O jovem homem, o ferreiro e a Sombra

Chegando na cidade próxima da fronteira, o grupo de Rudel se encontrou com seu cliente, um mercador. Já era de noite quando eles chegaram e como seria perigoso se aventurar nesse horário, a subjugação foi adiada para o dia seguinte. Vargas e Eunius partiram para a cidade pela noite, em parte para se preparar para o amanhã, enquanto Luecke passou seu tempo com um livro na estalagem.

Basyle saiu dizendo que precisava cuidar de algumas coisas… algo estava errado com o cliente, então ela saiu para perguntar na cidade sobre o homem.

E Rudel decidiu procurar por um ferreiro na cidade da fronteira. Vargas já tinha o seu próprio equipamento e Eunius possuía sua própria Claymore[1] feita sob medida. Até a espada para autoproteção de Luecke era um pedido especial. Mas a espada de Rudel era apenas uma espada barata.

Talvez, por ele só usa-la em treinamentos, a arma que ele recebeu em sua mansão era uma de segunda linha feita para soldados. Ele a usava com habilidade, mas ultimamente, a qualidade dela estava piorando, e ela começou a lascar. Ele estava prestando atenção nisso… mas se ele estivesse em uma situação de vida ou morte, ele tinha muitas dúvidas.

(Rudel): “A loja ainda está aberta… de acordo com a estalajadeira, deveria ser em algum lugar por aqui…”

Rudel caminhou sozinho por uma cidade desconhecida. Confiando na memória da estalajadeira, depois de um tempo caminhando, ele viu um certo número de lojas de armas. Dispostas na frente das lojas estavam armas robustas e bem ornamentadas… uma grande variedade. Depois de olhar ao redor das armas em exibição, ele entrou em uma loja para ver o estoque.

(Vendedor): “Esta é a melhor para crianças”

(Rudel): “Uma Rapieira[2]? Eu prefiro algo mais durável…”

(Vendedor): “Do que você está falando garoto nobre!? As nossas armas não são as mais legais!?”

(Rudel): “Yeah. Elas parecem legais (esses ornamentos desnecessários parecem pesados)”

(Vendedor): “Se você comprar duas, eu vou te dar esta faca como presente”

(Rudel): “Eu não preciso de duas”

A maioria das lojas ou o tratou como criança ou tentou empurrar algo caro para ele devido a seu status nobre. Mesmo que houvesse algumas poucas peças interessantes entre elas, nenhuma parecia adequada para Rudel e ele decidiu desistir.

Foi nesse momento que ele viu uma lona esticada na rua. Um único homem estava sentado de pernas cruzadas nela. Em cima da lona estava uma única Katana. Rudel aprendeu isso com Izumi, então ele encarou isso como um achado raro. Ele pensava nelas como um sabre oriental, mas de acordo com Izumi, elas eram usadas de forma diferente.

(Rudel): “Que incomum… mas por que só tem uma?”

Parado diante do homem, Rudel olhou para a lâmina. Correto. Katanas raramente circulavam em |Courtois|. Mesmo assim, o homem vendendo tal item valioso vestia roupas surradas. Sua barba e cabelo eram uma bagunça terrível. Ele parecia estar em péssimo estado.

(Vendedor): “É a última peça que eu fui capaz de fazer com meu companheiro. Nesse momento, eu já nem tenho uma ferraria para produzir outra…”

O homem explicou com palavras desconfortáveis. Enquanto Rudel sabia que ele não poderia usar ela, talvez Izumi ficasse feliz por receber isso, então ele pegou o exato valor que estava na etiqueta.

O homem olhou para Rudel em surpresa, com uma dúvida crescente enquanto ele recebia o dinheiro. De forma alguma ele recebeu o valor errado. Assim, ele ficou intrigado com Rudel que calmamente pegava a espada.

(Vendedor): “Você pretende usar esta Katana? Como o vendedor, pode ser grosseiro para eu dizer, mas se você não souber como usa-la e como mantê-la, ela não passará de um simples pedaço de metal”

Pegando a Katana, Rudel cuidadosamente a segurou enquanto respondia.

(Rudel): “Eu tenho uma amiga do oriente, isto é um presente. Não vou ser eu quem vai usar, então você não precisa se preocupar. Para dizer a verdade, eu queria uma arma para mim, mas eu não consegui achar nada”

O dinheiro que Rudel entregou fazia parte das recompensas pelos extermínios de monstros que ele vinha realizando ultimamente. Porém, na academia, ele tinha poucas oportunidades para usá-lo, então, suas economias só cresciam. Ele tinha o objetivo de comprar uma nova arma com isso… mas no fim, isso se tornou um presente para Izumi.

