosa que impediu que o corpo de Hajime se rompesse ao comer a carne das Feras Mágicas. O efeito era sublime.

Pouco depois, o boca a boca terminou em um piscar de olhos e Hajime separou sua boca da de Aiko. Fios de prata apareceram entre os dois. Hajime observou Aiko. Seu propósito era comprovar que ela tinha escapado da crise. Por outro lado, Aiko ainda estava olhando para Hajime fixamente enquanto seus olhos ainda estavam sem foco.

(Hajime): “Sensei”

(Aiko): “…”

(Hajime): “Sensei?”

(Aiko): “…”

(Hajime): “Oi! Sensei!”

(Aiko): “Fue!?”

Hajime chamou Aiko para perguntar sobre a condição dela, mas Aiko continuou o olhando fixamente sem se mover. Hajime estava irritado, então ele deu um leve tapa na bochecha dela e aumentou o volume de sua voz, assim ela soltou uma voz indescritivelmente adorável e recuperou seus sentidos.

(Hajime): “Como está o seu corpo? Há algum sinal de irregularidade?”

(Aiko): “Heh? A, um, é que, eu estou be-be-be-bem. Não há nenhuma anomalia, ou melhor, eu me sinto bem… espere, is-isso está errado! De nenhuma forma essa, es-essa coisa foi boa, o que eu quero dizer é que o efeito do remédio…”

(Hajime): “Entendo. Isso é bom”

Hajime parecia a ponto de perder sua calma, e respondeu de modo simples para Aiko, que disse não haver anomalias em sua condição física, então ele simplesmente removeu a mão que apoiava Aiko e foi em direção a Shia.

Embora ela estivesse perplexa com a atitude de Hajime, Aiko não continuou onde estava e correu em direção a Shia antes que ela percebesse isso.

Hajime pegou outro frasco com [Água Sagrada] e colocou metade diretamente dentro da ferida de Shia, e a outra metade foi levada para perto da boca de Shia para deixá-la beber. As partes feridas fizeram um som de ] shuu [ e se recuperaram rapidamente, mas, por algum motivo, Shia não queria beber a [Água Sagrada] e balançou sua cabeça.

(Shia): “Ha-Hajime-san…”

(Hajime): “Shia, o que…”

(Shia): “Eu também… vai ser melhor… guh… fazer isso boca a boca…”

(Hajime): “Vo-você é sempre assim…”

Enquanto ela estava encharcada de suor devido a dor, Shia revelou seu desejo. “Mesmo que você me arraste por aí, eu não vou me levantar até você fazer isso”, ela fez esse tipo de demanda e até Hajime ficou impressionado por isto. Como era esperado, não havia necessidade de propositadamente fazer isso boca a boca, então ele ignorou a reclamação silenciosa de Yue, que estava sendo gentil com Shia recentemente, e enfiou o frasco na boca de Shia.

(Shia): “Muguh!? ] engole, engole [… puhah… uuuuu, Hajime-san é injusto… eu estou com inveja da Sensei-san…”

(Yue): “Hajime… mal”

(Aiko): “Fue!? Sh-Shia-san, você está enganada! Essa foi uma ação de emergência! É diferente do que Shia-san quer! Eu sou uma professora no fim das contas!”

Ela recebeu um olhar mal-humorado e queixas de Shia e broncas de Yue sobre ler o clima, mas Aiko, cujo rosto ficou vermelho, inventou desculpas, e Hajime só podia suspirar profundamente, mostrando tanto seu alívio quanto seu espanto.

Depois disso, os expectadores que imaginaram que tudo tinha sido resolvido, começaram a fazer barulho de novo porque todos provavelmente se lembraram da existência patética que tinha sido esquecida. Isso foi particularmente importante para Aiko. Assim, Aiko provavelmente não se esqueceu dele e apenas não entendia o que tinha acontecido tão de repente.

Hajime chamou um ⌈Cavaleiro que estava mais próximo de Shimizu.

(Hajime): “… você, Shimizu ainda está vivo?”

