A decisão e a família

Com o intenso choque de escudo e espada, as faíscas se espalharam, cercando a arena com uma tensão que não foi sentida em nenhum dos combates anteriores.

Apesar de imperfeitas, as armas de ferro davam uma impressão diferente da transmitida pelas espadas de madeira. O som e as faíscas produzidas sempre que se encontravam e os gritos que começaram a aparecer na plateia.

Depois de terminarem o exercício prático para testar essa sensação diferente, ambos os lados tomaram distância um do outro. Essas espadas estavam sem corte, mas depois que elas se encontraram várias vezes, as lascas criaram bordas parecidas com serras. A espada de Aleist estava especialmente em um estado terrível.

Na única porção do ringue que eles estavam lutando, as marcas de cortes permaneciam.

Limpando o suor de seu rosto com a manga de seu braço esquerdo, Aleist mudou a pegada de sua espada. Mesmo agora, ele mostrava a Rudel um comportamento tranquilo, mas mesmo que elas fossem lâminas sem fio, a pessoa em questão não estava acostumada com a sensação de ser atacada por metal.

(Aleist): “Você ficou muito bom usando seu escudo. Você realmente só começou a usá-lo no último ano?”

(Rudel): “Não, eu estive aprendendo a usar o escudo desde o início. Eu pensei que nunca teria a chance de usar um, então eu parei no meio do caminho… mas o Javali me preparou um escudo, entende?”

(Aleist): “O Javali… você quer dizer… bem, eu escutei algo sobre isso”

Aleist escutou que a armadura de Rudel foi feita com a presa do Javali e ele escutou que, depois disso, o próprio Javali mudou a forma para Rudel. Sua armadura grosseira, graças ao Javali, se tornou algo digno do Dragoon Branco

(Rudel): “Ah, a propósito, meus dois olhos são olhos mágicos do Pássaro

(Aleist): “O quê!? Eu quero isso também!!”

Assim que eles terminaram suas brincadeiras, Rudel apontou sua mão esquerda e disparou magia. Enquanto ele usava isso como distração, várias bolas de fogo que não fariam bem para sua saúde começaram a voar em alta velocidade.

Aleist desviou de todas com seus movimentos aprimorados. Assim que essas bolas de fogo atingiram a parede, elas criaram grandes explosões, mas a barreira ainda estava em uso.

Atingido pela rajada de vento em suas costas, a postura de Aleist foi prejudicada só um pouco, e Rudel usou essa oportunidade para se mover. Conduzindo seu movimento de alta velocidade com ‖Magia do Vento‖, ele disparou em direção a Aleist.

Mas Aleist era o Cavaleiro Negro. Matéria negra na forma de lanças se estenderam de suas sombras, selando os movimentos de Rudel.

Da mão esquerda de Aleist, ele usou sua reserva de |Mana que poderia ser chamada de infinita para disparar uma torrente de magia. Rudel tinha que economizar |Mana, mas Aleist tinha um suprimento inesgotável, eliminando essa necessidade por completo. Em seus cinco anos na academia, Aleist também cresceu bastante.

Embora ele ficasse um pouco atrás de Rudel e Luecke, ele era excelente no uso de magia.

Da massa de magias intermediárias que seguiam até ele, Rudel ativou o escudo em sua mão esquerda para manifestar seu escudo de luz e bloquear todos os disparos. Mas uma batalha de magia de alcance médio colocaria Rudel em desvantagem. Com pouca |Mana, um confronto mais decisivo era mais desejável.

Aleist iria vencer em uma batalha de exaustão[1].

(Aleist): “Por Deus, no passado, eu iria usar uma magia avançada para criar uma abertura!”

Rudel entrou em seu movimento de alta velocidade de novo, e Aleist usou sua sombra para manifestar suas lanças ao redor dele. Com a aproximação de Rudel, as lanças em seu caminho iriam ser destruídas.

Como ele imaginou, as lanças no lado esquerdo de Aleist foram destruídas por Rudel e, despedaçadas, as lanças se dissolveriam antes de desaparecerem. Mas no momento que ele se preparou, as lanças pararam de quebrar e Aleist perdeu Rudel de vista.


