Os quatro idiotas e os três

O torneio individual do segundo termo terminou com uma inédita falta de um campeão. As semifinais terminaram com um desagradável empate e uma desclassificação. E para este torneio, que foi uma torrente de eventos sem precedentes, começando com o diretor, os professores e os funcionários seguravam suas cabeças em desespero.

O fato de que Rudel era o Cavaleiro Branco e Aleist o Cavaleiro Negro foi revelado ao castelo. O palácio iria lidar com eles e, qualquer que fosse o caso, a academia não seria capaz de aplicar nenhuma punição. Felizmente, não houve nenhuma morte no campo de treinamento de magia destruído. Apenas alguns feridos durante a evacuação.

O cerne de toda essa conversa, Rudel e Aleist, estava na enfermaria. Rudel estava ferido e Aleist estava hospitalizado para exames. Não é preciso dizer que Luecke e Eunius estavam feridos e hospitalizados também.


(Eunius): “Oy, como você está se sentindo Senhor Mal-entendido? Qual a sensação de cometer um erro estúpido e causar uma confusão com toda essa maluquice de duelo?”

(Luecke): “… Eunius, você sabia o tempo todo, não é?”

(Aleist): “Aaah, o que eu deveria fazer agora?”

(Rudel): “Izumi, eu acho que acabei de ver um Dragão! Era o Dragão de Lilim-san, não tenho dúvidas!”

Os quatro foram levados para o quarto mais extravagante da enfermaria e todos, tirando Aleist, estavam em sérias condições. Três deles estavam cobertos de curativos e gessos, enquanto a pessoa restante estava abraçando seus joelhos na cama, murmurando presságios para si mesmo. Diante desses quatro, Izumi distribuía frutas a todos.

(Luecke): “Rudel! Por que você não me disse nada!?”

(Rudel): “??? Sobre a minha irmãzinha? Eu certamente tenho responsabilidade nesse mal-entendido. Contudo… Luecke, você sabia sobre Erselica, não sabia?”

Luecke fazia parte da alta sociedade e ele sabia sobre Erselica. Ele sabia, mas a garota Lena que ele tinha acabado de conhecer era mais do que o suficiente para preencher sua mente. Além disso, ele praticamente não reconhecia Erselica como irmãzinha de Rudel. Para piorar ainda mais a situação, Eunius já tinha notado o erro dele.

(Eunius): “Normalmente, você não seria capaz de entrar em um noivado com uma filha de uma amante de um dos Três Lordes, não é? E quem pensaria que você se apaixonaria à primeira vista e desafiaria alguém para um duelo?”

Eunius gargalhou enquanto apontava seu dedo para Luecke. Enquanto isso, Luecke decidiu resistir as provocações não importava o tempo que elas levassem. Mas, emocionalmente, ele se sentiu aliviado ao saber que isso foi um mal-entendido.

(Rudel): “Eu devia ter pensava mais sobre isso. É natural que o noivado de Erselica seja decidido antes do de Lena. Luecke, eu sinto muito, mas Erselica é…”

(Luecke): “Você está errado Rudel! Aquela por quem eu me apaixonei é Lena!”

Luecke corrigiu a confusão de Rudel. Olhando para esses três, Aleist se sentiu com inveja.

[Aleist]: (“Que legal. Eu queria falar sobre amor também. Eu deveria falar de Millia? Não, não tem jeito de eu me consultar sobre isso com esses caras”)

Enquanto Izumi olhava para os quatro, ela sentiu que a causa de tudo isso foi Lena. A frase que trouxe o controle de Rudel de volta e o amor de Luecke que resultou no duelo. Ela era uma garota bem peculiar. Era isso o que Izumi pensava dela.

E enquanto os quatro estavam fazendo uma comoção, uma única garota entrou no quarto da enfermaria. Eles foram informados de antemão, então todos pensaram que estava na hora de se virarem para a convidada. A garota era Yunia Luneice, a filha da casa de um Marquês[1]. Seus cabelos eram cortados rente aos ombros e seus óculos eram suas características mais chamativas como garota.

A garota era uma aluna do segundo ano do curso fundamental. Durante o período do torneio, era natural para os alunos do curso fundamental estarem fora no treinamento na floresta. Assim que ele acabou, ela fez um pedido para se encontrar com Aleist na enfermaria. Como ela era filha de um Marquês, ela recebeu permissão por ser um caso especial.

