Irmãos, o garoto e a luta

Na sala dos visitantes nobres da arena, as Princesas encaravam Rudel e Fritz, que estavam frente a frente e conversavam. Enquanto as Princesas estavam torcendo por pessoas diferentes, ambas estavam bem sérias. Aileen apertou suas mãos na frente de seu peito, enquanto Fina pensava sem nenhuma expressão…

[Fina]: (“Fritz está acabado!!! Agora se prepare para ter sua bunda chutada pelo mestre. E vai ser na hora certa, então a avaliação da minha irmã por você vai cair enquanto você é surrado! Nós não temos espaço para um Fritz que não é nem mesmo fofo!”)

Diante da seriedade das Princesas, os Altos Cavaleiros tinham pensamentos conflituosos. Mesmo eles não mostrando isso em seus rostos, os guardas de Aileen estavam incomodados com a atitude e discurso do plebeu Fritz. Mas como a Princesa deles o adorava, eles nunca poderiam dizer isso.

Sophina, a guarda de Fina, ultimamente tinha um melhor entendimento sobre a personalidade de Fina e ela também se sentiu em conflito. Era impossível imaginar o que Fina estava pensando, pois ela nunca declarava seus pensamentos, mas não havia forma de ser algo decente. E vendo o rosto sério de Rudel assim que seus olhos se encontraram com os de Fritz, Sophina percebeu que seu rosto estava esquentando.

A plateia tinha se recuperado de seu silêncio anterior e incentivos começaram a surgir.


(Estudante A): “Não perca para um veterano Fritz!”

(Estudante B): “Mostre a ele a diferença em suas habilidades!”

(Estudante C): “Ensine a ele quem é o mais forte de todos Fritz!”

Os novos alunos zombavam enquanto os veteranos hesitavam em falar algo. A maioria dos terceiranistas se lembrou de suas atitudes anteriores e ficaram irritados com as vaias direcionadas a classe de Rudel. Os segundanistas sabiam que Rudel tinha derrotado Aleist e eles sabiam até que Rudel se dava bem com a Segunda Princesa, então eles não sabiam o que dizer.

(Fritz): “Você pode ouvir essa ovação para mim? Essas são as vozes do mundo Senpai”

Antes da partida começar, os dois falaram um pouco. O árbitro leu o clima e, pensando que se fosse só um pouco estaria tudo bem, ficou em silêncio.

(Fritz): “Ao manipular sua |Mana, você pode invocar uma imitação de espada mágica. E fortalecendo ela ainda mais, você pode a usar para defesa… eu pesquisei isso. Então, eu vou te dizer… eu já alcancei e ultrapassei você”

(Rudel): “Entendo. Mais importante que isso, eu te agradeço a respeito do meu irmão. Se for deste jeito, parece que Chlust ainda pode se recuperar”

Rudel não mostrou muito interesse pelas palavras de Fritz. Mas ele tinha alguma gratidão quando o assunto era o seu irmão, então Rudel simplesmente o agradeceu. Mas essa atitude irritou Fritz.

E o árbitro declarou o início da partida.

Acompanhando isso, |Mana cobriu o corpo de Fritz e uma enorme quantidade fluiu para sua espada. Nessa forma, como se ele estivesse vestido com uma armadura e espada de luz, a arena revelou gritos de surpresa. Ao verem essas armas feitas de magia, os novatos estavam animados e ficaram mais convencidos da vitória deles.

(Fritz): “Este é o meu poder total! Eu nem precisei mostrar isso para o seu irmão”

Fritz apontou sua espada de madeira para Rudel e gritou. Mas Rudel segurava sua própria espada em sua mão direita sem assumir nenhuma postura. Além de não assumir uma postura de luta, ele nem ao mesmo tentou concentrar magia na espada.

(Fritz): “Você planeja usar a desculpa que perdeu porque não lutou a sério? Não tem jeito mesmo seu lixo de nobre… nesse caso, repense o quanto você quiser na cama da enfermaria!!!”

Em um instante, Fritz encurtou a distância e abaixou sua espada. Mas nesse mesmo instante, o corpo dele foi jogado contra o ringue e o pé direito de Rudel estava em cima de seu peito. Não, ele estava pisando em Fritz.

(Rudel): “Então use seu poder total para aguentar isto”

Antes que Fritz pudesse compreender as palavras de Rudel, ele sentiu um imenso impacto através de seu corpo. E assim que sangue saiu de sua boca, ele perdeu a consciência.


Vendo a partida que acabou em poucos segundos, Luecke e Eunius mostraram expressões diferente. Luecke estava com um rosto incomodado.