Com essas palavras, todos ficaram com expressões que diziam que eles acabaram de se lembrar dele e olharam para Shimizu caído no chão. Apenas Aiko mostrou um olhar perplexo e disse, “Eh? Eh?”, enquanto olhava ao redor, ela devia ter se lembrado da situação de quando Shia a resgatou. Com um rosto confuso, ela correu em direção a Shimizu em pânico.

(Aiko): “Shimizu-kun! Aa, isto é… tão cruel”

No peito de Shimizu havia um buraco parecido com o de Shia. O sangramento era intenso e havia uma grande piscina de sangue… ele provavelmente só tinha poucos minutos sobrando.

(Shimizu): “Eu-eu não quero morrer… aju-ajuda… se for assim… não… eu não posso acreditar nisso…”

Shimizu falou com Aiko, que segurava sua mão a seu lado, era apenas um monólogo de palavras que não poderiam ser entendidas em um sussurro. Aiko olhou ao redor procurando ajuda, mas todos desviaram seus olhos. Já era tarde demais. Além disso, a expressão de não querer ajuda-lo estava evidente nos rostos deles.

Aiko se agarrou a seu último fio de esperança assim que ela olhou para trás e gritou para Hajime, que estava lá.

(Aiko): “Nagumo-kun! Aquele remédio de antes! Se for agora… !!! Por favor!”

Hajime imaginou essas palavras de Aiko e murmurou, “Realmente chegamos a isto…”, junto de um suspiro, então ele se moveu em direção de Aiko e Shimizu. Seguido disso, ele questionou Aiko, mesmo que ele já soubesse que resposta receberia.

(Hajime): “Você quer que eu o ajude Sensei? Ele estava tentando te matar, sabia? Eu acho que isso passou do limite, não importa quão ‘professora’ você seja”

Shimizu foi alguém que tentou matá-la, mas ela o protegeu só porque ele era seu estudante. Quantas pessoas poderiam ser uma “professora” como ela em tal desespero? Ela já deveria estar em um nível anormal para uma “professora”. Aiko entendeu com precisão o significado por trás da pergunta de Hajime, os olhos dela tremeram por um momento, então ela respondeu com uma expressão firme.

(Aiko): “Certamente, pode ter sido como você disse. Não, isso com certeza aconteceu como você disse. Entretanto, eu só quero ser… esse tipo de professora. Eu vou ser a aliada dos alunos, aconteça o que acontecer, eu jurei me tornar esse tipo de professora. Portanto, Nagumo-kun…”

Hajime ficou mal-humorado enquanto coçava sua cabeça porque a resposta foi o que ele esperava, e ele suspirou em relutância porque isso apenas mostrava como Aiko-sensei era. Em seguida, ele olhou para o céu enquanto pensava em alguma coisa por um tempo, ele respirou profundamente e seguiu para o lado de Shimizu com uma expressão decidida.

(Hajime): “Shimizu. Você pode me ouvir? Eu tenho algo que pode te salvar”

(Shimizu): “!!!”

(Hajime): “Contudo, há algo que eu quero perguntar primeiro”

(Shimizu): “…”

Escutando as palavras que diziam que ele poderia ser salvo, Shimizu respondeu ao parar seus murmúrios e seus olhos errantes estavam encarando Hajime. Em um instante, Hajime fez uma simples pergunta.

(Hajime): “… você é… um inimigo?”

Shimizu imediatamente balançou sua cabeça sem nenhuma hesitação. Depois disso, ele mostrou um sorriso de infâmia e começou a implorar por sua vida.

(Shimizu): “Eu-eu não sou seu inimigo… eu-eu não irei… fazer nada… eu vou fazer o que você quiser… então me ajude, eu-eu até irei te dar um exército… e até… manipular as mulheres… eu-eu juro… eu juro que serei leal… eu farei qualquer coisa… então me ajude…”

Com essas palavras, Hajime ficou sem expressão. Depois disso, ele podia ser visto olhando nos olhos de Shimizu silenciosamente como se tentasse confirmar a verdadeira intenção dele. Shimizu, que pensou que ele estava vendo o fundo de seu coração, imediatamente olhou para longe. Contudo, Hajime foi capaz de confirmar. Havia ainda mais escuridão e indecência dentro dos olhos de Shimizu. Eles estavam saturados com ódio, raiva, inveja, desejo e outros sentimentos negativos, eles eram exatamente como o mar profundo onde a luz não chegava.

