Superando Marty (Parte 1)

Esta é a história de quando Rudel e os outros estavam hospitalizados depois do fim do torneio. Naquele quarto de enfermaria onde os filhos mais velhos dos Três Lordes sentiam dor só por se mover, Rudel, Luecke e Eunius estavam conversando como sempre.

(Luecke): “Rudel, por que você subestimou Aleist daquela vez? Se ele ficar de pé por conta própria, não sei se você poderá vencer ele da próxima vez… você não acha que seria melhor deixar ele superestimando o talento dele?”

Luecke estava falando sobre a desagradável covardia de Aleist, quando Rudel impediu o árbitro de declarar a vitória. Se ele não tivesse feito isso, Aleist provavelmente iria estar arruinado. Era isso o que Luecke estava tentando dizer, mas a resposta de Rudel foi diferente.

(Rudel): “Naquele momento… eu realmente não estava pensando no que estava fazendo, então eu não consigo te responder totalmente… mas pensando sobre isso, eu acho que eu queria que Aleist se levantasse por conta própria. Quer dizer…”


O Aleist em questão, tendo sofrido apenas ferimentos leves de Rudel, teve alta da enfermaria naquele dia. Mas no dia que ele recebeu alta, ele não conseguiu reunir coragem para entrar no quarto dos Três Lordes. Ele queria se desculpar… mas pelo quê? E enquanto ele pensava sobre isso, ele descobriu que já tinha recebido alta.

(Aleist): “Ah. São nessas horas que eu odeio minha falta de determinação… mas se for só para dizer olá… não, mas…”

Assim, Aleist ficou parado na frente do quarto dos Três Lordes, recebendo os olhares dos guardas. O medo que ele sentia dos guardas era outra razão para ele não conseguir entrar no quarto.

Então, Izumi veio fazer sua visita. Em sua mão havia uma cesta de frutas, e ela ofereceu um rápido cumprimento para os guardas. Os guardas abriram caminho para ela… nesse ponto, o rosto dela já era permissão mais do que suficiente.

E naturalmente, Izumi notou Aleist.

(Izumi): “Hardie? O que você está fazendo na frente deste quarto?”

(Aleist): “Um. N-não! Isto é, bem…”

[Aleist]: (“Esta deve ser a primeira vez que eu tenho uma conversa apropriada com uma das personagens que tem eventos de romance. Mas no momento, ela é a namorada de Rudel, então… é isso! Eu vou pedir a Izumi”)

Aleist se aproximou de Izumi e abaixou sua cabeça.

(Aleist): “Eu quero entrar no quarto, por favor, posso acompanhar você?”

(Izumi): “… eu não me importo, mas você poderia ter feito isso sozinho, não é?”

Dizendo isso, Izumi olhou para os guardas para confirmar isso. Recebendo esse olhar, os guardas concordaram acenando com a cabeça. Receber visitas de seus colegas não era proibido. Quanto a Aleist, a identidade dele já era conhecida, então ele não tinha razão para se preocupar.

(Aleist): “Obrigado!”

Dizendo isso, Aleist se aproximou da porta apenas para escutar a conversa de Rudel. Ele parou sua mão que estava indo abrir a porta, enquanto Izumi e os guardas olhavam para ele se perguntando o que estava acontecendo.

De dentro do quarto…

(Rudel): “Naquele momento… eu realmente não estava pensando no que estava fazendo, então eu não consigo te responder totalmente… mas pensando sobre isso, eu acho que eu queria que Aleist se levantasse por conta própria. Quer dizer… ele tem tanto talento, isso não seria um desperdício? E eu quero lutar com Aleist com força total”

(Eunius): “É a sua cara. Então eu também quero lutar com Aleist quando ele estiver forte”

(Luecke): “Et tu Eunius[1]? Aleist é um monte de músculo e um dos favoritos do público… se for no campo da magia, talvez eu não me incomode em enfrenta-lo”

Essas palavras trouxeram lágrimas aos olhos de Aleist. Ele menosprezou Rudel. Ele não pensou em nada além da forma como poderia usá-lo. Mesmo assim… ele sentiu quão grande a existência do personagem chamado Rudel era. Ao mesmo tempo, Aleist percebeu o quão pequeno ele era…

Izumi e os guardas ouviram as palavras do quarto e eles puderam ver a expressão de Aleist. Izumi o chamou.

(Izumi): “Você lutaria de novo com Rudel? Da próxima vez, tenho certeza que você ficará satisfeito com o resultado também… e obrigado. Você veio visita-lo porque estava preocupado com ele, não é?”