(Yunia): “Pe-perdoem a minha intrusão”

Dando um cumprimento desajeitado, Yunia se curvou para os filhos dos Três Lordes antes de ir até Aleist. Andando até Aleist enquanto ele se sentava na cama, ela subitamente o entregou uma carta. Talvez ela estivesse nervosa, pois suas mãos estavam tremendo.

(Aleist): “??? O que é isto?”

Aleist aceitou a carta e a encarou com dúvida. Olhando para o rosto vermelho de Yunia e as belas letras, todos pensaram. Ela não precisava dar isso a ele neste lugar… mas Aleist não notou isso. Em seu estado perplexo, ele tentou abrir a carta na mesma hora e Yunia rapidamente o impediu.

(Yunia): “S-senpai! U-um, você poderia por favor olhar ela mais tarde?”

(Aleist): “Eh? Oh, claro”

Deixando apenas essas palavras, Yunia saiu do quarto da enfermaria. A própria garota partiu com passos apressados e tímidos.

(Aleist): “… me pergunto o que poderia ser isso…”

Vendo que Aleist ainda não tinha percebido a situação, Rudel abriu sua boca.

(Rudel): “Isso não é um desafio para um duelo? O jeito que aquela garota moveu seu corpo não era ruim”

Percebendo que Rudel também não tinha notado, os outros três suspiraram. E abrindo a carta, Aleist se sentiu bastante relutante em duelar com uma garota enquanto lia o conteúdo. Depois de ler uma vez, suas mãos começaram a tremer enquanto ele lia de novo.

(Aleist): “O-o que eu devo fazer!?”

(Rudel): “Se acalme Aleist. Se você vai recusar ou aceitar, sua sinceridade é o mais importante. Eu tenho certeza que é difícil enfrentar uma garota, mas do jeito que você está agora, você tem grandes chances de vencer sem ferir sua oponente”

(Luecke): “… Rudel, você ainda está pensando que isto é um duelo? E o que aconteceu com você? Você já não recebeu algumas confissões antes?”

Luecke apontou o mal-entendido de Rudel, mas Aleist não estava fazendo uma cena pela confissão em si. Foi só há pouco que ele percebeu que a remetente era Yunia Luneice. Yunia com seus cabelos castanhos era um alvo romântico. Uma personagem que representava uma kouhai para o protagonista.

Chegando tão longe, o primeiro evento de amor de Aleist surgiu.

O conteúdo da carta de confissão lembrava em muito o que aparecia no evento do jogo. Era uma confissão de uma personagem que poderia ser conquistada no jogo e que ele há muito tinha desistido. Isso surpreendeu Aleist.

(Eunius): “Ela é a filha de um Marquês, não é? Não é uma má escolha para você. Por que você não tenta sair com ela?”

Eunius deu alguns conselhos desinteressado, mas Aleist estava apaixonado por Millia. No jogo, ele tinha confiança para capturar cinco ou seis alvos, mas quando se tratava da realidade, sua moral entrava no caminho. O atual Aleist perdeu sua ambição de formar um harém.

(Aleist): “… há alguém que eu gosto”

Com as palavras murmuradas por Aleist, Luecke não podia ignorar um indivíduo além dele sendo provocado sobre esse tópico. Sabendo que o momento era adequado, Luecke tentou obter a informação de Aleist.

(Luecke): “Oh? E quem poderia ser Aleist? Eu realmente gostaria de ouvir isso”

(Aleist): “A verdade é que eu gosto da Millia da tribo dos Elfos… eh!?”

Assim que Aleist disse o nome, a Segunda Princesa Fina entrou no quarto. O evento repentino surpreendeu a todos, mas como Fina era uma companheira estudante no momento, eles ofereceram algumas reverências.

(Fina): “Oh, sobre o que vocês poderiam estar falando?”

[Fina]: (“Quando se trata de Millia, ela é aquela Elfa do mesmo ano que o mestre, não é? E eu pensando que ele era um gay. E pensar que ele era um espírito irmão na busca pela fofura… parece que esses olhos ainda precisam melhorar muito”)

Ouvindo astutamente atrás da porta, Fina escolheu o momento perfeito para fazer sua aparição. Observando atrás dela, Sophina estava aborrecida com a completa falta de vergonha dela.

Justo quando Aleist estava ficando menos consciente dos eventos do jogo, ironicamente, um evento veio direto até ele.


