O protagonista e o Chefão final

Chegando com segurança no quarto ano, Rudel e companhia estavam discutindo seus futuros na cafeteria da academia. Ao redor da mesa redonda, Luecke, Eunius e Izumi… ao lado de seus integrantes usuais, Aleist também estava lá.

Como o almoço já tinha terminado, havia poucas pessoas na cafeteria. Em tal situação, Aleist murmurou algumas queixas enquanto ele comia os bolos que estavam na mesa.

(Aleist): “Por que você me chamou? Originalmente, eu queria ter essa reunião de fodões durante o torneio. E Millia está se distanciando de mim desde o Dia dos Namorados… hah”

(Luecke): “Dia dos Namorados? Aquele negócio de distribuir chocolates que vocês fizeram era algum tipo de festival?”

Luecke bebericou seu chá, ignorando as reclamações de Aleist enquanto ele pensava nesse termo desconhecido.

(Eunius): “Aquela coisa que ele fez perto do fim do terceiro ano? Se eu me lembro bem, Rudel e Izumi fizeram chocolates juntos e trocaram entre si… então, que tipo de festival é esse?”

Eunius também ignorou as queixas de Aleist, pedindo uma explicação sobre o Dia dos Namorados.

(Aleist): “… não vou dizer”

Aleist desviou seus olhos dos dois em uma tentativa de colocar alguma resistência.

(Rudel): “Você aparentemente dá chocolate para a pessoa que você gosta. Aleist e seus amigos estavam dando o seu melhor para fazerem os chocolates e quando eu fiquei curioso e perguntei, foi isso o que ele disse… eu também dei alguns para Izumi”

Rudel respondeu calmamente.

[Aleist]: (“Normalmente, são as garotas que deveriam presentear os garotos… por que nós tivemos que fazer chocolates com tanto esforço eu me pergunto. Quando eu me dei conta, as garotas se reuniram e roubaram todos eles, então eu não pude dar nenhum para Millia. Eu deveria ensinar a eles sobre o White Day[1] enquanto estamos falando sobre isso?”)

A débil resistência de Aleist foi inútil diante de Rudel. Ouvindo as palavras de Rudel, Aleist hesitou se deveria ou não dizer a ele a verdade.

Mas essa conversa foi interrompida por Luecke assim que ele começou a falar sobre o assunto principal.

(Luecke): “Bom, isso realmente não importa. O problema é como vamos passar nosso tempo nesses dois anos finais. Eu e Rudel e aquele monte de músculos logo ali temos alguma liberdade, mas e quanto a vocês dois?”

(Izumi): “Assim que eu conseguir minha qualificação como Cavaleira, eu planejo fazer o teste para me qualificar como Alta Cavaleira

Izumi abaixou seus olhos um pouco enquanto ela respondia à pergunta de Luecke. É verdade, do jeito que as coisas estavam indo, Izumi e Rudel iriam se graduar na academia e iriam se separar em dois anos. Pensando nisso, Izumi se sentiu um pouco solitária.

Por outro lado, Aleist sorriu enquanto ele pensava sobre como ele iria aproveitar seus últimos dois anos. Ao mesmo tempo, ele se lembrou de como ele supostamente deveria passar este momento seguindo o jogo.

[Aleist]: (“Se eu não estou enganado… a metade do jogo tem o maior nível de liberdade. Você pode fazer amizade com os alunos que se matricularam neste momento. E você já terá terminado de conquistar todas as garotas. Mas se você não fizer várias coisas neste período de tempo, tudo irá dar errado depois da graduação. O evento da guerra se tornará uma luta difícil, e…”)

O rosto de Aleist repentinamente ficou pálido enquanto ele se levantava de seu assento. Vendo isso, os outros quatro se viraram se perguntando o que estava acontecendo, mas sem prestar atenção neles, Aleist começou a murmurar de novo antes de levantar sua voz.

(Aleist): “Ne-neste ritmo, será terrível… ne-nesse caso, eu não tenho escolha além de fazer isso!”

(Rudel): “Eu não sei o que você está tentando fazer, mas esse é o espírito Aleist”

Sem saber o que estava acontecendo, Rudel o incentivou.

(Aleist): “Eu estou indo para o templo na fronteira. Lá, eu vou mudar minha classe de Espadachim Mágico para uma classe avançada”

(Eunius): “Eu-eu entendo… bem, boa sorte com isso”

Assim que Aleist confiantemente falou essas palavras sobre mudança de classe e classe avançada, Eunius não tinha ideia do que dizer, então ele deu uma resposta vaga. Luecke esfregou seus olhos depois de fecha-los para pensar.

[Luecke]: (“Nessas horas eu realmente não consigo entender Aleist. Para mudar de Espadachim Mágico para outra coisa ele precisa ir para as fronteiras exteriores? Isso não é bom, eu não entendo isso. Ele vai colocar suas mãos em alguma técnica nova? Ou há algum tipo de eremita[2] nas montanhas?”)

Izumi não sabia o que dizer, então ela tentou perguntar a Rudel. Talvez isso fosse um costume especial que não existia no oriente e, com isso em mente, ela se virou para Rudel… só para encontra-lo com os olhos brilhando enquanto olhava para Aleist.

(Rudel): “Você pode ficar forte se você for até a fronteira?”

(Aleist): “É claro que sim. Cinco anos atrás, eu mesmo fui até lá para virar um Espadachim Mágico, então não há dúvidas quanto a isso”

Vendo Aleist declarando isso, Rudel começou a pensar com seriedade.

