O veterano e o garoto

Esses foram os eventos do fim do segundo termo, onde a escola entrou em sua pausa estendida. Rudel normalmente voltaria para casa, mas desta vez ele seguiu as ordens de Basyle, informando sua casa e continuando na academia. Embora uma carta de queixa veio de sua irmã mais nova Lena…

(Izumi): “E então? O que nós deveríamos fazer?”

Izumi, que também não voltava para sua casa todas os anos, disse a Basyle que iria participar, formando um grupo de três. Na cafeteria da academia, Basyle respondeu a questão dela como se fosse algo natural.

(Basyle): “Eu vou fazer você experimentar uma experiência de combate real. Nada desse passeio na floresta que a academia oferece. Nós vamos ir para um lugar com alto nível de perigo”

Dizendo isso, ela abriu um mapa em cima da mesa da cafeteria. Marcado nele, estava um lugar nem tão perto nem tão longe de sua localização atual. O nome era |Montanha Aberless|, uma montanha não muito alta.

(Basyle): “Nesta montanha, monstros aparecem todos os anos e causam várias casualidades nas vilas desta área. Este ano, o número de mortes foi especialmente alto e parece que a situação deles está bem ruim”

(Izumi): “Espere aí. Então quer dizer… que você está colocando eu e Rudel para trabalhar? Que parte dessa história é um treinamento!?”

Izumi interrogou Basyle. Ela tinha de fato aceitado um trabalho e planejava ganhar algum dinheiro. Mas sem deixar essas emoções aparecerem em seu rosto…

(Basyle): “Experiência real de combate ultrapassa esses pequenos detalhes. E como a neve se acumula na área, o terreno é péssimo. As lutas serão perigosas… mas isso irá te impedir, Rudel-sama?”

Para a pergunta de Basyle…

(Rudel): “Não, isso é exatamente o que eu quero. Se eu não for tão longe, eu vou me sentir desconfortável enfrentando Aleist, Luecke e Eunius”

(Basyle): “O período de treino é de duas semanas. Durante esse período, você vai lutar contra monstros que atacarão a vila e vai protege-la dos danos”

Ouvindo essa explicação, Rudel e Izumi… Izumi sentiu como se eles estivessem aceitando um emprego. Ela se sentiu furiosa com o conteúdo da missão, mas decidiu continuar já que Rudel aceitou. Não tinha como mudar isso…

(Basyle): “… e por fim…”

(Rudel): “Hmm?”

(Basyle): “Vocês podem chamar mais uma pessoa? Isso vai aumentar a eficiência”

Izumi estava ainda mais convencida que isto era um trabalho sob o pretexto de ser um treinamento. E para a conveniência de Basyle, um dos estudantes que ficaram na academia teve que se tornar um sacrifício… Vargas.

Como ele não voltou para sua cidade natal este ano e estava planejando passar seu tempo na academia, Vargas foi apreendido por Rudel. No início ele estava relutante, mas assim que ele descobriu que Basyle estava indo também, ele subitamente ficou interessado. Já um aluno do quarto ano, não havia objeções sobre as capacidades de luta de Vargas. E com a participação dele, Basyle também ficou encantada.


(Vargas): “Oy! Oy, Rudel!”

Entrando em uma vila quase enterrada pela neve, os quatro cuidaram da vigilância e subjugação. Mas não era como se eles estivessem lutando sempre contra monstros. Quando eles tinham tempo, eles tiravam a neve acumulada para não serem enterrados.

(Rudel): “O que é Vargas?”

Vestindo um casaco grosso sobre seu equipamento, Rudel parou de tirar a neve e virou seu rosto para Vargas.

(Vargas): “Isso não é estranho? É estranho, certo! Nós supostamente deveríamos estar protegendo esta vila, mesmo assim, nós estamos aqui protegendo as pessoas que foram para a montanha escavando a neve… isso é definitivamente estranho!”

Vargas tremeu e suas mãos pararam assim que ele falou com Rudel. Do ponto de vista de Rudel, isto não era um trabalho, mas um pedido genuíno que Basyle estava atendendo. Enquanto eles faziam esses bicos na vila conectada a montanha, eles estavam realizando um trabalho honesto.