Na sala de visitantes nobres, Cattleya e Lilim mas podiam acompanhar Rudel com seus olhos. Sophina estava confusa com esse estilo de luta desconhecido.

Isso era considerado uma habilidade indispensável para um Dragoon, mas, supostamente, ela deveria ser uma magia de emergência quando você estivesse caindo de seu Dragão.

Como Lilim tinha suas asas élficas, ela não aprendeu essas técnicas. Talvez você poderia chamar isso de magia para voar pelos céus sozinho. Ao comprimir e explodir o vento, você poderia mudar de direção e suavizar quedas, ou pelos menos era isso que era ensinado. Levando esses fatores em consideração, era mesmo desnecessário que um Elfo aprendesse isso.

Mas vendo Rudel usando a essência dessa técnica diante de seus olhos, elas não poderiam mais chama-la de medida de emergência.

Vendo a surpresa dessas três, o interesse de Fina cresceu. Ela propôs uma pergunta.

(Fina): “Que tipo de magia é essa?”

Sophina sacudiu sua cabeça inconscientemente, então ela dirigiu seus olhos para as duas Dragoons ao lado dela. Cattleya, ao lado de Sophina, deu uma explicação simplificada.

(Cattleya): “… ela é parecida com uma magia chamada de essencial para os Dragoons. É uma magia de emergência, mas eu nunca ouvi falar de alguém usando ela desse jeito”

Enquanto Lilim concordava, Fina se lembrou do Dragão de Marty. Ela se lembrou de que Rudel aprendeu técnicas além das carícias, mas não era tarefa de Fina se lembrar de qualquer habilidade que não envolvesse carícias.

(Fina): “É a magia que ele estava praticando daquela vez? (Mesmo assim, o mestre não é humano)”

(Lilim): “Daquela vez?”

Lilim se interessou pelas palavras de Fina. As Dragoons não foram informadas dos eventos que ocorreram na |Morada dos Dragões|.

(Sophina): “Pensando bem, ele estava praticando algo sobre o lago”

Sophina se lembrou da cena de Rudel praticando, mas ela nunca pensou que veria os frutos desse treinamento diante de seus olhos.

(Fina): “Sim, pensando sobre isso, foi uma viagem bem divertida Sophina… (Oh, os olhos das duas Dragoon ficaram afiados! Agora eu só preciso lembrar Sophina sobre… bem, eu acho que agora não é uma boa hora)”

Mesmo que Fina tenha mostrado prudência, o rosto de Sophina já tinha ficado vermelho. Com essa reação, para todos os adultos que entenderam que algo aconteceu, haveria alguém que iria ter um mal-entendido.

(Cattleya): “… hey, Alta Cavaleira que foge das obrigações, o que aconteceu?”

Com as palavras frias de Cattleya, Lilim também se juntou.

(Lilim): “Eu definitivamente gostaria de ouvir. Se a Princesa estava presente, então isto não seria um assunto sério?”

(Sophina): “Do-do que vocês estão falando!? Não houve nada de indecente! Só um pouco de loção e algumas massagens…”

Essas eram palavras desconhecidas, mas Lilim imediatamente entendeu que elas se relacionavam as carícias de Rudel. Virando seus olhos para Rudel no ringue, ela sentiu medo do conhecimento que ele obteve de mais uma técnica misteriosa.

Mas apenas Cattleya era diferente. Ao lado de sua excitada Senpai, ela suspirou assim que algumas palavras desconhecidas apareceram de novo.

(Lilim): “Você quer dizer que há algo ainda mais forte do que loção!?”

(Cattleya): “Não, Senpai… por massagem você quer dizer esfregar os ombros ou algo do tipo? Não importa como você olhe para isso, você está animada demais”

Cattleya ainda fazia pouco caso das carícias de Rudel. Enquanto Fina olhava para ela intrigada, por dentro, ela a olhava com desprezo. Ela ainda precisava aprender.

Sendo acusada de fugir de suas tarefas, Sophina olhou para Cattleya, certa de que ela não entendia o terror de Rudel. Dirigindo um sorriso significativo, ela ofereceu um aviso.

