A ⌈Alta Cavaleira⌋ e o Diretor

Izumi retornou para o dormitório feminino. Quando a noite caiu, Rudel fugiu da enfermaria. Sua mão estava apertando uma espada. Notando seus movimentos, Luecke ficou curioso e decidiu o seguir. Então, Eunius o chamou.

(Eunius): “Só deixe ele em paz”

(Luecke): “Como se eu pudesse ignorar alguém com uma arma! E não sabemos o que ele vai fazer”

Eunius levantou de sua cama coçando sua cabeça enquanto Luecke o chamava para acompanha-lo. Aceitando isso, Luecke caminhou com Eunius logo atrás.

Os dois saíram para a varanda da enfermaria. Lá, Eunius apontou seu dedo para baixo… o som de uma espada oscilando no ar chegou a seus ouvidos mesmo eles estando no segundo andar, e Luecke podia ver a figura de Rudel em lágrimas enquanto ele usava sua espada. A triste forma de um jovem garoto coberto por bandagens, desesperadamente balançando sua lâmina.

(Eunius): “Ele está se saindo bem com o corpo todo surrado dele… ele está fazendo isso todos os dias por algum tempo já”

(Luecke): “Por que ele está chorando? Ele não transmitiu esse sentimento naquele dia. Falando sobre ataques especiais e relaxando lendo um livro sobre acariciar Dragões ou algo do tipo…”

(Eunius): “Como se eu soubesse! Mas, bem… não apenas as pessoas ao seu redor… odiado até mesmo por sua própria família, mas mesmo assim, ele sonha em ser um Dragoon. E então aconteceu este incidente. É natural que ele precise chorar”

Sem saber da presença desses dois, Rudel estava chorando por uma razão um pouco diferente. Do ponto de vista de Rudel, a responsabilidade do caso residia nele. Luecke, Eunius… e até mesmo Aleist foram arrastados de maneira irracional para a batalha, e isso era, sem qualquer dúvida, culpa dele.

Ele sabia que sua casa jamais iria reconhece-lo. Ele estava consciente que as avaliações sobre ele eram baixas.

Mas mesmo assim, se ele se esforçasse, ele seria reconhecido… ele acreditou que poderia se tornar um Dragoon. E ele ainda acreditava nisso.

O motivo para Rudel chorar: o simples fato de que havia pessoas que iriam agir para ajudá-lo. Todos em sua classe estavam a seu lado. Para Rudel, isso era algo que o preenchia com satisfação, mas, ao mesmo tempo, depois de expor seus colegas ao perigo, ele se sentiu envergonhado por não ser capaz nem ao menos de os proteger.

Rudel queria ficar mais forte e, por enquanto, ele só podia mover sua espada contra este ideal.


Na manhã do dia seguinte, os funcionários da academia estavam reunidos e uma reunião se iniciou. Este era um enorme problema e eles precisavam deixar claro quem era o responsável por expor a princesa ao perigo. Porém, o problema aqui era…

(Professor A): “Em pensar que a Casa Arses diria tal coisa…”

(Professor B): “Mesmo que eles nos digam para expulsar Rudel-sama, não importa como olhemos para isso, isto é…”

(Professor C: “O palácio está nos dizendo para nos apressar. Quem sabe, obedecer esta ordem seja o melhor…”

A Casa Arses exigiu que Rudel fosse expulso, dizendo que eles iriam assumir a responsabilidade por este incidente. Os rumores se espalharam ainda mais nos últimos dias. Rudel expôs a princesa ao perigo… o irmão mais novo, Chlust, a protegeu. Assim que esses rumores começaram a circular intencionalmente, eles já estavam além do alcance de qualquer um.

(???): “Então a Casa Arses escolheu Chlust-sama ao invés do irmão mais velho, Rudel-sama”

Assim que o diretor suspirou, o corpo docente fez caras confusas. Os irmãos eram cheios de problemas, mas enquanto Rudel sinceramente se concentrava no futuro focando em sua busca pelo seu sonho, Chlust era simplesmente uma criança problema. Ele reunia seus seguidores e caminhava pelo campus espalhando hostilidade contra os plebeus e os Demi-Humanos.