Hajime estava convencido. As palavras de Aiko não chegaram a mente de Shimizu. Dessa forma, Shimizu certamente se tornaria o inimigo deles. Ele determinou isso. Por um momento, seu olhar se virou para Aiko. Aiko também estava olhando para Hajime e seus olhares se encontraram. Em seguida, Aiko foi capaz de imediatamente adivinhar o que Hajime ia fazer. A expressão dela mudou e ela pulou para deter Hajime.

(Aiko): “NÃO!”

Contudo, Hajime foi muito mais rápido.

] DOPANh! DOPANh! [

(???): “Kh!?”

O som onde uma respiração foi tomada. Não se sabia de quem venho esse som. Uma na cabeça e uma no coração. As balas que foram disparadas com precisão fizeram o corpo de Shimizu pular por um momento, e elas o presentearam com a morte.

Com o eco do tiro, ninguém soltou nenhuma palavra, eles podiam apenas observar com surpresa Hajime silenciosamente olhando para o corpo com uma arma em sua mão que soltava fumaça branca. Silêncio dominou a região, entre aqueles que não podiam se mover, um murmúrio escapou.

(Aiko): “… por quê?”

Era Aiko. Em sua surpresa, ela observou o corpo de Shimizu, que começava sua viagem para a morte, e ela fez essa pergunta. Hajime olhou para longe de Shimizu e olhou para Aiko. Ao mesmo tempo, Aiko encarou Hajime mais uma vez. Dentro de seus olhos, raiva, tristeza, desconfiança e outros sentimentos surgiam e desapareciam, então eles surgiam e desapareciam mais uma vez.

(Hajime): “Ele era um inimigo no fim das contas”

A resposta de Hajime para a pergunta de Aiko foi realmente simples.

(Aiko): “Isso… !!! Shimizu-kun estava…”

(Hajime): “Repensando? Desculpe por ser desmancha-prazeres, eu não sou tão bondoso para acreditar nisso, além disso, meus olhos não estão mais ofuscados”

Quando ele fez a última pergunta, os olhos de Shimizu estavam o dizendo que ele tinha “caído”. Diante da morte, sua mente ainda se movia na tentativa de matar Aiko, Hajime pensou que Shimizu poderia mudar um pouco sua forma de viver porque, exatamente como quando Hajime quase se perdeu, havia a existência de Yue que foi capaz de segurar e apoia-lo, assim… ele questionou Shimizu com isso em mente. Se fosse assim, ele considerou em dar a Shimizu uma chance ao colocar um [Colar de Escravo] nele e deixar Aiko tomar a custódia dele. No entanto, mesmo diante da morte, os olhos de Shimizu não mostraram qualquer sinal de remorso.

Aiko também devia ter sentido isso. Contudo, Aiko era a “professora”, de modo algum ela poderia abandoná-lo. Ela simplesmente não poderia fazer isso.

(Aiko): “Então, ao invés de matar ele… se ele fosse mantido dentro do Palácio Real, e voltasse conosco para o Japão, possivelmente… havia a possibilidade…”

(Hajime): “… Mesmo que eu tente te dar um motivo, eu sei que a Sensei não irá concordar. Eu matei o importante estudante da Sensei. Está tudo bem para a Sensei decidir o que quiser fazer comigo”

(Aiko): “… tal coisa é…”

(Hajime): “’Uma forma de vida solitária’. Eu pensei em várias coisas por causa das palavras da Sensei. Entretanto, neste mundo onde a vida de uma pessoa é implacavelmente leve, eu pensei em não mostrar nenhuma misericórdia para meus inimigos… e eu não vou mudar isso. Eu não acho que quero mudar isso. Eu não tenho tempo para isso”

(Aiko): “Nagumo-kun…”

