Extra: A trovadora[1] (Parte 01)

Nota do Autor (Wai / Mishima Yomu)

Esta é uma história sem muita relação com a trama principal. Tenho esperanças que vocês aproveitem isso como uma história secundária onde os personagens de Dragoon fazem uma aparição.


Por um caminho lotado por multidões de pessoas passava a caravana de deslumbrantes carruagens.

O céu estava azul. O cenário colorido pelo confete esvoaçando era digno de elogios da única Princesa na maior das carruagens.

Dentro da carruagem havia apenas essa linda garota, junto ao jovem Cavaleiro que servia como seu guarda.

A ovação escondeu os sons do ambiente. De dentro da carruagem, a jovem garota usando um vestido acenou com sua mão. Sua pele era pálida e seu frágil corpo magro dava a impressão que ela poderia se quebrar ao meio. E então havia seu cabelo azul encaracolado, que poderia ser chamado de sua característica mais notável.

Seu cabelo azul reluzente e ondulante crescia até o final de suas costas. Enquanto ela acenava da janela, sua mão esquerda escondida apertava seu pingente… o item que provava que ela era da linhagem real, um item com a forma de um pequeno ovo de ouro gravado com o selo amaldiçoado de |Celestia|.

Todos celebraram o nascimento de uma nova donzela do santuário[2], se alegrando enquanto eles ofereciam a Princesa Cleo Celestia da linhagem real de |Celestia|.

Com isto eles estariam seguros. Eles teriam paz por mais algumas décadas. Cleo entendia o que estava na mente de todos.

Em primeiro lugar, esses aplausos e os sorrisos nos rostos das pessoas, tudo isso… era a felicidade com o próprio sacrifício dela.

A Cleo de olhos verdes, sob seu sorriso, ela não era capaz de pensar em nada. Ela nasceu para fazer isso. O papel dela finalmente chegou, nada mais, nada menos.

Seria lamentável demais para sua irmã mais nova. Seus irmãos não seriam capazes de realizar a função.

O clã criado como sacrifício iria regularmente oferecer uma mulher no intervalo de algumas décadas. As pessoas iriam pensar nelas como donzelas oferecidas para o Deus Guardião deles.

Cleo era da realeza. Mas pela paz do país, ela iria oferecer sua própria vida para o protetor… que trágico. Aos olhos do povo que não sabia nada, parecia que a família real estava apenas cumprindo sua obrigação.

Na verdade, sangue real fluía pelas veias de Cleo. Mas esse sangue foi cuidadosamente preparado fora da atual realeza. A família de Cleo estava meramente sendo mantida viva, um clã de sacrifícios reais apenas no nome. A fonte de energia para a arma milenar, que demandava vida a cada intervalo de algumas dezenas de anos.

Para reabastecê-la, Cleo foi assim enviada para morrer.

Ela iria continuar na carruagem, seguindo para uma montanha na orla do continente. Ela iria entrar nas ruínas de um vulcão ativo de uma montanha, oferecer sua vida para a arma e esse seria o fim. Correto, era assim que tudo deveria ter acabado.

Cleo achou estranho quando a carruagem parou em um local que não tinha sido planejado. Quando ela pensou que eles tinham encontrado algum tipo de problema, no instante seguinte, os Cavaleiros ao redor agindo como guardas começaram a avançar para frente.

E Cavaleiros se reuniram ao redor deles também. Vestindo a armadura branca cerimonial, essas elites de |Celestia| se gabavam de seu treinamento e devoção que não ficavam atrás dos ⌈Altos Cavaleiros da enorme potência de |Courtois|.

(Cavaleiro A): “Protejam a Princesa!”

(Cavaleiro B): “Não importa como, nós temos que protegê-la desses bandidos”

(Cavaleiro C): “Merda! Eles estavam escondido no meio da multidão!”

As coisas não pareciam estar indo muito bem do lado de fora.

(Cleo): “Por que isso está acontecendo…”

Enquanto Cleo ficava surpresa, o jovem Cavaleiro a cobriu.

(Cavaleiro D): “Princesa, se abaixe! Será perigoso se um flecha voar em nossa direção!”

Mesmo se eles tentassem fugir, eles eram incapazes de sair da rua principal lotada de pessoas. Eles poderiam apenas confiar na carruagem, construída não apenas com pompa, mas com robustez também.

Assim, seguindo as palavras de seu guarda… não, do Cavaleiro vigiando ela, Cleo não tinha escolha além de humildemente tremer.