Em resposta as palavras de Izumi, Aleist enxugou suas lágrimas e se virou sem entrar no quarto. Para os olhares cheio de dúvidas que se dirigiram a ele, ele deixou suas lágrimas escorrerem enquanto ele falava com uma voz trêmula.

(Aleist): “No momento, estou envergonhado demais… assim que eu ficar mais forte, assim que eu não sentir vergonha de mim mesmo… eu irei voltar”

Izumi sabia o que ele queria dizer, mas hesitou se deveria dizer ou não isso. E enquanto ela observava Aleist correndo, ela pensou.

[Izumi]: (“Eles não vão ficar hospitalizados por tanto tempo, sabia?”)

… quem sabe Izumi já estivesse acostumada com esse tipo de comportamento graças a Rudel.


Dispensado com segurança, Rudel acompanhou suas aulas restantes do segundo ano. Foi por volta deste tempo. Ele recebeu uma carta da princesa Fina dizendo que ela queria agradece-lo, mas o conteúdo era estranho.

“Eu quero te agradecer, então venha ao meu quarto no dormitório das garotas. De noite. Sozinho…”, a carta explicava isso sem rodeios. Se um homem comum recebesse uma carta dessas da princesa, então ele com certeza ficaria animado. Mas este era Rudel.

(Rudel): “O dormitório das garotas não permite homens, não é? Além disso, de noite… vai ficar tudo bem com o toque de recolher?”

Com alguns problemas aqui e ali, ele tentou entender a situação e agir. Esse era Rudel. Do ponto de vista pessoal, não responder ao chamado da princesa seria um problema. Então ele agiu de acordo… mas ao mesmo tempo, se ele tivesse se consultado com alguém… correto, se ele apenas tivesse consultado Izumi, então muitos sacrifícios teriam sido evitados.


Na noite daquele dia, Rudel foi até o dormitório das garotas diretamente. Ele explicou as circunstâncias para as Cavaleiras de guarda diante dos portões, e foi guiado até o quarto da princesa. Havia um motivo para que a segurança fosse tão relaxada. Não era porque Rudel era um filho dos Três Lordes, nem porque era uma ordem da princesa.

A princesa tinha suas próprias Altas Cavaleiras. As guardas do dormitório não eram de confiança… em uma situação onde não faria sentido pensar sobre isso, expulsar o convidado da princesa parecia idiotice. Apenas empurre o problema para essas Altas Cavaleiras! Foi essa a ação que as guardas tomaram.

Rudel seguiu até o quarto da princesa. Havia duas Altas Cavaleiras na frente da porta, e uma estava lá dentro. A que estava dentro do quarto era Sophina, quem ele encontrou antes. E também, ele podia ver Mii se escondendo atrás da princesa.

(Fina): “Bem-vindo. É um prazer que você tenha vindo mes… Rudel-sama”

[Fina]: (“Você não vai escapar mestre”)

(Rudel): “??? Sim, nesta ocasião auspiciosa eu… (sou só eu ou a princesa é meio assustadora? Ela está escondendo alguma coisa?)”

Talvez as roupas casuais que a princesa Fina estava usando para facilitar seus movimentos, a deram uma impressão diferente das mulheres que ele via ao redor da academia. Mas seria difícil dizer que isso fez seu coração de homem bater mais forte. Ao contrário, Rudel achou os trajes da princesa suspeitos.

[Rudel]: (“Para que essas roupas tão folgadas e fáceis de se mover… ela precisa estar preparada para correr a qualquer momento? O que mais há para fazer além de dormir ou ler um livro a noite?“)

Inconsciente dos pensamentos de Rudel, Fina…

(Fina): “A verdade é… eu estou apaixonada por você desde o momento em que você me salvou. Por favor, saia comigo!”

(Rudel): “Eu recuso!”

Rudel deu uma resposta imediata. Sophina e Mii, que por acaso estavam presentes, encararam sem entender essa interação entre Rudel e Fina. Se confessar na frente de tantas pessoas, Fina era uma coisa, mas também havia o problema de Rudel recusar instantaneamente a confissão de uma integrante da realeza.

(Fina): “En-então é isso… portanto…”

[Fina]: (“Eu pensei que ele fosse ao menos me dar um motivo, mas para ele me rejeitar assim… como esperado do mestre. Se não fosse eu, ele poderia ser acusado de traição. Minha irmã com certeza tentaria matar ele, então eu prefiro que ele seja mais cauteloso. Humanos são seres que ficam relutantes em rejeitar um segundo e pequeno pedido. E aqui vai o assunto principal!”)