(Sophina): “Cattleya, você também deve experimentar isso algum dia… e não há como voltar”

(Lilim): “Isso mesmo Cattleya. Você vai ver um mundo com o qual nunca nem sonhou”

Até Lilim se juntou a Sophina, mostrando um sorriso parecido cheio de significado. Fina também olhava para Cattleya. Recebendo esses três olhares, Cattleya refletiu mais uma vez.

[Cattleya]: (“S-sério, o que é isto!?!?”)


No momento em que Aleist encontrou Rudel de novo, um escudo de luz se manifestou acima dele.

Usar um escudo para esmagar Aleist de cima era o plano de Rudel. Guardando suas lanças de volta nas sombras, Aleist fez um enorme número de braços se projetarem de suas sombras.

Esses braços negros que se estenderam para segurar o escudo gigante de Rudel desapareceram assim que tocavam ele como se derretessem com o calor.

(Aleist): “Isto é um pouco…”

Aleist queria sair de onde estava, mas sua mão esquerda estava esticada para controlar sua |Mana. Se ele se movesse, seu controle se tornaria difícil e ele seria esmagado com facilidade.

Ele produziu mão após mão para resistir, diminuindo a velocidade do escudo que caia rapidamente. Dessa forma, Aleist lentamente conseguiu a força para empurra-lo, mas contra Rudel, ele acabou usando muito de seu poder como Cavaleiro Negro.

Uma magia negra fluiu por seu corpo, tentando tomar controle de sua mente de novo.

Rudel, do outro lado do escudo, estava na mesma. |Mana radiante transbordava, exatamente como no ano anterior[2], ele sentiu que algo estava tentando assumir o controle de sua mente para derrotar o Cavaleiro Negro… para derrotar Aleist.

(Rudel): “Isto de novo…”

Desfazendo seu escudo, Rudel se moveu para o fim do ringue. Aleist emitiu um enorme fluxo de |Mana enquanto ele se retorcia de dor.

Os poderes desses dois ainda precisavam ser entendidos completamente, mas a magnitude deles tornava o controle difícil.

Rudel fechou seus olhos, direcionando sua consciência para o poder em seu peito. Uma existência tentando espremer seus poderes estava suplicando para que ele derrotasse o Cavaleiro Negro diante de seus olhos.

Por apenas um instante, as palavras de Sakuya ressoaram em sua cabeça. O rosto da Deusa que o disse para ser o mais forte de todos… não havia forma de ele mostrar essa forma vergonhosa de novo. Rudel decidiu em seu coração.

Abrindo seus olhos, Rudel gritou do fundo de seu coração. Vigorosamente reunindo sua força de vontade, Rudel subjugou a força do Cavaleiro Branco.

(Rudel): “Se você é meu poder, então cale a boca e me obedeça!!”

A |Mana transbordante emitida por seu corpo parou. Desta vez, como se fosse para cobri-lo, uma linha de luz flutuou a poucos centímetros de seu corpo.

Uma armadura de símbolos brancos se formou para cobrir o corpo de Rudel. Na frente de seus olhos, Aleist caiu sobre seus joelhos e segurou sua cabeça em dor.

E para Aleist, Rudel gritou.


Tomado pela escuridão, Aleist foi incapaz de usar sua força de vontade para subjugar o Cavaleiro Negro como Rudel fez.

Seu coração foi gradualmente devorado. Aleist foi arrastado para memórias de um passado distante.

(??? A): “O que você está olhando lixo?”

(??? B): “Ele só deveria morrer”

(??? C): “Hah? Confessar? Você está brincando comigo? Pare com isso, você está me fazendo rir”

(??? D): “Hah, hah, pare logo”

As memórias de antes de Aleist nascer como Aleist estavam voltando vividamente. Aa feridas de seu coração que ele tinha esquecido trouxeram de volta uma antiga dor.

As memórias de quando ele pensou que alguém gostando dele era desnecessário devoraram Aleist.

(Aleist): “Yeah, isso mesmo. Foi porque eu reencarnei neste mundo que a história se distorceu. Se eu apenas não estivesse aqui…”

Enquanto Aleist derramava lágrimas e negava sua própria existência, uma sombra negra estava se aproximando de suas costas. Para engolir Aleist inteiro, a sombra abriu sua enorme boca, mas então, ele escutou a voz de Rudel.