(Rudel): “Você acha? Isso faz você treinar suas pernas e as histórias que os mais velhos contam são interessantes. E há o pouco movimento e viver ao lado da montanha…”

(Vargas): “O que é que está te deixando tão animado!? Nada disso, eu estou te perguntando se fazer este tipo de coisa vai te fazer mais forte ou não! Eu estou bem, mas você não pode perder, não é?”

Com as palavras de Vargas, Rudel começou a rir.

(Vargas): “Do q-que você está rindo?”

(Rudel): “Desculpe, desculpe… eu só estava muito feliz, não pude fazer nada. E eu acho que estou a ponto de conquistar algo, então estou bem…”

Assim, com um sorriso, Rudel voltou a tirar a neve. Rudel pensou que havia um significado mais profundo no motivo para Basyle escolher este lugar. Era verdade que Basyle queria que ele experimentasse um combate real… mas havia algo a mais nesta situação.

Rudel simplesmente buscou o significado por trás disso. Exatamente como as pessoas que acreditam que se pode aprender algo em qualquer tipo de situação, Rudel aprendeu muito com as pessoas que viviam no sopé[1] da montanha. E até de seus inimigos monstros… ele descobriu o fato de que eles estavam vivos.

(Rudel): “Não enfrente um grupo muito grande, você precisa usar os movimentos deles contra eles. Concentre seu poder em um ponto. O centro do seu corpo deve sempre…”

Assim que Rudel começou a murmurar para si mesmo, Vargas tentou perguntar.

(Vargas): “O que é isso?”

(Rudel): “As pessoas da vila estavam falando sobre isso. Tenho certeza de que são os fundamentos para algo”

Para simplificar, não era nenhum tipo de fundamento ou algo do tipo. Em suas rotinas diárias, as palavras que os aldeões falavam tinham relação com a forma para mover objetos pesados. Rudel só imaginou um significado mais profundo nisso. A partir daí Rudel usou o conhecimento que já possuía e pensou. Ele pensou e pensou… e finalmente entendeu.

Era o último dia do período de duas semanas. Um enorme número de monstros em forma de macaco apareceu na periferia da vila. Envoltos em pelos brancos, eles eram carnívoros ferozes que podiam se mover rapidamente pela neve.

O tamanho deles era próximo a de um humano, mas no terreno cheio de neve, as pernas humanas não podiam se comparar a deles… foi neste momento que esses monstros apareceram.

Rudel saiu sozinho. Como se ele não pudesse escutar os gritos de Basyle e Izumi para parar. Quando Vargas se apressou para traze-lo de volta… um dos macacos veio até Rudel.

Vargas amaldiçoou sua falta de sorte por Izumi e Basyle estarem muito longe.

Mas Rudel balançou a espada que tinha em uma das mãos… dividindo o monstro em dois.

(Vargas): “Eh? Eeeeeeeh!?!?”

Ao testemunhar esta cena, Vargas não conseguiu ficar em silêncio. Apenas duas semanas! Alguém pode ficar mesmo tão forte por apenas proteger uma vila? Não! Não pode!!! Mas mesmo assim, Rudel conseguiu resultados.

Surpresos pela força dele, os outros monstros atacaram para vingar seu companheiro. Enquanto dois deles vieram ao mesmo tempo, Rudel não saiu do lugar. ‖Magia do Fogo‖ na mão esquerda e a espada na mão direita… assim que os dois lançaram seus ataques, ele mandou uma pequena bola de fogo mágica em um deles.

Devido a seu tamanho minúsculo, o monstro atacou sem medo, mas assim que ele colidiu com a bola, uma explosão aconteceu.

Lançado para trás, ele se tornou um pedaço de carvão aceso… enquanto isso, o outro monstro foi dilacerado assim que entrou no alcance da espada de Rudel.

Foi uma cena anormal. Tão anormal que Vargas não sabia o que dizer. A pequena bola de fogo era na verdade magia comprimida ao seu limite máximo, e por canalizar magia em sua espada, ele criou uma onda de choque que atingiu os monstros mais atrás. Para ser honesto, foi uma loucura.

(Rudel): “Ainda são muito movimentos desnecessários. Eu preciso dar um jeito de me aproximar do nível de Aleist antes do torneio. Não, eu preciso supera-lo…”

Enquanto Rudel guardava sua espada… Vargas pensou. Ele olhou para Rudel, que falhou em passar um ar de alguém que acabou de lutar contra monstros perigosos, calmamente de pé sobre a neve

(Vargas): “Você já superou ele!”

