Superando Marty (Parte 5)

Alguns dias depois que Rudel caiu no salão com Sakuya e os outros…

Em um quarto do palácio, Fina recebeu um relatório das duas Dragoons. Ela queria ouvir sobre os eventos que aconteceram na |Morada dos Dragões| e o motivo para eles se atrasarem para o teste de seleção. As duas entregaram seus relatórios, mas Fina as chamou dizendo que não estaria satisfeita até que ouvisse os detalhes diretamente.

As aulas já tinham começado na academia, mas o palácio estava em frenesi, fazendo com que eles tomassem medidas que eles normalmente não tomariam. O motivo para Fina ainda não ter voltado para a escola era toda essa confusão ao redor de Rudel e Fritz.

Quem era mais digno de ser o Capitão da Guarda Real? Não importava como você olhasse para isso, seria Rudel, mas a facção de Aileen não permitiria isso. Do ponto de vista de Fina, isso não era um problema, contudo, Aileen estava se movendo. Assim, para organizar suas ações futuras com calma, ela chamou as duas guardas de Rudel.

Ela olhou sem expressões para as duas diante de seus olhos, Lilim e Cattleya, enquanto Sophina as colocava em um interrogatório estrito.

(Sophina): “Então, depois que ele obteve um Dragão, eles treinaram para voar? Você está me dizendo que ela é um filhote com aquele tamanho?”

Ela tentou escutar os depoimentos das duas, mas havia muitos pontos peculiares demais. Primeiramente, o Dragão. O Dragão de Rudel era muito maior do que um Dragão selvagem. Era um tamanho tão grande que se comparava ao maior dos Dragões Gaia. Era esse tipo de Dragão, e mesmo assim, elas disseram que estavam a treinando para voar, o que os fez se atrasarem para o teste.

Qualquer um duvidaria disto.

(Lilim): “Não, eu disse que ela era uma adulta, mas só no tamanho. Mas ela nasceu há poucas semanas…”

Corrigindo a posição de seus óculos, Sophina continuou suas perguntas.

(Sophina): “Recém-nascida e uma adulta… eu sou uma amadora quando se trata de Dragões, mas eu sei que leva tempo para eles crescerem depois que saem de seus ovos. Bem, vamos continuar. Por qual motivo tantos Dragões selvagens acompanharam vocês?”

Cattleya respondeu essa.

(Cattleya): “Foi porque os Dragões disseram que queriam dar seus agradecimentos ou algo do tipo, e eles queriam cuidar de Sakuya”

(Sophina): “Oh, uma coisa dessas pode acontecer? Dragões são famosos por não se envolverem com humanos. Eu vou ter que verificar isso com Rudel-dono. Continuando, por que vocês permaneceram lá depois que o prazo final passou?”

Pela atitude de Sophina, estava claro que ela não acreditaria nelas mesmo que elas tenham dito a verdade. Cattleya sempre teve a tendência de menosprezar Altos Cavaleiros e suas respostas começaram a ficar bastante ignorantes.

Entendendo que Cattleya estava irritada, Lilim decidiu responder tudo por conta própria.

(Lilim): “Para dizer a verdade, quando o Dragão Branco nasceu, parecia que ela era incapaz de voar e ainda era imatura como Dragão. Os outros Dragões insistiram que seu orgulho não permitiria que eles mandassem ela para o mundo desse jeito…”

(Sophina): “Então, tudo foi culpa dos Dragões. Que conveniente. Isso é algo que nós nunca poderemos confirmar, então, bom, ponto para vocês. Mas durante esse período de tempo, o que exatamente vocês duas estavam fazendo?”

(Lilim): “Não, um… Rudel-sama disse que ele iria cuidar de Sakuya e não iria nos escutar, então nós tivemos que acompanhar ele”

Enquanto Sophina ficava irritada, ela tomou cuidado para não dizer nada incisivo demais. Mas para a séria Sophina, os relatos de Lilim e Cattleya eram irritantes.

(Sophina): “Reportem os detalhes! Eu estou ficando cansada dessas frases vagas e desordenadas. Vocês duas tem responsabilidades nisto, entenderam!?”