(Rudel): “O que você está fazendo Aleist!? Você planeja abandonar sua partida comigo!?”

A sombra nas costas de Aleist, diante do poder da luz branca que iluminava o coração de Aleist, se desfez. Mas mesmo agora, Aleist não podia se levantar.

(Aleist): “M-mas…”

(Rudel): “Muito bem! Se você não vai se levantar, eu só tenho que bater em você até você acordar”

(Aleist): “Eh?”

No instante seguinte, Aleist foi lançado no ar, sendo arrastado a força de volta a realidade. Ainda assim, seu corpo liberava a |Mana negra, mas só sua mente foi trazida de volta para o mundo. Com o seu despertar forçado, ele sentiu como se ainda estivesse vendo um sonho.

(??? E): “Eu realmente não quero ficar na mesma classe que ele”

(??? F): “Não tem amigos? Ele não é um fracasso como humano?”

(??? G): “Ele é apenas um otaku nojento…”

Enquanto Aleist segurava seu peito em dor, Rudel estava de pé diante de seus olhos parecendo radiante. Ele estava liberando luz e, além dessa luz física, a inabalável forma de viver de Rudel era ofuscante.

Enquanto Aleist encarava o ringue, ele começou a desistir. Ele nunca iria vencer. Dragado pelo poder do Cavaleiro Negro, a fraqueza em seu próprio coração estava derrubando ele.

Mas dos arredores, alguns incentivos apareceram para Aleist.

(Amigo A): “Se levante Aleist! Você vai aceitar perder deste jeito!?”

(Amigo B): “Millia está assistindo, sabia!?”

(Amigo C): “Mostre a Rudel quão forte você é!”

As vozes de seus amigos. Obtendo as primeiras existências que ele poderia chamar de amigos depois de ir para a academia, Aleist levantou seu tronco.

(Yunia): “Aleist-sama, você ainda pode se levantar, não pode!?”

(Juju): “Se você é um Cavaleiro, então se levante! E você ainda se chama de Cavaleiro Negro!?”

(Seli): “Aleist, não perca para Rudel!”

(Lux): “D-dê o seu melhor Senpai!”

(Nate): “Se for você, Aleist-san, eu tenho certeza que você pode vencer!”

Em seguida, as integrantes do harém de Aleist ergueram suas vozes. Apesar do sorriso sem graça em seu rosto, Aleist esticou sua mão para seus joelhos, se preparando para se levantar.

Ele subitamente se lembrou da garota que ele admirava no passado. Como Aleist, ela era uma garota que não se encaixava com o ambiente. Ele se lembrou de conversar com ela algumas vezes e ele se lembrou que ela nunca fez piada dele.

[Aleist]: (“Entendo, então Millia é parecida com ela…”)

Ao vividamente se lembrar do que tinha se tornado nebuloso, Aleist foi capaz de entender porque ele se apaixonou por Millia.

[Aleist]: (“Que patético… arrastando o passado por vinte anos inteiros…”)

Mais uma vez, Aleist escutou as zombarias atacando seu coração, mas ele as ignorou. Ele concentrou seus ouvidos para as vozes da realidade.

Ele parou de emitir sua |Mana negra e, exatamente como Rudel, uma negra insígnia de luz brilhante cobriu seu corpo. Assim que ele se levantou, sua forma tinha a cor oposta de Rudel.

Se Rudel era luz, então Aleist era sombra… era uma cena que fazia eles se parecerem com isso.

(Rudel): “Você finalmente se levantou Aleist”

(Aleist): “Eu sinto muito, eu precisei de algum tempo… você me acertou com muita força”

(Rudel): “Nós estamos no meio de uma luta. Você deveria pensar que eu tive muita misericórdia por não usar o golpe final”

(Aleist): “Yeah, é verdade. Então nós teremos que ir com tudo a partir de agora”

(Rudel): “Não seja estúpido! Eu estava indo com tudo desde o início!!”

Os dois se encararam mais uma vez, preparando suas armas.


Com o poder destrutivo que aumentava enquanto a partida prosseguia, Luecke estava com problemas para responder.

A aplicação da ‖Barreira‖ ainda era experimental. Assim que Rudel e Aleist subitamente aumentaram a potência, Luecke estava desesperadamente tentando resistir.