O nome do jovem Cavaleiro era Emilio Balhart. Seu cabelo verde era longo e ele era um Cavaleiro justo de |Celestia|. Chamado de criança prodígio de |Celestia|, assim que entrou na escola de Cavaleiros, ele facilmente mudou esse título para o de gênio.

Mesmo depois de se alistar em uma brigada, seus rumores iriam todos o exaltar. Seu serviço só durou poucos anos, mas era dito que ele estava a caminho de se tornar Capitão dos Cavaleiros e ele era considerado como o Cavaleiro mais forte do país.

Muitas mulheres iriam invejar a posição de ser protegida por ele. Mas pensando de forma contrária, isso significava que havia a necessidade de uma vigilância forte o bastante para despachar um Cavaleiro de elite.

[Cleo]: (“Mãe…”)

Cleo sentia que os sons da batalha do lado de fora gradualmente aumentavam de intensidade, assustada demais para ajudar. Mas embora ela tenha vivido por nada além de ser um sacrifício, ela odiava o pensamento de morrer sem cumprir seu papel. De outra forma, sua irmã mais nova teria que ser oferecida em seu lugar.

[Cleo]: (“Só até as ruínas… nós só precisamos chegar no altar. Por que eles não nos deixam em paz?”)

Para proteger a garota à beira das lágrimas, Emilio, que se manteve vigiando o lado de fora, soltou sua voz. Cleo precisou de algum tempo antes de perceber isso.

(Emilio): “É perigoso aqui Princesa! Precisamos nos retirar”

(Cleo): “… eh? Não podemos Emilio. A cerimônia não pode começar sem mim. Além disso, se voltarmos depois de chegar tão longe, o posicionamento do Palácio…”

(Emilio): “Neste momento, sua vida é mais importante Princesa! Vamos nos retirar e reorganizar nossa formação. A carruagem da frente está sendo atacada, então não podemos prosseguir assim. Temos que ir para fora”

A carruagem na frente carregava os instrumentos cerimoniais. Levou muito tempo para prepará-los. Apesar de ela não querer descartá-los, ela entendia o significado das palavras de Emilio e pulou da carruagem.

Emilio puxou ela pela mão, e enquanto eles deixavam a carruagem, a rua repleta de aplausos mudou para sons intensos de batalha. Do lado de fora, ela podia escutar ainda mais barulhos que chegava até seus ouvidos. Junto ao ruído de metal se chocando, havia a sensação de magia sendo disparada.

Cleo queria fugir do local. Ela não sentia pena dos Cavaleiros ao redor, pois este era o trabalho deles. E seu próprio trabalho pedia que ela oferecesse sua vida.

Ela disse isso a si mesma enquanto fugia com Emilio, que a puxava pelo caminho. No caminho deles, um homem que provavelmente se infiltrou no meio da multidão segurava uma arma na mão enquanto ia até eles. Emilio puxou sua espada para derrubar a arma da mão do homem.

(Emilio): “Fique no chão, malfeitor!”

Por ora, talvez priorizando a fuga deles, Emilio correu para o espaço entre os prédios na rua principal sem dar o golpe final. Cleo nunca esteve em um lugar desses antes. Diferente das ruas principais, um cheiro desagradável flutuava pelo local.

Ao mesmo tempo, havia lixo espalhado pelo lugar, dificultando a fuga.

(Emilio): “Princesa, só mais um pouco”

(Cleo): “Eu sinto muito Emilio. Eu não te causei nada além de problemas…”

Enquanto Emilio continuava correndo pelos pequenos espaços entre prédios, ele parecia um Cavaleiro confiável para Cleo. Quando ela não fazia ideia de onde ela estava e até começava a esquecer que caminho eles seguiram, Emilio continuou prosseguindo em frente.

Ele virou para a direita e depois para a esquerda. Ele desceu as escadas.

Assim que eles deixaram a passagem estreita, um pequeno rio corria. Um cheiro terrível diferente veio de lá. Era o cheiro de uma drenagem[3].

(Emilio): “Isto pode ser duro para você Princesa, mas tudo isto é para fugirmos”

(Cleo): “Eu sei. Eu não pretendo me incomodar com esses detalhes triviais”

Pensando que a mão de Emilio a permitiria fugir, assim que os sons de batalha ficaram distantes, Cleo recuperou um pouco de sua compostura. Se um aliado aparecesse ali, ela teria mais paz de espírito. Mas parecia que aqueles que apareceram não eram aliados.