A resposta que a academia chegou foi adiar o assunto até que o alvo para ser responsabilizado desaparecesse… mas Rudel seria forçado a se transferir para o curso de dois anos e se graduaria. Assim, o título de Cavaleiro estaria garantido para ele, deixando a possibilidade de ele se tornar um Dragoon.

Obedecendo a exigência da Casa Arses, esta era a melhor ação que a academia poderia tomar para proteger o garoto.

(Professor D): “E sobre a investigação?”

(Professor E): “Eu ouvi que está sobre jurisdição real”

(Professor F): “Mesmo assim, é bem irônico… os desertores estão salvos e aqueles que se mantiveram firmes estão enfrentando o julgamento”

Dentro desta sala de conferência sombria, o diretor olhou para os documentos enquanto falava.

(Diretor): “Proteger a coroa é um dever nobre, huh… para a Casa Arses descartar um sucessor tão esplêndido…”

Um professor que sentiu o perigo nas palavras do diretor começou a falar para corta-lo.

(Professor G): “Mas é isto! Desta forma, Rudel-sama poderá perseguir seu caminho de Dragoon sem qualquer restrição”

Com essas palavras, vários professores concordaram, tornando a conversa mais positiva do que qualquer reunião que tiveram antes.

(Professor H): “Com certeza!”

(Professor I): “Se ele virar um Cavaleiro, ele obterá as qualificações para se tornar um Dragoon

(Professor J): “Se ele puder virar um, será o melhor”

Enquanto essa conversa de elogios vazios seguia, o diretor pensou sobre o futuro. Como ele poderia proteger Rudel…


Sua saúde se recuperou e seu nível de fofura foi totalmente preenchido. A segunda princesa Fina olhou para horror nos documentos que a Alta Cavaleira trouxe para seu quarto.

(Fina): “Qual o significado disto?”

[Fina]: (“O que é isto? Estão dizendo que Chlust me protegeu daquele maldito Pássaro e o mestre fugiu em pânico me expondo ao perigo!?!?  De jeito nenhum!! Além disso… onde está a MINHA opinião sobre o caso? Em primeiro lugar, Chlust me protegeu de um simples Coelho Assassinoe quando o Pássaro apareceu, ninguém conseguiu encontrar ele!”)

A Cavaleira que trouxe o relatório tinha seu longo cabelo roxo arrumado. Uma beldade mais velha com óculos que a davam uma impressão fria. Ela tinha uma personalidade difícil e Fina a classificou como uma pessoa terrível para se interagir. Ela não entendia o significado da palavra flexibilidade.

(Cavaleira): “Eles estão prestes a decidir que Rudel-dono[1] irá se responsabilizar por este assunto. A academia está deixando o assunto sem solução, permitindo que ele se gradue, mas eu sou contra isto. Tal homem não merece se tornar um Cavaleiro

A partir daí a Alta Cavaleira continuou a citar linhas do relatório para dizer que a punição de Rudel era muito leve.

Só por ele ser o próximo a adquirir o título de Arquiduque Arses, eles não fizeram nada além de se livrar dele! Ela reclamou, mas Fina…

[Fina]: (“Isto é mal! Mestre ainda não me passou sua técnica! Se ele se graduar, será um golpe profundo na minha vida de fofuras… mas por que a casa do mestre odeia tanto ele assim?”)

Olhando para a Alta Cavaleira que continuava a oferecer algumas opiniões duras sobre Rudel, Fina pensou.

[Fina]: (“Eu deveria fazer ela investigar isso? Enquanto isso, eu irei escrever uma carta para o pai e a mãe. No meio tempo, vou me sentar com Mii e fazer todos os tipos de… não posso! Se eu fracassar aqui, então, o mestre que é meu tesouro nacional será apagado pela Casa Arses”)

Em essência, Rudel iriar assumir o papel de um Cavaleiro ativo após sua graduação, mas pelas ordens de sua casa, ele seria destacado para uma zona de alto nível de perigo.

