A ex-Deusa (Parte 1)

Este é o conto de uma jovem garota que não era mais uma Deusa.


Rudel refletiu sobre como tratar a ex-Deusa que o acompanhou até a academia. Se ele simplesmente deixasse ela nas ruínas do templo, ela iria morrer, e perdendo suas habilidades e |Mana divina, a jovem garota não tinha como sobreviver. Parecendo não ter mais do que quinze anos, seus lindos cabelos louros e corpo, que você poderia chamar de artístico, eram esplêndidos, mas o conteúdo era muito lamentável.

No momento, ela estava comendo na cafeteria do dormitório dos garotos, perigosamente usando sua colher e garfo para comer enquanto ela sujava a área ao redor de sua boca. A razão para Rudel e Aleist levarem tanto tempo para voltarem era a dificuldade para tomar conta dela.

(Aleist): “Oy, vovó, logo ali. Por que você está se sujando tanto? A mesa e suas roupas estão uma bagunça”

Aleist olhava para a ex-Deusa enquanto a avisava, e a Deusa tentou fazer algo quanto a isso… mas assim que isso se provou inútil, ela desistiu e respondeu.

(Ex-Deusa): “Ca-calado. E você não está cuidando de mim de qualquer forma. Aquele que está cuidando de mim é Rudel”

Exatamente, desde que a ex-Deusa obteve um corpo, era Rudel quem cuidava dela. Aleist não tinha experiência na criação de crianças, mas Rudel cuidou de sua meia-irmã Lena antes.

(Rudel): “Eu estou bem cuidando de você, mas mais importante, o que você vai fazer quando eu estiver em aula? Nós vamos sair para a sala agora”

Rudel folheou um livro com o título “Treinando seu Cão” enquanto ele perguntava a ex-Deusa. A Deusa só conhecia a palavra aula por sua definição no dicionário, então ela inclinou a cabeça com dúvida.

(Ex-Deusa): “Eu não posso só te acompanhar?”

Com essas palavras, Luecke (que não acreditava que ela era uma ex-Deusa) respondeu.

(Luecke): “Você não é uma estudante da academia, então você não pode participar das aulas. Mais importante ainda, por que você não decide um nome logo? Além de ser difícil de se referir a você, é dolorosamente irritante explicar para os outros”

Eunius estava tomando o café da manhã e não parecia muito interessado na ex-Deusa. Insatisfeita com as atitudes dos quatro garotos, a ex-Deusa se levantou de seu assento e chorou enquanto protestava.

(Ex-Deusa): “Até eu estou ficando cansada de dizer ex-Deusa todas as vezes! Todos ficam com caras desconfiadas… a minha beleza não é prova o suficiente da minha origem divina?”

Ela definitivamente era linda. Se sua boca e roupas não estivessem sujas, ela poderia parecer divina. Rudel fechou seu livro enquanto olhava para a ex-Deusa.

(Rudel): “Ex-Deusa, sente-se quando estiver comendo. E é boa educação ficar em silêncio, assim você não vai incomodar os outros ao seu redor”

(Ex-Deusa): “Erk, entendido”

(Rudel): “Que boa menina, ex-Deusa boazinha. Pegue esse pudim como recompensa”

(Ex-Deusa): “Yippee!”

Dizendo isso, Rudel a presenteou com seu próprio pudim de sobremesa. A ex-Deusa se alegrou… Aleist olhou para Rudel e a Deusa, e para o livro nas mãos de Rudel enquanto murmurava. Ele percebeu que algo estava estranho ao ver Rudel lendo um livro sobre cães ao invés de um sobre Dragões.

(Aleist): “Você… Rudel está tratando você como um cão, você não percebeu?”

A Deusa congelou enquanto comia seu delicioso pudim.


(Ex-Deusa): “O que há com esses blasfemadores!? Eu não preciso deles, eu posso sobreviver sozinha”

A ex-Deusa caminhou furiosa pelo campus. Antes que Rudel e os outros pudessem seguir para suas aulas, ela terminou de comer seu pudim e correu para fora do salão de jantar. Sua boca e suas roupas estavam sujas… os funcionários da academia viram pelo cartão que estava pendurado no pescoço dela que ela estava autorizada pela Casa Arses e se impediram de adverti-la.

(Ex-Deusa): “Muito bem, eu vou mostrar a eles. Eu vou fazer tudo por conta própria”

E dessa forma, a ex-Deusa sabia que a primeira coisa que ela precisava era de um local para dormir. Ela não sabia o porquê, mas o cartão que ela recebeu de Rudel e estava pendurado em seu pescoço a permitia entrar em quase todos os lugares. Usando isso, a ex-Deusa tentou procurar por um lugar em que pudesse viver. Ela não tinha nenhum interesse nas regras de elegância da humanidade e ela realmente não entendia o que significava ir à escola.