De outra forma, a arena já estaria destruída.

(Vargas): “Jovem mestre, isto é ruim! Os homens precisam descansar!”

(Luecke): “Não me chame assim Vargas! Mais importante, nós estamos mudando a formação. Se apresse e junte o pessoal nos pontos indicados!”

Se opondo aos dois que tentavam destruir a ‖Barreira‖, Luecke usou todo o seu poder para mantê-la. Embora ele não tivesse uma luta, manter a ‖Barreira‖ por todas as partidas colocou um considerável peso em Luecke.

Enquanto ele definitivamente queria mostrar a competência da Casa Halbades, mais do que isso, Luecke queria preparar um lugar para que seus amigos lutassem.

Para conceder os desejos de seus amigos, Luecke assumiu o papel que poucos iriam reconhecer. Olhando para Luecke de seu lado, Lena ofereceu uma proposta.

(Lena): “Luecke-san, Luecke-san”

(Luecke): “O q-quê?”

Luecke estava ocupado demais para lidar com ela e enquanto ele liberava um ar mais frio do que o normal, Lena apontou para o topo da ‖Barreira‖.


Ganhando o controle de seus poderes como Cavaleiros Branco e Negro e os utilizando, a intensidade da batalha deles aumentou.

Para combater as centenas de serpentes negras que Aleist invocou de sua sombra, Rudel usou seu escudo de luz para contê-las. Se os dois se aproximassem o suficiente, as espadas em suas mãos ou seus punhos iriam ser usados e Aleist iria até usar chutes.

Em cima do ringue onde eles já tinham desistido do combate a longa distância, a partida já tinha se tornado impossível para se acompanhar. A sombra negra de Aleist e a luz radiante de Rudel entrava no caminho e os espectadores não poderiam ver o que estava acontecendo.

Rudel se aproximou e usou seu escudo para atingir Aleist. Uma serpente se enrolou na espada em sua mão direita e ele não poderia usa-la. Aleist foi atingido pelo escudo algumas vezes e depois de redireciona-lo com o cabo de sua espada para amenizar o impacto, ele cumprimentou Rudel com um chute.

Assim que esse chute preciso atingiu o estômago de Rudel, ele fez uma leve expressão de angústia. Mas Rudel soltou a espada em sua mão direita, martelando seu punho em Aleist.

Enquanto Aleist voava, Rudel o seguiu em alta velocidade. Mas um enorme número de serpentes envolveu o corpo de Rudel, atrapalhando os movimentos dele.

Ele emitiu |Mana de seu corpo para afastar as serpentes, mas nesse momento, Aleist recuperou sua postura. Um relâmpago negro residia na espada de Aleist, formando uma espada mágica.

(Aleist): “Esta espada mágica do relâmpago sempre foi a mais complicada”

Assumindo sua postura com sua espada, Aleist estava certo que que o metal não seria capaz de resistir mais do que a madeira. Desde o início, sua potência já estava no máximo.

Por outro lado, Rudel, que estava fortalecendo seu corpo com magia, sentiu uma dormência em seu corpo.

(Rudel): “Essa era a sua especialidade. Eu nunca pensei que você aprimoraria ela a tal ponto”

Talvez porque Aleist estivesse se concentrando, as serpentes e lanças voltaram para suas sombras. Rudel desviou do ataque de Aleist enquanto pegava sua própria espada caída.

Assim que luz preencheu a espada de Rudel, ela tomou a forma de uma espada mágica. Mas desta vez, ela estava envolta em uma chama pálida. Quando a espada cercada por chamas, que tinha um leve tom de azul, se encontrou com a espada de Aleist. Rudel sentiu dormência, enquanto Aleist tomava alguma distância, surpreso pelo calor.

(Aleist): “Quente!”

Assim que Aleist pulou para trás, ele projetou lanças de sua sombra. Entre elas, alguns braços estavam misturados para capturarem Rudel.

Tudo isso foi queimado pelo balanço da espada de Rudel.

(Aleist): “Haha, você é mesmo inumano Rudel”

(Rudel): “E você é uma pessoa bem rude. Eu sinto muito por trair suas expectativas, mas eu sou humano”

Ambos estavam chegando aos limites de seus corpos. Seus símbolos estavam a ponto de se apagarem. Com respirações irregulares, eles pareciam poder desmaiar a qualquer momento, mas eles estavam rindo.