Em uma floresta escura, três pequenos monstros (uma névoa negra, um Javalie um pequeno Pássaro) estavam discutindo sobre o futuro. Eles originalmente possuíam corpos gigantescos, mas havia uma razão para eles encolherem tanto. Deficiência de |Mana. Eles não possuíam a |Mana necessária para manter suas existências.

(Javali): “É tudo sua culpa não podermos voltar!”

(Névoa): “Me acusando? Então você pretende colocar a culpa em mim?”

(Pássaro): “Eu realmente não ligo, mas sério, o que vamos fazer agora?”

O Javali criticou a névoa enquanto o Pássaro pensava sobre o futuro. O motivo para isso acontecer foi porque a névoa negra prometeu com muita facilidade a Rudel que iria preparar um Dragão para ele. Aliás, mesmo eles pensando que iriam se tornar um, isso se provou impossível. O Javali e o Pássaro tentaram se fundir com a névoa, mas a perversidade das emoções que ela absorveu impediu isso.

Para ser mais preciso, ela se tornou uma existência diferente do que era quando foi criada.

(Javali): “Nós estamos aqui por causa da sua promessa! Ainda assim, sem um Dragão, nós vamos desaparecer. Quando nós não temos nem mesmo os meios para obter um, por que você disse uma coisa dessas!?”

(Pássaro): “Parece que vamos enfrentar um fim vergonhoso. Se desaparecermos sem cumprir nossa promessa… depois de agir de forma tão maneira…”

(Névoa): “Erk… você não precisava dizer isso!”

Mesmo eles não tendo nenhuma forma de obter um Dragão, a névoa negra tinha prometido sem levar isso em consideração. Mas mesmo assim, eles conseguiram fazer contato e negociaram com os Dragões. O Pássaro foi morto por um Dragão Vermelho, então Dragões Vermelhos estavam fora do páreo. Para início de conversa, eles eram Dragões com temperamentos violentos.

O Pássaro assassinado ficou traumatizado e veemente foi contra isso.

As opções restantes seriam o Dragão do Vento, o Dragão da Água e o Dragão Gaia; essas três espécies. Eles entraram na profundeza da floresta onde os Dragões viviam para negociar. Mas o Dragão do Vento confundiu eles com presas e os perseguiu; as negociações com o Dragão da Água fracassaram; e o Dragão Gaia não sairia da terra.

Eles fizeram zero de progresso.

(Névoa): “Mais importante que isso, depois de não conseguir nada com as negociações com o Dragão da Água, é estranho que eu seja a única culpada aqui”

A névoa negra criticou o Pássaro que cuidava das negociações. Mas o Pássaro refutou essa opinião.

(Pássaro): “O problema apareceu antes mesmo das negociações começarem. As primeiras palavras que saíram da boca do Dragão foram: ‘Eu não vou deixar ninguém além de Marty montar em minhas costas’, me deixando sem espaço para discutir”

Supreendentemente, havia um Dragão da Água que estava disposto a escuta-los, mas esse Dragão não tinha interesse em nenhum Cavaleiro além do indivíduo que o montava antes. Assim, no fim, as negociações falharam. Mesmo entre os Dragões da Água que habitavam a beira do mar, ele era um poderoso e lindo Dragão.

(Névoa): “Então, o que vamos fazer agora!? Neste ritmo, nós vamos nos desfazer sem conseguir nada”

(Javali): “…”

(Pássaro): “…”

Os três pensaram e decidiram seguir até o Dragão Gaia que eles ainda estavam tentando negociar. Preferindo o interior da terra, este era o Dragão que possuía o maior corpo entre as quatro variedades. Ele era equipado com quatro asas, mas devido a seu enorme corpo, voar não era sua especialidade.

O Dragão Gaia era uma escolha impopular entre os Dragoons. Sua velocidade de voo era baixa, dificultando a esquiva de ataques inimigos. Era um Dragão difícil de lidar que se especializava em sua resistência, ataque e defesa.

(Névoa): “Como chegamos até aqui, nós devemos negociar com o último Dragão Gaia. Se desaparecermos assim, nossa honra vai ficar manchada”

Com o objetivo de negociar, a névoa negra seguiu para as cavernas em que os Dragões Gaia viviam. Os outros dois seguiram ela. Essas três existências confiaram seus mais profundos desejos em sua última esperança, o Dragão Gaia.


[1] Marquês é um título nobiliárquico da nobreza europeia, que foi depois utilizado também em outras monarquias originárias do mundo ocidental, como o Império do Brasil. Na hierarquia, o termo marquês é imediatamente superior ao conde e inferior ao duque.