(Ex-Deusa): “Vejamos… aquele prédio parece ser um templo digno para mim”

A Deusa seguiu para a habitação que não fedia a homens: o dormitório das garotas. Assim que ela se aproximou, ela foi parada na entrada. A Cavaleira no comando a cercou com várias guardas.

(Ex-Deusa): “Quê!? O que é isto!?”

(Cavaleira): “Há algumas coisas que eu quero te perguntar, mas primeiro, você poderia me mostrar sua identidade?”

Apavorada como estava, a ex-Deusa entregou o cartão que ela recebeu de Rudel. Depois que a Cavaleira limpou a sujeira no cartão, ela suspirou profundamente e deixou a Deusa entrar no dormitório, a avisando para não causar confusão.

Enquanto a Cavaleira a via entrando, uma nova recruta perguntou em um tom perplexo.

(Recruta): “Umm, isso está mesmo certo? Deixar aquela criança entrar no dormitório feminino?”

(Cavaleira): “Você é nova por aqui, não é? Escute bem… nesses últimos anos, o dormitório das garotas esteve em paz. Foi porque a Princesa está aqui, mas antes disso, esses malditos pirralhos sempre tentavam procurar por aberturas em nossas patrulhas para se infiltrarem. Agora, neste ponto, há apenas um homem que vai entrar no dormitório feminino ocupado pela Princesa”

(Recruta): “Eh!? Há alguém que ainda invade!? Esse é um enorme problema, não é!? Antes de eu ser destacada aqui, me disseram que você pode machucar nobres de baixo rank se for preciso, apenas impeça qualquer um que tente invadir”

(Cavaleira): “… Rudel Arses. O filho mais velho de um dos Três Lordes. Ele entra descaradamente no dormitório das garotas pela porta da frente”

(Recruta): “Isso definitivamente é estranho. Não tem jeito de algo assim ser permitido! A Princesa está aqui, então, naturalmente, até o filho de um Arquiduque deveria receber uma punição apropriada!”

A nova recruta tinha um bom argumento enquanto ela questionava o conto de sua superiora, mas a Cavaleira falou com um olhar sério no rosto.

(Cavaleira): “Você definitivamente não pode enfrenta-lo. Eu não estou dizendo porque eu tenho medo da autoridade ou poder dele, mas aquele garoto… Rudel-sama possui uma técnica muita mais assustadora do que essas coisas…”

Vendo sua superiora tremendo enquanto segurava a cabeça, a nova recruta engoliu sua saliva. O que poderia estar acontecendo nessa academia? Mas fora do alcance dos olhos sérios e preocupados da recruta, o rosto abatido da superiora estava um pouco vermelho.


(Ex-Deusa): “Apesar de como esse lugar parecia de fora, ele é cheio de pequenas salas. Mas as salas são maiores nesta área. É parecido com as salas do lugar de Rudel, então eu tenho certeza que há algumas extravagantes por aqui… eu vou fazer de uma delas a minha”

A ex-Deusa falava sozinha enquanto caminhava. No fim do caminho dela estava o quarto de Fina, protegido por Altas Cavaleiras. Como o prédio tinha uma forma parecida com a do dormitório dos garotos, a ex-Deusa determinou que este era o melhor quarto e seguiu em frente. É claro que ela não se esqueceu de mostrar o cartão que conseguiu de Rudel.

[Ex-Deusa]: (“Este cartão é mesmo incrível. Todas as pessoas que não acreditavam em mim, não importava o quanto eu explicasse, todos eles subitamente me escutam depois de olhar para este cartão… mas é um pouco irritante”)

(Alta Cavaleira): “…Casa Arses!? Es-espere só um momento. Não, por favor, espere”

A Alta Cavaleira, que olhou para a ex-Deusa como uma pessoa suspeita, ao ver o cartão dela, mudou completamente sua expressão enquanto corria para dentro do quarto. Assim que ela fez isso, sons terríveis e passos saíram de dentro das portas luxuosas que foram abertas com grande força.

(Fina): “Onde está o animal de estimação do mestre!? Eu tenho certeza que ela é super fofa e… fo… fa? Espere, deixando a fofura de lado, tudo o que eu vejo é uma mulher imunda. Sophina, qual o significado disto?”

[Fina]: (“Eu me apressei quando escutei que havia uma convidada com um cartão dizendo que ela era o animal de estimação do mestre, mas a única pessoa aqui é uma mulher com a boca e roupas cheias de sujeira… hah, que decepção”)

Enquanto Fina explodia sem nenhuma expressão, a ex-Deusa ficou surpresa. Mas mesmo nessa situação, ela se irritou quando Fina falou mal dela.