(Fina): “Por favor, me faça sua aprendiz…”

(Rudel): “Eu me recuso também”

(Fina): “…”

(Mii): “…”

(Sophina): “…”

O quarto da princesa foi preenchido pelo silêncio. Fina amaldiçoou o tutor real que a ensinou habilidades de negociação. Mii estava surpresa por ver um nobre que recusasse o pedido da princesa, enquanto Sophina estava especulando se devia reprimir a princesa ou Rudel.

(Fina): “Po-posso perguntar sobre seus motivos?”

[Fina]: (“Qualquer razão estúpida e eu vou te mandar para a forca! Mesmo que tenha sido deste jeito, foi a minha primeira confissão na vida! Quando você me rejeitou como… Deus, eu acho que vou chorar. Além disso, recusando me fazer sua aprendiz… meus sonhos com o fofuraíso!!!”)

(Rudel): “Meus motivos… primeiro, eu já tenho duas noivas. Se eu deixar ambas de lado para sair com a princesa, eu nunca poderei me perdoar. E o noivado da princesa é algo decidido pela alta cúpula do país, então não há nada que eu possa dizer sobre isso. Quanto a outra razão, eu ainda sou muito imaturo e ainda é muito cedo para aceitar uma aprendiz”

A respeito do noivado, o próprio Rudel ainda não sabia o que fazer para resolver essa confusão. Mas mesmo assim, ele não queria agir de maneira precipitada… além disso, do ponto de vista de Rudel, ambas as noivas eram Dragoons que ele reverenciava. Ele nunca poderia trair elas.

(Fina): “Então é por isso…”

[Fina]: (“Esses são motivos surpreendentemente decentes! Eu achei que ele fosse falar algo mais ridículo… que impertinente, quando você deveria ser o meu mestre!”)

Olhando para os dois, Sophina suspirou. E se aproximando de Rudel, ela o repreendeu.

(Sophina): “Rudel-dono, suas ações são uma grande descortesia com uma integrante da realeza.  Eu peço para que você responda com um pouco mais de tato”

(Rudel): “Minhas desculpas (apesar de ela ser chamada de Princesa Boneca, eu tenho a sensação de que a princesa é ridiculamente abundante quando se trata de emoções… será que é só a minha imaginação?)”

Enquanto Sophina repreendia Rudel, Fina assumiu uma posição fetal em sua cama em desgraça. Mii se aproximou dela com preocupação. Para anima-la, ela acariciou sua cabeça, mas…

(Fina): “…”

[Fina]: (“Hrrrngg. Mii, você vai me matar com a fofura!!! Tudo que eu queria era levar essa gatinha para o céu… espere. Mestre disse que ainda é imaturo… o que significa que há algo que supera o que ele me mostrou antes!? Eu devo confirmar isto!!!”)

(Fina): “Rudel-sama, você ainda é imaturo? Eu estou certa de que você já ostenta uma considerável habilidade”

Para confirmar isso, Fina interrompeu a reprimenda de Rudel. E para essa pergunta, Rudel…

(Rudel): “Yeah. Há alguém que eu estou tentando alcançar, mas mesmo agora, eu ainda estou longe dos pés dele…”

(Fina): “Quem é essa pessoa?”

[Fina]: (“Há uma existência que supera até mesmo meu mestre!? Quem poderia ser!?!?”)

(Rudel): “O autor de ‘Como acariciar um Dragão’, Marty Wolfgang. Um Dragoon de mais de cem anos atrás, ele não está mais por aqui. No fim, ele foi um grande homem que nunca recebeu o reconhecimento que merecia!”

Rudel respondeu cheio de confiança. Para Fina, além do livro, o fato do indivíduo já estar morto era o problema.

(Fina): “Entendo. Isso é uma infelicidade”

[Fina]: (“U-um Dragoon de mais de cem anos atrás… por que vocês nunca reconheceram ele, maldita burguesia! Se fosse por mim, ele teria sido considerado um herói de |Courtois|! Eu teria feito um país de fofuras!!! Huh? Espere, os Dragões ao menos são fofos? Bom, tanto faz”)

(Fina): “Rudel-sama… você não aceitaria minha ajuda para melhorar suas habilidades?”

E assim, as cortinas se ergueram para o incidente no dormitório das garotas.


[1] Referência a famosa frase “Et tu Brutus” da tragédia “Júlio César”, de William Shakespeare, que retrata a conspiração contra o ditador romano Júlio César, seu assassinato e suas consequências.