O próprio Rudel entendeu pela forma como as coisas estavam indo que ele estava chegando a seu limite. Ele não estava sendo negligente em seus treinamentos diários. Mas Luecke, Eunius e Aleist na academia… depois de lutar com eles, ele percebeu que realmente não tinha nenhum talento.

Em tal situação, aceitar um desafio na busca por força não parecia ruim.

(Rudel): “… então eu vou também”

(Izumi): “R-Rudel?”

(Eunius): “Oy, se recomponha!”

(Luecke): “Não seja imprudente! É só a maluquice normal de Aleist”

Sem prestar atenção na tentativa de Izumi e os outros de pará-lo, Rudel decidiu partir para uma viagem até a fronteira com Aleist.


O |Império Gaia|. Esse era um país que não tinha detalhes reais no jogo. Uma terra que existia com o único objetivo de fazer do protagonista um Herói. Em um quarto desse |Império|, um certo indivíduo chamou Mies, que falhou em sua missão e divulgou segredos nacionais. A habilidade especial da Casa Licorise de Mies, ou melhor, sua habilidade do jogo, ‖Fuga Bem-Sucedida‖, não a permitia escapar da responsabilidade e ela estava recebendo uma ação disciplinar.

Suas ações foram usadas como motivo para minar o poder da Casa Licorise no mundo político. Tudo o que sobrou da casa foram os documentos dos experimentos e os resultados sobre os planos de fortalecimento de monstros. Essa foi uma tarefa que eles receberam com o objetivo claro de leva-los a ruína…

A pessoa que chamou Mies apareceu no quarto que ela aguardava.

(???): “Eu sinto muito por faze-la esperar”

A idade dele estava no início de seus vinte anos. Longos e encaracolados cabelos prateados se estendiam por suas roupas folgadas de alta classe. Um homem entrou no quarto para se curvar de maneira educada para Mies. Ele era alto e de seu corpo treinado e pela forma como ele se movia, ele passava o ar de não ser uma pessoa comum.

(Mies): “Não, isso não é um problema para mim, sua majestade”

(???): “Não seja assim. Me chame de Askewell ou Al ou o que você quiser. A partir de agora, você vai ser a minha preciosa colaboradora afinal”

Askewell Gaia… o Terceiro Príncipe do |Império| e o comandante do exército imperial. Com um sorriso em seu rosto, Askewell incitou Mies a se sentar enquanto ele lia os documentos que recebeu de antemão. A expressão dele ficou tão séria quanto era possível.

(Askewell): “Os conteúdos escritos aqui devem ser considerados como fatos?”

(Mies): “… sim”

Mies contou a Askewell a verdade. Assim que ela fez isso, a expressão tensa inicial de Askewell se transformou em um sorriso.

(Askewell): “Maravilhoso. Então é possível assumir o comando perfeito de soldados poderosos… eu não posso compreender o porquê do alto escalão rejeitar esse plano”

Com essas palavras, Mies temeu um pouco o Príncipe. Mas ela disse a si mesma que isto era uma medida necessária para recuperar a autoridade da Casa Licorise.

(Mies): “O método não é perfeito. E ele não poderia ter uma luta decente contra um Dragão

(Askewell): “Sem problemas. |Courtois| não é capaz de manter muitos Dragões. Além disso… se você puder aprimorar Ogros e Orcs em grande número e torna-los soldados, os soldados de |Courtois| não serão capazes de nos dar uma luta decente”

Honestamente, Mies era ignorante quando o assunto envolvia questões militares. Mas pensando que ela precisava dizer algo, ela tentou fazer uma piada ao falar sobre o suprimento de comida necessário para sustentar um Ogro.

(Mies): “Mesmo sendo mais fácil do que montar em um Dragão, um Ogro fortalecido come muito mais do que o seu soldado comum. Você deve se preparar para gastar o dobro com comida”

Ouvindo isso, o sorriso do Príncipe Askewell não mudou. Mas Mies ficou com medo desse sorriso.

(Askewell): “Eu já te disse que isso não é um problema. Há muita comida no lugar para onde estamos indo”

(Mies): “Eh?”

(Askewell): “Você não entendeu? Ou você poderia estar apenas não querendo aceitar… que seja. Eu estou falando de humanos. Se nós invadirmos, nós teremos muitos deles em mãos. E mesmo que eles sejam derrotados, o que nós perderemos não são pessoas do |Império|. Nós perderemos apenas monstros”

Askewell falou para a confusa Mies.

(Askewell): “Eu vou te preparar um laboratório de pesquisa. Primeiramente, você vai preparar vinte Ogros aprimorados. Eu vou garantir um lugar para o experimento… e não se preocupe, um monstro atacando humanos é uma ocorrência natural. Se eles foram fortalecidos ou não, monstros são monstros… não há necessidade de incomodar sua mente com isso”

Este era Askewell Gaia, o Chefão final do jogo.


[1] White Day (literalmente “Dia Branco” em português) é um feriado que foi criado por um esforço de marketing coordenado no Japão. O White Day é celebrado no Japão, Coreia do Sul e Taiwan em 14 de março, um mês depois do dia de São Valentim (para os ocidentais conhecido como Dia dos Namorados, onde as mulheres e garotas presenteiam os rapazes com chocolates). No Dia de São Valentim, as mulheres dão presentes aos homens; no White Day, os homens que receberam chocolate no Dia dos Namorados devolvem o favor e dão presentes às mulheres.

[2] Um eremita ou ermitão é um indivíduo que, usualmente por penitência, religiosidade, misantropia (pessoa que tem aversão ao convívio social e prefere viver em isolamento) ou simples amor à natureza, vive em um lugar deserto, isolado.