Rudel comprimiu sua espada mágica, uma espada de luz ofuscante se manifestou em sua mão direita e, em sua mão esquerda, um escudo parecido se manifestou. O que antes era um simples pedaço de ferro, agora liberava uma luz divina.

Aleist também sublimou sua espada. Ele poderia ter apenas esperado até que Rudel ficasse sem energia, mas isso seria algo que o próprio Aleist não aceitaria. Ele estava lutando um adversário que ele precisava enfrentar de frente e obter a vitória.

(Aleist): “Rudel, eu sempre quis que alguém me reconhecesse. Mas só para você, eu vou te forçar a me reconhecer!!”

Com as palavras de Aleist enquanto ele seguia em frente, Rudel não devolveu nenhuma palavra como resposta. Ele simplesmente brandiu sua espada. A espada de Aleist foi pega pelo escudo de Rudel, mas a espada de Rudel foi atingida pelas sombras de Aleist.

Essa espada que foi envolvida nessa escuridão elástica teve seu calor roubado em um instante. Aleist impregnou sua sombra com o atributo da água. Foi nesse momento que sua tentativa desesperada se provou um sucesso.

Mas ao mesmo tempo, a espada de Aleist perdeu para o escudo de Rudel e se estilhaçou. A |Mana de Aleist forçou sua espada de ferro a seu limite.

Jogando de lado sua espada, Rudel desferiu um soco em Aleist. Reagindo a esse movimento, Aleist curvou seu corpo para frente para evitar o soco.

Em sua posição inclinada, Aleist mirou o queixo de Rudel e desferiu um chute. Rudel bloqueou com seu braço esquerdo, mas o impacto rasgou o cinto que segurava seu escudo em seu braço, o fazendo voar para longe.

Como Rudel perdeu a iniciativa, Aleist tentou derrubar Rudel executando um chute descendente[3] enquanto ele se levantava. Rudel rolou para desviar tendo uma má premonição sobre a dor entorpecente que ele sentiu em seu braço esquerdo.

(Rudel): “Essa é a técnica da tribo dos Tigres. Eu me lembro desta dor”

(Aleist): “Yeah, é uma técnica executada com nada além de fortalecimento corporal. Eu realmente passei por vários problemas para aprende-la”

No passado, por culpa de Rudel, Aleist foi sequestrado e treinado pela tribo dos Tigres. Alguns anos atrás, ele pensou que isso era o inferno, mas agora que ele estava lutando com Rudel desta forma, ele estava agradecido.

A parede que não podia ser superada apenas com talento foi ultrapassada com a tribo dos Tigres. Com esse treinamento de combate, ele aprendeu técnicas com aqueles Tigres com caras de delinquentes assustadores.

Aleist esteve assustado demais para usar seus poderes ao máximo, mas agora ele poderia os usar adequadamente. Foi a primeira vez que ele sentiu o balanço de seu próprio poder maduro.

Rudel assumiu sua postura com seus punhos, com sua boca ele estava rindo. Aleist se afastou, mas talvez por Rudel estar encantado, como se ele estivesse ignorando a dor em seu braço esquerdo, ele lançou seu punho.

(Rudel): “Isso mesmo! Eu quero lutar com o seu melhor! Isto é completamente diferente daquela vez; enfrentar um você sério!!”

O avanço de Rudel foi corretamente respondido.

(Aleist): “Se-seu viciado por batalhas!!”

Mas talvez por estar com medo do sorriso de Rudel, ele estava com os olhos um pouco marejados.

Com o movimento de alta velocidade, que Rudel ocasionalmente usava e a duração da luta, Aleist começou a recuar. Se fosse uma luta justa, talvez Aleist tivesse a vantagem. Mas fosse esgrima ou magia, a partida era uma luta onde qualquer coisa aconteceria.

Foi esse tipo de regra que permitiu que Rudel usasse sua força ao máximo. Não importava o campo, Rudel era incapaz de ser o primeiro, mas ele poderia tomar o segundo lugar. Ele era do tipo multitarefa que poderia realizar qualquer tipo de atividade no campo de batalha.