(Emilio): “É um beco sem saída”

Assim que eles tentaram atravessar a ponte, eles foram cercados pela frente e por trás. Diferente daqueles que se infiltraram com o povo, os homens de agora vestiam robes com espadas presas em suas cinturas. Pela tranquilidade com que eles as seguravam, eles provavelmente iriam vencer se pressionassem com números.

Três na frente e dois atrás.

Cleo deu um forte aperto na mão de Emilio antes de soltá-la. Emilio mudou a pegada de sua espada de uma mão para uma pegada com as duas mãos.

(Emilio): “Princesa, deixe isto comigo”

(Cleo): “Estou contando com você Emilio.”

Se fosse Emilio, chamado de Cavaleiro mais forte de |Celestia|, então ele seria capaz de superar este dilema. Cleo acreditava nisso.

Os homens de robe sacaram suas espadas. Emilio assumiu sua postura também. Protegendo Cleo no meio da ponte, ele se manteve atento com os inimigos em ambos os lados.

… foi nesse momento…

(Soldado A): “Princesaaaa!”

Não eram Cavaleiros de elite, mas Soldados que corriam em seu auxílio. Os homens encapuzados estalaram suas línguas antes de fugirem.

(Cleo): “Estamos salvos Emilio”

Aliviada, Cleo chamou Emilio. Mas Emilio não parecia tão otimista. Seu aperto em sua espada permanecia firme enquanto ele encarava os Soldados correndo para eles.

[Cleo]: (“O inimigo está usando um disfarce?”)

Ela se sentiu desconfortável, duvidando dos Soldados que corriam em seu auxílio, mas se Emilio não baixou sua guarda, ela pensou que deveria o imitar.

Os Soldados notaram a suspeita deles e se apressaram em guardar suas armas.

(Soldado A): “Nós somos, um… nós fomos designados para proteger o pequeno portão além deste ponto. Nós estamos de folga no momento, e nós fomos para a estrada principal. Querendo ter um vislumbre da Princesa partindo para o ritual. De qualquer forma, nós vimos a Princesa e o companheiro correndo e nos apressamos para ajudá-los. Minhas desculpas”

A cidade era cercada por muros, e além do portão principal para utilização regular, havia outros portões por onde se podia passar. A comporta[4] para deixar a água do rio entrar encaixava nessa descrição. Havia inúmeros pequenos portões, e com o objetivo de protegê-los, normalmente, havia Soldados permanentemente destacados.

Mas esse não era o tipo de lugar em que Cavaleiros seriam colocados. Se algo acontecesse, eles poderiam selar os portões a qualquer momento, assim, tais lugares eram ocupados por Soldados contratados.

Cleo olhou para os equipamentos deles e viu a ferrugem do equipamento dos vigias ao redor de suas cinturas.

O grande homem que parecia ser o líder possuía um rosto não barbeado e parecia especialmente selvagem. O homem magro com a lança parecia estar mal de saúde e um pouco inseguro. Quanto ao pequeno homem gordo, uma porção de seu estômago até escapava do equipamento fornecido a ele.

Os homens pareciam totalmente suspeitos, mas eles estavam os olhando com culpa. Assim que Emilio andou para frente, Cavaleiros e Soldados começaram a aparecer atrás deles.

(Cavaleiro E): “Encontrei eles!”

(Cavaleiro F): “Sério!?”

(Cavaleiro G): “É verdade. Eles realmente sobreviveram!”

Um dos Cavaleiros que corria até eles era um dos guardas de Cleo. Vendo o rosto dele, ela se sentiu realmente aliviada. O pequeno homem gordo falou com um pouco de orgulho.

(Soldado Gordo): “Hmhmhm, eu pensei que isto fosse acontecer, então eu chamei os Soldados. Eu desenhei setas na parece pelo caminho, para ter certeza que eles chegariam aqui sem problemas. Quero dizer, nós nos perdemos direto aqui”

(Soldado Barbudo): “Nada mal Soldado!”

(Soldado Alto): “É verdade. Você fez bem garoto!”

O homem não barbeado e o homem alto elogiaram o pequeno. Vendo isso, Cleo ficou sem palavras. Mas era certo que eles eram aliados. Segurando sua espada, Emilio falou.

(Cleo): “Parece que está tudo bem”

(Emilio): “Sim. Parece que eles estão do nosso lado. Eu estava a um passo de atacá-los”

Embainhando sua espada, Emilio olhou para o grupo de três Soldados.