(Hajime): “Eu vou fazer o mesmo a partir de agora. Nos momentos que eu achar que isso é necessário… eu vou puxar o gatilho, não importa quantas vezes seja necessário. Se você acha que eu estou errado… a Sensei só tem que fazer o que quiser… porém, eu quero que você se lembre de uma coisa. Mesmo que seja a Sensei ou outro colega de classe… eu vou puxar o gatilho se você se tornar minha inimiga…”

Aiko olhou para baixo enquanto mordia seu lábio. Não foi ninguém menos do que Aiko que disse, “Escutando o que eu tenho a dizer, eu não vou ser contra, seja qual for a sua decisão”. Nenhuma palavra surgiria. Hajime olhou para Aiko nessa condição e se virou porque as coisas que precisavam ser feitas tinham terminado. Yue e Shia silenciosamente se aninharam perto dele. Acompanhado da ‖Pressão, Hajime olhou para Will, Aiko e os outros, e como também havia a questão do pós-tratamento, eles silenciosamente acompanharam Hajime em uma relutância dolorosa.

Os líderes da cidade e os ⌈Cavaleiros tinham a missão de deter Hajime e seus Artefatos, mas devido a ‖Pressão transbordante e se lembrando da monstruosa luta anterior, eles retiraram suas mãos de suas espadas.

(Aiko): “Nagumo-kun! A Sensei está… a Sensei está…”

Apesar de suas palavras não continuarem, ela chamou o nome de Hajime por causa de seu orgulho como uma “professora”. Hajime parou por um tempo e falou com Aiko sobre seu ombro.

(Hajime): “… o ideal da Sensei já é uma fantasia. Contudo, nós estamos felizes pela Sensei continuar como nossa professora mesmo que o mundo mude… se possível, por favor, não desista”

Em seguida, desta vez, ele não parou e saiu do círculo adjacente, pegou o [Veículo Mágico de Quatro Rodas] e escapou dali quando todos tinham subido.

Mais tarde, o que restou foi o clamor da cidade que estava contente por sua sobrevivência e o indescritivelmente penetrante clima.


[1] Um action-figure (“figura de ação”) é uma figura plástica de um personagem que pode mudar de posição, ou seja, pode mudar sua posição de ação. Elas são frequentemente de filmes, de videogames, ou de programas de televisão.

[2] Erochikku gēmu, popularmente chamado de eroge, é um gênero de jogos de computador que possuem algum conteúdo erótico, geralmente desenhado no estilo anime/mangá.

[3] O ensino fundamental II corresponde ao intervalo da 6ª até a 9ª série e corresponde ao junior high school do ensino americano.

[4] Ego, a partir da interpretação filosófica, significa o “eu de cada um”, ou seja, o que caracteriza a personalidade de cada indivíduo. O conceito de ego é bastante utilizado em estudos relacionados a psicanálise e filosofia. De acordo com a teoria psicanalítica, o ego faz parte da tríade do modelo psíquico, formado pelo ego, superego e Id.

[5] Síndrome do oitavo ano, ou chuunibyou, é um termo pejorativo para se referir a uma pessoa com comportamento delirante, especialmente pensando que tem poderes especiais. Originalmente esse termo era usado para referir-se a crianças que gostam de agir como adultos e menosprezar os demais. O termo evoluiu e é usado para descrever o comportamento delirante em geral.

[6] Barrel roll é uma acrobacia aérea em que uma aeronave faz um giro completo como se estivesse rolando sobre seu eixo longitudinal.

[7] Premonição é a sensação ou advertência antecipada do que vai acontecer, é sinônimo de pressentimento. É circunstância ou fato que deve ser tomado como aviso; presságio. A palavra é muito conhecida devido à literatura e aos filmes que a têm como tema principal, explorando a capacidade sobrenatural de se prever o futuro. O termo premonição ou sonhos premonitórios (sonhos de advertência ou aviso) é utilizado para designar a suposta ocorrência de avisos sobre acontecimentos futuros, frequentemente associados a fatos calamitosos em natureza.

[8] Fonte termal é a saída de água subterrânea aquecida (aquífero termal), seja pelo calor causado pelo gradiente geotérmico ou por processos de vulcanismo.