Por outro lado, Aleist também era multitarefa, mas ele era feito de outro material. Enquanto Rudel iria arriscar sua vida, Aleist lutaria para proteger a sua. Estava claro quem possuía a ganância para triunfar em batalha contra um oponente forte.

Aleist, que confiava em suas trapaças, possuía uma base diferente. Mesmo que ele tenha se renovado, o que ele construiu nesses poucos anos era diferente de Rudel.

Quem sabe o vencedor tenha sido decidido no momento em que Rudel pôs os pés no domínio de Aleist. O mesmo território chamado de Cavaleiros Branco e Negro

Assim que a mão direita de Rudel golpeou o estômago de Aleist, a onda de choque o assaltou. A luz de seus símbolos negros ruiu e Aleist foi lançado a uma enorme distância.

Ao mesmo tempo, os símbolos brancos de Rudel desapareceram pela falta de |Mana.

Rudel ainda estava de pé, olhando para Aleist, que tentava se levantar. Mesmo que ele tentasse o perseguir, seu corpo não se moveria. Mesmo nesse estado, O maior de todos os desejos de Rudel era que Aleist se levantasse. Os dois não tinham mais poder para lutar, mas suas forças de vontade mantinham suas consciências.

(Aleist): “Hah, hah, isto é mesmo o pior. Eu deveria ter treinado mais… eu deveria… eu deveria… por que eu tenho que notar isso tão tarde…”

Se ele percebesse mais cedo, Aleist poderia ter obtido poderes muito maiores do que ele possuía. Ele subestimou o mundo como um jogo, mas agora lamentava todo o tempo que ele desperdiçou. Ele estava irritado consigo mesmo. Mas obter força e amadurecer eram problemas separados. Enquanto ele remoía sua irritação e tentava se levantar, Aleist podia ver o vencedor.

Os olhos de Rudel o observavam como se ele implorasse para que ele se levantasse. Chegando tão longe, se ele se levantasse ou não, não faria diferença para o resultado. Mas Aleist queria se levantar.

[Aleist]: (“Ao menos me deixe agir de forma maneira no fim. Eu realmente fui um idiota, mas pelo menos, eu posso bancar o superior diante de Rudel. Só este cara, eu quero que apenas Rudel me reconheça!”)

Açoitando seu corpo imóvel para se mover, Aleist tentou se levantar quando ele escutou uma voz nostálgica, sentindo um calor em suas costas e membros. Como se quatro pessoas estivessem o ajudando, ele ergueu seu corpo que não poderia mais ter forças.

(??? A): “Olhe, seu amigo está te esperando. Você não pode deixa-lo esperando”

(??? B): “Isso é bom, como esperado do nosso garoto. Nosso orgulho e alegria…”

As vozes nostálgicas pertenciam aos pais de uma vida que se foi, vozes que ele não seria mais capaz de escutar. Aleist sentiu as lágrimas em seu rosto e, assim que ele se levantou, ele pôde escutar os aplausos.

Tendo certeza de que o árbitro escutaria, as lágrimas de Aleist não parariam enquanto ele aceitava sua derrota com uma voz trêmula.

(Aleist): “Eu-eu perdi… o vencedor é Rudel!”

O árbitro escutou a voz de Aleist e, assim que ele subiu no ringue, ele fez uma grande declaração da vitória de Rudel. O entardecer já tinha pintado o céu de laranja e os espectadores mostraram aos dois uma salva de palmas magnífica.

Logo depois que o árbitro declarou o resultado, os dois caíram inconscientes ao mesmo tempo.


Abandonando sua consciência, Aleist se lembrou das vozes familiares que ele escutou no fim da luta.

As formas de seus pais flutuaram na escuridão. Mesmo que eles estivessem sorrindo, de alguma forma, eles pareciam infelizes.

(Aleist): “Ah, isto é um sonho? Por Deus, para eu subitamente sentir saudades de casa depois de chegar tão longe…”

Pessoas continuaram a aparecer da escuridão. Seu irmão e sua colega que se parecia com sua amada Millia. Seus pais abriram suas bocas. Primeiro foi seu pai.