(Luecke): “Hah, não foi mesmo uma partida interessante. Ele precisa mesmo pensar em entreter a plateia um pouco mais…os lutadores de alto nível devem estar satisfeitos, mas deste jeito, eu duvido que os novatos irão entender o que acabou de acontecer”

Depois de facilmente mover seu corpo para desviar do ataque casual de Fritz, Rudel usou sua mão esquerda para agarrar o braço de Fritz antes de atira-lo no chão. Ao invés de ser derrubado, Fritz foi esmagado contra o ringue e assim que Rudel o prendeu no chão com seu pé direito… ele começou algum tipo de ataque.

Foi um ataque intenso o bastante para criar uma cratera ao redor dos dois… Fritz cuspiu sangue de sua boca, perdeu a consciência e a partida acabou.

(Eunius): “Interessante… esse cara é mesmo o melhor”

Ao contrário de Luecke, o sorriso feroz de Eunius fez Aleist e Chlust, sentados a seu lado, se afastarem um pouco. Mesmo Eunius não entendendo exatamente o que Rudel fez, esse último ataque foi poderoso o suficiente para um calafrio percorrer sua espinha. O amigo que ele reconhecia cresceu demais enquanto ele não estava olhando.

(Eunius): “Eu mal posso esperar pelo segundo termo do próximo ano”

Enquanto Eunius dizia isso e alegrava-se, Aleist desviou os olhos e segurava sua cabeça.

[Aleist]: (“Qu-que merda!? Eu não tinha ideia que você podia atacar assim e, espere, que diabos foi isso!? Do jeito que estou indo, eu não serei capaz de vencer Rudel… o que eu deveria…”)

Aleist se sentiu deprimido que a diferença em habilidade cresceu sem ele se dar conta. Chlust olhou para seu irmão saindo do ringue antes de perder a consciência. Assim que ele caiu, Izumi se levantou de seu assento para segura-lo.


Havia duas Dragoons disfarçadas entre a plateia. Um pouco arrumadas, Lilim e Cattleya não foram capazes de esconder a surpresa ao verem a partida entre Rudel e Fritz. Era natural que ele estivesse ficando mais forte depois de lutar com elas, mas este era um crescimento que você poderia chamar de anormal.

As duas contiveram sua animação por Rudel enquanto elas miravam seus olhos na sala dos visitantes nobres. Enviando suas vozes para seus Dragões descansando no campus, elas deixaram suas preparações em ordem.

[Dragão do Vento]: (“Aquele filho dos homens, não, Rudel venceu ao que parece. Você está feliz contratante?”)

[Dragão Vermelho]: (“É sério!? Eu só escutei as vozes, mas isso acabou com um golpe, não foi!? Quão bizarramente fraco era o oponente dele? Além disso, depois de afirmar sua superioridade antes mesmo da partida começar… que sem graça!”)

Elas ficaram com sorrisos sem graça para as respostas de seus próprios Dragões. O Dragão de Lilim, que sempre chamaria ela de contratante, agora chamou Rudel pelo seu nome. Enquanto isso, o Dragão de Cattleya tinha uma boca suja.

(Cattleya): “Muito bem, a princesa está bem?”

Cattleya olhava para a sala dos visitantes nobres e Rudel no ringue enquanto ela fazia essa pergunta para Lilim. Elas particularmente não esperavam que a Princesa tomaria alguma ação irracional, mas elas foram chamadas apenas por precaução, então elas precisavam manter a atenção.

Em cima do ringue, Fritz foi carregado em uma maca enquanto a arena era preenchida por um ar indescritível. Aqueles que não conseguiram entender a clara diferença nas habilidades dos lutadores começaram gritos de “covarde” e os veteranos começaram a vaiar esses novatos ignorantes.

(Lilim): “Não parece que ela vai dar o sinal. Mas eu consegui ver algo bom”

Olhando para a sala de visitantes, Lilim se lembrou da galante figura de Rudel enquanto seu rosto corava. Cattleya suspirou e se virou para sua superior.

(Cattleya): “Você sabe que não está mais em um noivado, não é?”


Dentro da sala dos visitantes nobres, que as duas Dragoons pareciam estar bastante preocupadas, uma grande confusão estava começando.

(Aileen): “I-isso não conta! Eu não posso aceitar uma partida como essa!”

Incapaz de admitir a derrota de Fritz, Aileen estava fazendo um protesto. Mas o resultado terminou com a completa derrota de Fritz que estava inconsciente. Não foi uma derrotada devido a azar ou infelicidade. Era uma derrota completa em relação a suas habilidades.

(Fina): “Não importa quantas vezes você repita isso, o resultado não vai mudar irmã”

[Fina]: (“É claro, é impossível para o seu príncipe derrotar o meu mestre. Não importa o que você diga, mestre é o homem que se tornará o meu marido na busca do fofuraíso… huh? Espere. Então o mestre é um príncipe também? Que tal ‘Soberano do Fofuraíso’? Oh, eu gosto de como isso soa”)

Sem expressão nenhuma, o tom sem emoções de Fina apenas deixou Aileen ainda mais irritada. Como ela sabia (?) da peculiar condição de sua irmã, ela não colocou em palavras, mas ela sentiu uma grande raiva.