(Ex-Deusa): “Eu sou uma Deusa. No momento uma ex… mas não importa como você olhe para essa situação, esse tratamento não foi horrível? E o que você quer dizer com animal de estimação?”

A ex-Deusa tentou responder com sua fúria, mas Fina não estava nenhum pouco interessada enquanto ela continuava sua conversa com Sophina.

(Fina): “Qual o significado disso? Ele está me mostrando essa mulher para me dizer para desistir do fofuraíso? Isto deve ser um desafio do mestre”

(Sophina): “Você está errada Princesa. Por que você está interpretando desse jeito? Parece que ela está envolvida com Rudel-dono de alguma maneira e ela deve ter um status considerável. É possível que ele tenha mandado ela aqui com uma mensagem…”

(Fina): “Não minta para mim. Mestre iria falhar ao tentar ler o clima e viria diretamente até mim se quisesse dizer algo. Ele nunca usaria um método tão indireto… entendi! Então é isso!”

O rosto sem expressões de Fina subitamente se virou para a ex-Deusa. Assim que a ex-Deusa viu isso com surpresa e medo, Fina fez uma declaração pomposa.

(Fina): “Você é a nova discípula do mestre! O fato de você vir até mim, sua veterana, é prova de que o mestre te disse para medir suas próprias habilidades… muito bem, eu vou mostrar a você meu verdadeiro poder!”

(Ex-Deusa): “Quê… mesmo assim, eu sou uma Deusa, hey, espere, não tire minhas roupas! Se algo rasgar Rudel vai me repreender!”

Fina tentou tirar as roupas da ex-Deusa. Mesmo nessa situação, ela continuava sem nenhuma expressão. Sentindo o medo por suas roupas serem subitamente puxadas, a ex-Deusa fugiu. Com lágrimas nos olhos, suas roupas estavam bagunçadas e ela correu o mais rápido que podia.

(Sophina): “O que você está fazendo Princesa!?”

(Fina): “Exatamente o que você viu. E naturalmente, eu venci essa”

[Fina]: (“Hmm, que discípula novata insignificante eu consegui. O mestre deve ter buracos no lugar dos olhos… tomar uma criança tão inadequada para fofuras como sua discípula, o dia em que eu superarei o mestre deve estar mais próximo do que eu pensei”)

(Sophina): “Essa pode ser a noiva de Rudel-dono!”

Com as palavras de Sophina, uma enorme descarga elétrica percorreu o corpo de Fina.

(Fina): “Nã-não pode ser…”

[Fina]: (“Impossível. Não tem jeito do mestre poder ter uma noiva! Quer dizer, eu implorei para o pai, fiz todos aqueles acordos duvidosos e espalhei rumores para esmagar as candidatas ao noivado! Se for assim, então eu não tenho escolha além de usar o poder proibido da mãe ou o fofuraíso será para sempre um sonho”)

Uma Fina desanimada apareceu. Notando a diferença na atitude de Fina, ela deveria estar apaixonada por Rudel… Sophina não teve esse mal-entendido.

[Sophina]: (“Tenho certeza que esta garota vai começar alguma maluquice de novo”)

Sophina estava começando a entender sua Lady.


Com lágrimas nos olhos, a ex-Deusa timidamente caminhou pelos salões do dormitório feminino. Diferente da forma ousada dela no início, ela agora procurava com cuidado pela saída. Algumas vezes, ela veria alunas em roupas mais informais caminhando pelo local e ela se certificaria de não ser vista.

Mas fazendo uma curva errada durante sua fuga de Fina, ela acabou completamente perdida. Neste ponto, até a ex-Deusa não sabia se estava chorando por culpa de Fina, ou chorando porque estava perdida.

(Ex-Deusa): “Para o inferno com isso tudo, zombando de mim… eu vou me vingar de todos eles algum dia”

Falando frases impensáveis para uma ex-Deusa, ela caminhou em direção ao que ela esperava ser a saída. Mas para essa Deusa, a verdadeira Deusa apareceu.

(???): “Hey, você não é a…”

(Ex-Deusa): “Haau!”

A ex-Deusa se virou para encontrar Izumi com um olhar gentil em seu rosto. Como elas foram apresentadas logo quanto ela chegou, a ex-Deusa se lembrava do rosto de Izumi. Com a aparência da gentil Izumi, desta vez, a Deusa derramou lágrimas de gratidão. Para a mulher que parecia ser sua Deusa da Salvação, a ex-Deusa começou a orar.

(Ex-Deusa): “Mi-minha Deusa”

(Izumi): “Eh?”

Assim que a ex-Deusa juntou suas mãos em oração, Izumi gastou um tempo pensando.