(Cattleya): “Yeah, yeah”

Enquanto Cattleya desviava seus olhos, sua atitude mostrava que ela não se arrependia nenhum pouco de suas ações. Sangue subiu à cabeça de Sophina. As coisas não iriam a lugar nenhum desse jeito, então Fina a substituiu. Vendo Cattleya subitamente revendo sua atitude, Sophina murmurou queixas para si mesma.

(Fina): “Não estamos indo a lugar nenhum. Deixe-me assumir. Vocês duas, vocês podem me dar um relato detalhado dos eventos desde o nascimento do Dragão até a chegada ao salão? (Hmm, você tem muito a aprender Sophina. Você está lidando com o meu mestre… é impossível pensar que as coisas aconteceriam de forma normal! Agora, que tipo de relato eu vou poder escutar!?!? Eu não ficarei surpresa, não importa o que elas me digam!)”

Se entretendo por dentro, Fina escutou o fluxo dos eventos que culminaram no salão.

Primeiro, depois de chegarem na |Morada dos Dragões|, elas foram postas para dormir com o uso de remédios e, nesse intervalo, Rudel obteve um Dragão. Mas para ele obter esse Dragão, Sakuya, que os acompanhou de forma forçada, se tornou um sacrifício… elas deram uma explicação simples de como isso fez o Dragão nascer tão imaturo, apesar do que sua aparência sugeria.

(Fina): “… então foi isso. Aquela garota foi…”

Até Sophina não conseguia entender o que Fina estava pensando. Mas mesmo sem expressões como ela era, ela parecia infeliz.

(Lilim): “Foi aí que os problemas começaram. Os Dragões começaram a se envolver com o branco em excesso. Parecia que eles estavam cuidando dela e eles disseram algo sobre se redimirem por algo”

O motivo para as palavras de Lilim estarem tão confusas estava no fato de que até seu Dragão contratado não explicou os detalhes para ela. Ela era incapaz de falar com os outros Dragões selvagens. Então ela não conseguiu descobrir mais nada.

(Lilim): “Eles ensinaram ela a como voar no céu e como caçar presas; enquanto isso, nós estávamos vivendo como sobreviventes, mas… Rudel-sama começou a treinar com o Dragão da Água de um antigo Dragoon

Os ombros de Fina estavam tremendo um pouco. Ela silenciosamente olhou para as duas diante de seus olhos. “Me diga o que aconteceu, depressa”, Sophina podia ver ela aplicando uma pressão silenciosa.

(Cattleya): “No início, era o treinamento sobre a forma de combate de um Dragoon. Mas ao longo do caminho, isso se tornou uma grosseria e eles começaram a agir como idiotas”

Assim que Cattleya se lembrou das poucas semanas de Rudel, ela só podia ver isso como eles brincando. Mas o rosto de Lilim a seu lado mudou enquanto ela revisava o relatório de Cattleya.

(Lilim): “Não, isso não foi algo tão simples! Rudel-sama definitivamente não estava brincando!”

(Cattleya): “Eh? Espere, Senpai!?”

(Fina): “Lilim, prossiga. (O que há com a reação dela? Mais importante, eu estou curiosa sobre este Dragão da Água que se envolveu com ele. Eu duvido disso, mas…)”

Lilim se animou enquanto ela falava da nova habilidade que Rudel aprendeu.

(Lilim): “Era uma aplicação para a ‖Magia da Água‖. Aplicando uma propriedade escorregadia a água, você pode usa-la para cobrir o corpo. Ela era consideravelmente escorregadia, então, no início, eu pensei que ele estava aprendendo sobre como usar armadilha ou algo do tipo. Mas não era isso! Era… era uma arte perdida omitida do livro!”

Água escorregadia… isso era uma loção. O que significava que Rudel aprendeu a “Arte da Loção”[1]. Essa era uma técnica suprema que Marty não tinha anotado isto em seu livro. Depois disso, Rudel aperfeiçoou uma técnica especial por conta própria, mas essa era uma história diferente.