(Vendedor): “… entendi. Então você conhece um de meus compatriotas”

Enquanto o homem encarava o céu lembrando do passado, Rudel o agradeceu e continuou sua caminhada. O homem o chamou assim que ele se virou.

(Vendedor): “Eu sou Zouken. Eu vivo nesta cidade com meus companheiros e minha família. Por favor, envie meus cumprimentos para minha querida compatriota”

(Rudel): “Eu irei entregar sua mensagem”

E com esse novo encontro, o dia de Rudel chegou ao fim.


Por volta desse momento, duas Dragoons estavam passando seus tempos em celas abaixo do palácio. As duas encrenqueiras eram duas forças ilustres do país, e o dano foi enorme. Por essa razão, elas foram presas em um instante, mas ao invés de uma reprimenda, elas foram postas em confinamento solitário.

Havia algemas em seus pulsos e elas eram especiais. Essas algemas eram feitas para dificultar o uso de magia. Prova de que os guardas estavam bastante conscientes de quem eram suas prisioneiras.

Em apenas alguns minutos, essas duas destruíram a área. Cattleya e Lilim passavam seus dias em celas separadas. Já era de noite e Cattleya estava dormindo. Mas Lilim…

(Lilim): “Por que eles sempre passam a me odiar?”

[???]: (“Porque você é repulsiva”)

(Lilim): “Eu só queria me casar. Eu amava ele…”

[???]: (“Com olhos como os seus, só em seus sonhos. Como se existisse algum homem que pudesse amar você”)

(Lilim): “Todos… vão embora por causa desses olhos… se esses olhos apenas não existissem!”

[???]: (“Você vai mesmo arrancar eles? Você está bem com isso? Não é sua culpa… o culpado é…”)

Considerando o monólogo de Lilim ameaçador, os guardas não tentaram se aproximar. Eles não escutaram nada, eles não viram nada. Eles não viram que Lilim estava falando com a parede e que uma sombra se projetava de lá… essa era a companheira de conversa de Lilim.

(Lilim): “O culpado… isso mesmo. É culpa de Rudel! Aquele detestável!”

[Sombra]: (“Isso mesmo. Odeie ele! O Rudel relutante… o noivo que traiu você!”)

Antes de seu noivado com Rudel, Lilim foi desposada por um Elfo. Mas depois de ver os olhos negros dela, o homem anulou o noivado. Ele era um homem gentil, e Lilim realmente acreditou que estaria tudo bem se ela revelasse seu segredo. Mesmo assim ela foi traída.

Esse noivo do passado e Rudel, que mesmo agora ainda era um candidato a noivado, as formas deles se misturaram na cabeça de Lilim. A Sombra que guiou ela e a levou a essa conclusão era parecida com Cattleya em sua forma e voz. Assim que a Sombra se sobrepôs a Lilim, Lilim se levantou e arrebentou as algemas.

(Lilim): “Isso mesmo, eu vou matar ele! Eu vou matar o homem que me traiu!”

O cabelo louro de Lilim gradualmente mudou para um cabelo prateado. Sua pele passou do branco para o negro… e símbolos brancos começaram a surgir em sua pele escurecida. Eram marcas que lembravam muito a dos monstros que atacaram na floresta perto da academia[3].

[Sombra]: (“Odeie ele… odeie Rudel. Mate ele! Ele não pode ter permissão para viver! O propósito da minha existência é ‘devolver Rudel para sua verdadeira forma’. E se isso for impossível… então mate ele!!!”)

Nascida e amadurecida dentro de Cattleya, “Ela” declarou que se fosse impossível fazer com que ele voltasse para sua forma original, “Ela” iria apagar o personagem Rudel desta história. Para “Ela”, ele era o primeiro ato de traição contra o mundo. Na situação em que os outros aceitaram Rudel, “Ela” tinha o desejo de apagar a razão da existência dele.

[Sombra]: (“A vontade do mundo é irrelevante… este é o meu desejo!”)

Usando magia, Lilim escapou da cela. Nesse dia… uma única Dragoon escapou do palácio junta de seu Dragão.


[1] Claymore é uma variante escocesa da espada medieval utilizada durante os séculos XV e XVI. Possui gume duplo e é manejada com as duas mãos, impedindo o guerreiro de utilizar um escudo.

[2] A rapieira, é um tipo distinto de arma branca, uma espada comprida e estreita, popular desde o período Medieval até a Renascença, que se tornou a arma mais comum daquela época, principalmente na Espanha, Itália e Portugal nos séculos XVI e XVII.

[3] Esses eventos aconteceram no capítulo 008 e 019.