Vargas gritou sem perceber. A força dele ultrapassaria um veterano, e Vargas pensou que ele poderia facilmente entrar no topo do ranking mais alto da academia. Rudel definitivamente se tornou mais forte do que ele… mas Rudel…

(Rudel): “Não. Eu ainda tenho muito o que aprender. Eu ainda quero ficar forte. Não apenas em força e técnica, eu quero ficar forte em meu coração”

(Vargas): “Você já está muito forte! Do jeito que está, você pode se tornar um Dragoon, estou te dizendo!”

Timidamente fugindo das palavras de Vargas, Rudel respondeu.

(Rudel): “Tenho certeza que no momento que eu estiver satisfeito será o fim… continuar olhando para cima é o certo para mim. E este mundo é vasto e cheio de pessoas mais fortes do que eu. Se eu não continuar buscando meu limite, eu vou ser deixado para trás rapidamente”

De repente, Vargas sentiu como se essas palavras fossem dirigidas para ele. Como se elas estivessem respondendo seus pensamentos de agora, de que ele não seria páreo para Rudel.

(Vargas): “Não tenho chances contra você… sempre olhando para frente, nunca desistindo. Eu estou com inveja”

Assim que ele disse essas coisas, o rosto de Vargas se encheu de tristeza.

(Rudel): “Vargas, você tem um sonho? Um objetivo?”

(Vargas): “Me-meu sonho? Bem, eu quero aliviar a carga de minha família e me tornar um irmão mais velho que meus irmãos e irmãs possam sentir orgulho… mas eu não tenho nenhum sonho esplêndido como o seu”

Se aproximando de Vargas, Rudel agarrou seus ombros com ambas as mãos.

(Rudel): “Esse é um sonho esplêndido! Há algum tempo, eu fiz piada do sonho do meu irmão. Eu me arrependi disso durante minha internação e estou pensando em pedir desculpas. Nunca é um erro trabalhar duro pelo seu sonho. E… se eles te vissem agora, estou certo de que seus irmãozinhos se orgulhariam do irmão que têm!”

Rudel sabia que Vargas estava dando seu melhor. Acordando cedo todas as manhãs para treinar. Eles viam um ao outro todos os dias. Assim que Rudel disse isso com um rosto sério, foi Vargas quem ficou com vergonha. Ele estava feliz, mas na vila, os aldeões olhavam para eles com sorrisos calorosos.

(Vargas): “O-obrigado. Isto é meio constrangedor… mais importante, nós devemos limpar essa bagunça”

Dizendo isso, Vargas apontou para os corpos dos monstros. Encerrando a conversa, eles voltaram para a limpeza, mas Vargas continuou tímido e um pouco feliz.


Da vila, Basyle olhou para essa dupla emocionante, Rudel e Vargas.

(Izumi): “Você não vai ajudar eles?”

Para a pergunta de Izumi, Basyle encolheu os ombros. Suas roupas leves de sempre seriam muito pouco aqui, então agora ela estava vestindo um casaco grosso, mas as curvas de seu corpo ainda estavam vagamente evidentes.

(Basyle): “Eu me sentiria mal se fosse agora. Vamos mostrar um pouco de tato”

(Izumi): “Quando você quer ser negligente… mesmo assim, quando foi que Rudel aprendeu aquela técnica?”

A esgrima e magia que Rudel demonstrou… só entender que elas estavam em um nível completamente diferente de antes custou um tempo de reflexão para as duas. Mas Basyle…

(Basyle): “Bom, com isto parece que eu não vou precisar arrumar um novo empregador, então eu não tenho nenhuma queixa. Eu nunca imaginei que ele iria crescer tanto assim”

Basyle sorriu enquanto olhava para Rudel e Vargas. Izumi não conseguiu entender Basyle. Por que ela estava fazendo isso? Em primeiro lugar, Rudel já não poderia mais ser um arquiduque. De seu ponto de vista, ele deveria ter perdido seu valor. Quando os pensamentos de Izumi começaram a aparecer em seu rosto, Basyle…

(Basyle): “Rudel-sama com certeza é interessante… estou certa de que não vou me cansar dele tão cedo”

… deu uma resposta vaga enquanto voltava para a estalagem da vila… “então ela fugiu mesmo”. Izumi concluiu.


[1] Sopé é a base de uma montanha, sua parte inferior.