(Fina): “… Sophina. Este relatório está errado”

A princesa sem expressões entrou em pânico enquanto ela tentava persuadir a Alta Cavaleira Sophina.

(Sophina): “Está errado… mas este é um documento oficial. Isso não pode estar…”

[Fina]: (“E é por isso que você deixou seus anos escaparem por seus dedos! Sua forma de pensar é muito rígida em qualquer e todas as coisas! Não há nenhuma mentira escrita, mas você não acha que o que está escrito não causa um mal-entendido? Eu não consigo lidar com ela! Eu quero fazer isso e aquilo com Mii agora”)

Pensando em algumas coisas consideravelmente rudes, Fina falou.

(Fina): “Rudel-sama arriscou sua vida para me proteger. Proteger a coroa é um dever nobre… ele disse isso enquanto ficava diante de um grande perigo. Não é justo ele ser julgado por essas ações”

(Sophina): “Mas bem aqui está dizendo…”

Assim que a voz de Sophina aumentou, sem qualquer expressão, Fina acrescentou.

(Fina): “Então tome uma decisão com seus próprios olhos. A verdade não está contida em um papel e eu acredito que eu fui salva por Rudel-sama”

[Fina]: (“Um olhar para a técnica do mestre irá mudar sua vida! Deixando isso de lado, se ela investigar por conta própria, ela definitivamente notará algo estranho! Agora vá provar a inocência do mestre!!”)

(Sophina): “Se você insiste… mas se meus olhos me disserem que não há enganos, então eu devo o punir tão severamente quanto o palácio decidir”

Vendo o entusiasmo de Sophina, Fina pensou em mais uma coisa rude.

[Fina]: (“É porque você fica fazendo essas caras assustadoras que os homens fogem de você… você já está em uma boa idade, então vá se casar de uma vez. Sempre trabalhando… não tem jeito de você conhecer ninguém… se você pelo menos tivesse orelhas de gato, eu iria te adotar! Eu iria te manter sempre a meu lado! Uma beldade com orelhas de gato e personalidade difícil… é claro que seria um sim!!!”)


Alheio aos movimentos ao seu redor, hoje, mais uma vez, Rudel e os outros dois estavam se dando bem em suas camas na enfermaria. E a conversa se focou no livro que Rudel estava lendo, “Como acariciar um Dragão”.

(Luecke): “Por que tem a utilização de uma teoria de magia de alto nível!? Por que tem uma teoria que envergonharia os livros técnicos neste livro sobre fazer carinho em um Dragão!?”

Detalhando a teoria mágica de forma tão complexa que até surpreenderam o especialista em magias, Luecke. “Como acariciar um Dragão”. Teorias e fórmulas que superavam até o conhecimento atual e foram desenvolvidas para nada mais do que afagar um Dragão.

(Eunius): “Ou! Ele até acaba tudo isso dizendo: ‘Mas a parte mais importante é o amor!’, isso não é estranho!? Aplicar técnicas que são essencialmente artes marcias para fazer carinho e no fim tudo se resume a amor!!!”

Eunius gritou. Escrito no livro, estava um método de acariciar com foco em aplicações da anatomia[2] e nas artes marciais… depois de apontar os detalhes mais importantes, tudo acabou com o amor. “Como acariciar um Dragão”.

(Rudel): “Viram? Isso não é incrível!? O autor deste livro foi um Dragoon que viveu centenas de anos atrás… se eu pudesse ter conhecido ele…”

 Ignorando o choque deles, Rudel pensou sobre seu senpai[3] separado por uma distância de centenas de anos.


[1] Tono (殿), pronunciado Dono quando anexado a um nome, significa “lorde” ou “mestre”.

[2] Anatomia é ramo da medicina que estuda a forma e a estrutura dos diferentes elementos constituintes do corpo.

[3] Senpai é uma forma de se referir a alguém mais velho e mais experiente.