(Sophina): “O qu-que é isso!? Por livro, você não poderia estar dizendo…”

A intensa explicação de Lilim chocou até mesmo Sophina. Fina estava sem expressões, mas ela levantou uma mão para acalmar Sophina enquanto ela incentivava Lilim a continuar.

(Fina): “E pensar que o ‘Como Acariciar um Dragão’ ainda estava incompleto… nesse caso, poderia ser que o Dragão da Água que você comentou é o Dragão da lenda? (Sério… indo tão longe, o mestre chegou em um lugar inalcançável para mim. Não, isto é uma dádiva! Eu devo me alegrar pelo que foi perdido estar sendo revivido!!)”

(Lilim): “Rudel-sama estava consideravelmente depressivo, então ele devotou tudo de si e se perdeu no treinamento. Nesses poucos dias, o Dragão iniciou ele nas artes secretas! Neste ponto, não há ninguém no mundo que pode derrotar Rudel-sama…”

(Sophina): “Pr-princesa! Isto é uma crise nacional!!”

(Fina): “Se acalme Sophina. Eu vou tomar algumas medidas… mas isto se tornou algo terrível. Vocês duas, tenham certeza de não falar sobre isso fora daqui. (Está aquuuuuiiii!! O mestre finalmente foi e fez isso!! Eu não posso ficar parada. Eu tenho que me mexer… primeiro, eu tenho que fazer algo sobre essa Guarda Real)”

Deixada para trás mais uma vez por essa situação, Cattleya honestamente começou a se perguntar se ela era a pessoa estranha.

[Cattleya]: (“Sou eu? Eu sou a esquisita!? Qual o significado disto!?!? Senpai foi assim desde o início e essa Alta Cavaleira que eu não gosto ficou surpresa, e mais do que isso… as mãos da Princesa estão tremendo!! Eu sou mesmo a estranha aqui!?”)

Fina imediatamente começou a pensar sobre o que estava por vir. Ela terminou de investigar os Cavaleiros que foram enviados para procurar por Rudel e o Ministro responsável. Ela descobriu que eles só fingiram procurar por ele e ela entendeu os esquemas de Aileen. Havia muitas formas para ela usar esses fatos a seu favor.

(Lilim): “Depois disso, nós perdemos o senso de tempo até que seu mensageiro chegou, e, bem…”

Lilim lutou para prosseguir, mas Fina já tinha perdido o interesse. Para ser franco, ela não podia se importar menos. Se chegar atrasado significava que Rudel foi iniciado nas artes secretas, ela iria até recompensa-las por isso.

(Fina): “Bom trabalho vocês duas. Vocês devem ouvir sobre a punição mais tarde, mas como vocês escutaram meu pedido egoísta, eu vou garantir que nada de ruim aconteça com vocês”

(Lilim): “Sua Graça[2]!”

(Cattleya): “Sua Graça!”

Vendo as duas partindo, Fina ordenou a Sophina que fizesse o Ministro entrar.

(Sophina): “Se você planeja punir elas, não deveríamos relatar isto para Sua Majestade[3]?”

(Fina): “Punir? Do que você está falando Sophina? Não faz sentido reportar isso para o pai. A pessoa que usou o Ministro foi minha irmã e, mole como ela foi com os detalhes, minha irmã conseguiu completar seu objetivo. Não seria estranho se houvesse alguém entre os superiores que simplesmente deixassem minha irmã agir como bem entendesse”

(Sophina): “Então, do que adianta chama-los aqui?”

(Fina): “Isso é simples. Eu só preciso fazer com que tudo siga como minha irmã planejou. A Guarda Real será estabelecida e o namorado dela, Fritz, pode ser o Capitão que eu não ligo. Vamos fazer o Ministro ajudar nisso também”

Sophina não podia aceitar que Fina estava deixando Aileen agir sem punição. Ela pensou que a conduta de Fritz na academia seria desnecessária no palácio. Mas o plano de Fina era o oposto.