(Pai): “Você precisa valorizar seus novos pais. E eu sinto muito por nunca ter notado. Eu sinto muito mesmo por ser um pai tão ruim…”

Derramando lágrimas, Aleist tentou chamar seu pai. Mas sua mãe esticou sua mão, derramando suas próprias lágrimas diante da forma mudada de seu filho.

(Mãe): “Você não precisa se forçar a suportar tudo isso… você realmente se saiu bem, resistindo até o fim. Mas está tudo bem agora. Você tem muitos amigos e muitas namoradas… você tem que fazer eles felizes”

Ele concordou enquanto chorava e, desta vez, seu irmãozinho timidamente coçou sua cabeça.

(Irmão): “… eu vou tomar conta da mãe e do pai. Então mano, você precisa fazer um bom trabalho desta vez. Não cause problemas demais”

A voz de Aleist não iria sair para seu detestável irmão. Ele concordou e enxugou suas lágrimas. E, finalmente…

(Colega): “Eu deveria ter te dito isso corretamente. Eu sinto muito. Quando você falou comigo, eu realmente fiquei feliz. Eu sempre fui ruim para conversar com pessoas e as coisas frequentemente ficavam esquisitas, mas… obrigado”

Enquanto sua família desaparecia na escuridão, Aleist esticou sua mão e estava a ponto de persegui-los. Mas ele parou. Ele deteve sua mão estendida para acenar para eles com um sorriso.

[Aleist]: (“O que eu estou fazendo? Me lembrando da minha família neste momento? Eu tenho que mostrar essa cena lamentável para minha família e aquela garota que se preocuparam comigo? Continue forte até o fim Aleist!”)

Gritando para si mesmo, Aleist tentou dar a eles um pouco de paz. Mesmo que fosse apenas um sonho, talvez por precisamente ser um sonho, ele conseguiu reunir sua coragem.

Ele chorou enquanto formava um sorriso e ele sabia que seu rosto estava estranho. Mas ele queria agir com força.

(Aleist): “Sou eu quem deveria pedir desculpas! Eu realmente sou grato… obrigado a vocês por tudo!!”

Mesmo que fosse um sonho, Aleist estava feliz por ter encontrado sua família e aquela garota. Ele teve a sensação de que tinha encontrado a prova de que também não estava sozinho naquele mundo.

Quando Aleist recobrou a consciência, ele pensou que teve um bom sonho. Mas a voz e o calor que ele sentiu na partida definitivamente permaneceriam em sua memória. Ele pensou que tinha passado por uma experiência peculiar, mas ele se lembrou que já tinha enfrentado a experiência impossível da reencarnação.

Ele subitamente percebeu que se acostumou bastante com este mundo e isso era estranho.

Mas da cama da enfermaria em que ele estava, como sempre, ele poderia ver os Três Lordes deitados em suas camas. Rudel estava na cama da janela, e a seu lado, Aleist, Luecke e então Eunius, nesta ordem.

Luecke ficou sem |Mana ao manter a ‖Barreira‖ durante a batalha entre Rudel e Aleist. Ele estava deitado com uma aparência de considerável dor em seu rosto.

Excluindo Luecke, todos estavam com os corpos cheios de bandagens, o ritmo de suas respirações enquanto dormiam preenchia o quarto iluminado pelo luar.

(Aleist): “Ah, então acabou como de costume… bem, isso não é nenhum pouco ruim”

Deitando em sua cama mais uma vez, Aleist fechou seus olhos e dormiu de novo. Ele ainda não sabia que alguns dias complicados iriam começar a partir de amanhã.


[1] Guerra de exaustão consiste na manutenção coordenada do ponto de combate, onde o objetivo é exaurir o potencial físico do inimigo através de bombardeios, inserções e demais formas de ataque em curto intervalo de tempo durante vários dias, não possibilitando ao inimigo reagrupamentos, reabastecimentos, descanso de tropa e demais ações militares. O fim que se busca nesse modo de combate é a rendição do exército inimigo.

[2] Essa luta aconteceu no capítulo 064, na primeira vez que Rudel e Aleist perderam o controle de seus poderes e destruíram as instalações da academia.

[3] Hammer Kick ou Axe kick é um chute em que o lutador levanta a perna para o alto e a desce em alta velocidade para atingir o alvo com o calcanhar.