(Aileen): “… eu definitivamente não vou perdoar ele”

Ninguém poderia ouvir o murmúrio de Aileen. Fina apenas encarou sem expressões Rudel no ringue. Ainda assim, o murmúrio de Aileen que nem os Altos Cavaleiros ao redor dela puderam escutar, continha uma emoção que você poderia chamar de conflituosa.


O terceiro termo chegou ao fim com segurança (?). Dispensado, Chlust seguiu para os portões da academia. Uma carruagem da Casa Arses veio busca-lo. “É constrangedor, então não vá para a cerimônia de graduação”, seus pais disseram isso a ele e esta carruagem era aquela que o levaria diretamente para as regiões da fronteira do país.

Por sua solidão e constrangimento, Chlust estava cheio de ansiedade, mas mesmo assim, poucas pessoas foram vê-lo partir. Começando com Luecke e Eunius dos Três Lordes, Vargas e Basyle, Aleist e Fina cercada por seus guardas estavam lá. Mas Rudel não apareceu.

(Aleist): “H-hey, por que o irmãozão Rudel não está aqui? Isto é esquisito demais e eu não faço ideia sobre o que falar”

Aleist traduziu a atmosfera em palavras, mas os outros apenas desviaram os olhos sem oferecer nenhuma salvação. Todos pensaram que Rudel estaria ali. Eles nunca consideraram que isso poderia acontecer.

O tempo passou em silêncio e ficando conscientes disso, alguns tentaram falar com Chlust, mas as conversas nunca duravam muito. Depois que tal situação continuou por um tempo, Rudel apareceu ao lado de Izumi com uma cesta na mão. Aleist e os outros se sentiram um pouco irritados com esse ar cor-de-rosa ao redor dos dois que acabaram de chegar.

(Luecke): “Você está atrasado Rudel!”

Ao ouvir Luecke, Rudel coçou sua cabeça e se desculpou.

(Rudel): “De-desculpe. Eu nunca pensei que ele fosse ir embora sem parar na nossa casa. Eu percebi que ele poderia ficar com fome no caminho para a fronteira, então eu fiz alguns sanduíches no salão de jantar”

Rudel entregou a cesta. Izumi carregava uma também e ela iria entregar aos servos conduzindo a carruagem. A cesta de Rudel foi entregue a Chlust.

(Rudel): “Se Izumi não tivesse me ajudado, isso teria levado ainda mais tempo. Estou feliz por ter encontrado ela pelo caminho”

(Izumi): “Se ele apenas tivesse me avisado, eu já teria preparado tudo. Rudel age por capricho com muita frequência”

Ouvindo a conversa deles, “Por que eles ainda não estão saindo?”, alguns pensaram. “Maldita cabelo preeeetoooo!!!”, outra pessoa pensou.

(Chlust): “Eu-eu não me importo de aceitar isso”

Chlust ainda não sabia como interagir com seu irmão e, mesmo agora, ele usou um tom abusivo enquanto pegava a cesta. Rudel o chamou.

(Rudel): “É melhor você sobreviver Chlust. De outra forma, seus sonhos nunca se tornarão realidade”

Ainda sem saber o que dizer, Chlust seguiu para a carruagem. Ele passou o dia anterior pensando sobre o que ele queria transmitir, mas ele não conseguiu chegar a nenhuma conclusão. As pessoas ao redor sorriram enquanto elas olhavam para esses irmãos. Mas Chlust estava seguindo para a fronteira com o |Império|, um lugar perigoso cheio de monstros.

Talvez eles nunca mais se encontrassem de novo. Todos pensaram nisso, se despedindo de Chlust e vendo a carruagem partindo. Assim que a carruagem passou pelos portões, Chlust inclinou seu corpo para fora da janela e gritou.

(Chlust): “O-obrigado irmão!!!”

Até que a carruagem de seu irmão saiu de sua visão, Rudel continuou acenando com sua mão.


O meio-dia chegou e assim que a carruagem parou para uma pausa, Chlust abriu a cesta e pegou um sanduíche. Havia também um cantil dentro, junto dos sanduíches deformados e alguns bem-feitos.

(Chlust): “H-hmm. Esses deformados definitivamente são os que o meu irmão fez”

Chlust disse isso enquanto mordia um dos sanduíches.

(Chlust): “Qu-que horrível… está salgado demais”

Preso em um estado de transe, assim que Chlust limpou sua garganta com o chá verde do cantil, lágrimas escorreram de seus olhos.

(Chlust): “Obrigado… obrigado Rudel”

Chorando e comendo, ele ficou com um rosto feliz assim que ele se lembrou das palavras de Rudel.

(Chlust): “Eu vou sobreviver e na próxima vez, eu vou agradecê-lo pessoalmente… eu definitivamente vou sobreviver…”