(Fina): “Você está questionando minhas ações? Eu não estou deixando eles saírem ilesos. Além disso, eu estou ajudando minha querida irmã. Nós vamos estabelecer a Guarda Real e posicionar todos que compartilham da ideologia dela na equipe. (A discriminação com os Demi-Humanos é terrível entre os Cavaleiros do palácio. Nós vamos junta-los todos em um único lugar e roubar a autoridade deles… quando isso acontecer, eles vão ficar sem mão de obra, não vão? E se eles não tiverem pessoas o suficiente, então eles não terão escolha além de buscar recursos humanos de outro lugar!!)”

Uma organização chamada Guarda Real iria odiar fazer trabalhos simples ao redor do palácio. Prevendo isso, Fina se apressou para formar sua premeditada brigada de Cavaleiros Demi-Humanos. Na verdade, as ações de sua irmã Aileen tornaram mais fácil os movimentos de Fina.

Mesmo que, hipoteticamente, Aileen fizesse um movimento, a Guarda Real seria a peça dela. Fina precisaria preparar suas próprias peças. Seu pensamento sincero era usar isso como motivo para criar uma brigada de fofuras. Persuadindo seu pai e sua mãe, Fina preparou uma força de oposição.

Ela baseou suas ações na crença de que Aileen iria agir imprudentemente.

(Fina): “Agora as coisas vão ficar animadas. Primeiro, vamos botar esse Ministro para trabalhar… (Esses vilões insignificantes só estão aqui para serem esmagados e eu não vou me sentir mal sobre isso! Que maravilhoso!)”

Sophina só queria que Fina colocasse um pouco dessa determinação no bem-estar do país.


Mudando de localização para a academia, Rudel estava conversando com Izumi. Quando se tratava do evento principal do segundo termo, para o curso fundamental, era o treinamento na floresta. Para os alunos mais velhos, era o torneio individual.

Mas o tópico da conversa deles gradualmente fugiu do torneio. No início, eles falaram sobre quem eles iriam enfrentar desta vez e como o controle de |Mana de Rudel estava indo. Mas assim que Rudel disse que tinha aprendido uma nova técnica, Izumi segurou sua cabeça.

(Rudel): “Isso não é incrível!? O Dragão de Marty-sama pessoalmente me iniciou nas artes secretas! Eu ainda tenho um longo caminho a percorrer até chegar a Marty-sama, mas eu acho que já consegui me aproximar um pouco… Izumi, sua cabeça está doendo?”

(Izumi): “Rudel, pelo contexto, eu posso entender que você enfrentou um treinamento difícil. Mas entenda. Por que você só treina esse lado!? Isso é claramente estranho, não é!?”

(Rudel): “Quê!? O que você está dizendo? Que parte é estranha? A aplicação da ‖Magia da Água‖ é realmente difícil de aprender. Aquela textura escorregadia, ou melhor, aquela sensação requintada é consideravelmente difícil de reproduzir”

Diante de Izumi, Rudel falou acaloradamente sobre a “Arte da Loção”. Izumi segurou sua cabeça enquanto murmurava.

(Izumi): “Rudel, o que exatamente você está pretendendo? Isso não tem nenhuma ligação com os Dragoons. O mais forte de todos os Cavaleiros não estaria fazendo esse tipo de coisa”

(Rudel): “Você está errada Izumi! É precisamente porque eu vou ser o mais forte de todos que eu tenho que levar isso ao limite! Você quer que eu te diga sobre as lendas de Marty-sama? Sobre como ele invadiu um acampamento inimigo sozinho? Teve uma vez que ele até socou um Príncipe, você sabia!?”

(Izumi): “… isso não é traição? Um problema sério?”

Essa conversa, que não fazia muito sentido, continuou por um bom tempo.


[1] Lotion Play é um fetiche sexual que envolve o uso de loção corporal. Normalmente, esse fetiche envolve um dos participantes esfregando a loção no outro usando o próprio corpo.

[2] Sua Graça (em inglês Your Grace) é um termo usado para vários personagens sociais de alto escalão. Este tratamento é o penúltimo menor tratamento da nobiliarquia, estando acima apenas do de Senhoria.

[3] Sua Majestade é um tratamento destinado a monarcas. É uma palavra derivada do latim maiestas, que significa grandeza.