(Cleo): “Sim, eu estou realmente feliz por nunca termos chegado a isso”

Uma aliviada Cleo seria guiada direto para o palácio, protegida pelos Cavaleiros e Soldados. Quando ela voltou para a rua principal que foi controlada, os Cavaleiros caminharam acompanhando as setas que o homem roliço desenhou. Olhando para o caminho por onde ela passou rápido demais, os becos parecidos com um labirinto e o cheiro fizeram sua cabeça girar. Toda a tensão que ela nunca tinha sentido antes foi postergada até esse momento.

Então, o homem encarregado murmurou culpado.

(Líder dos Cavaleiros): “Minhas desculpas Princesa. Quanto aos instrumentos cerimoniais, eles foram destruídos no ataque. Um raio de magia atingiu diretamente a carruagem, e eles se tornaram impossível de se usar”

O que significava que a cerimônia não poderia ser realizada. Os instrumentos preparados especificamente para esse dia foram perdidos, e Cleo lamentou que ela seria incapaz de cumprir seu dever. Embora ela tenha nascido para cumprir sua função, isso não era mais possível.

(Cleo): “Não há o que fazer. Tenho certeza que o pai irá preparar substitutos imediatamente. Nós devemos exercitar nossa paciência”

Com as palavras de Cleo, os Cavaleiros também ficaram com rostos irritados. Eles não poderiam cumprir seus papéis. Você poderia dizer que isso era natural. No meio disso tudo, Emilio fez uma expressão descontente.


No Palácio Real do |Reino de Courtois|, três Cavaleiros temporariamente chamados das fronteiras mostraram seus rostos no escritório da brigada de Cavaleiros a qual eles eram associados.

O autoproclamado Charmoso Em Seu Auge, o Capitão Oldart, mostrou um sorriso diante desses três. O olhar dele estava principalmente direcionado para a capaz Major Bennet. Uma Cavaleira da tribo dos ⌊Lobos e parceira de um ⌊Dragão da Água, ela era a oficial de mais alto nível entre os três.

(Oldart): “Yeah, bom trabalho em sua missão nas fronteiras Major Bennet”

(Bennet): “Senhor! É uma honra”

Entusiasmada com seu trabalho, Bennet possuía uma pequena estatura e aparência fofa, mas estufando seu peito, ela fez uma esplêndida saudação. O Capitão desviou seus olhos para o lado para observar os outros dois.

O primeiro era o Tenente Keith. De forma parecida com Bennet, ele era um Dragoon que montava um ⌊Dragão da Água, mas o Capitão não queria se envolver demais com ele, então ele fez um elogio vago.

(Oldart): “Ah, Keith, você se sai…”

(Keith): “Suas palavras são demais para mim! Para transmitir meu grande deleite, hoje nós dois vamos…”

(Oldart): “E finalmente, Rudel”

Cortando Keith rapidamente, Oldart finalmente olhou para seu alvo real, Rudel. O Cavaleiro que montava um ⌊Dragão Branco… um futuro Arquiduque, um jovem homem com ambos status e fama. Mesmo dentro da brigada de elite dos Dragoons, ele era consideravelmente notável.

Desde o momento de seu alistamento, ele continuou criando lendas, e ele era um jovem homem problemático que alguns chamavam de novo legado. Com cabelos prateados e olhos azuis[5], ele olhou para o Capitão como uma criança faria.

(Oldart): “Rudel… é que. Você precisa trabalhar um pouco mais”

(Rudel): “Por que isso!?”

Pelos motivos pessoais de Oldart, sua avaliação de Rudel era baixa. Assim que Rudel ficou depressivo, Bennet o chamou.

(Bennet): “Rudel, você está diante do Capitão. Endireite sua postura. Se você está insatisfeito com sua avaliação, então empenhe seu esforço para mudar isso. Você não tem tempo para ficar desanimado. O que importa é o resultado”

Com as palavras de Bennet, Rudel concordou e endireitou suas costas. Assim, Bennet também acenou com a cabeça.

(Bennet): “Isso mesmo”

Vendo essa relação de superior e subordinado, Oldart falou com Rudel.

(Oldart): “É por isso que eu odeio você!”

A cena de Bennet, a existência considerada como ídolo para os Dragoons, sendo gentil com seu subordinado Rudel era uma que Oldart não poderia se fazer aceitar. Por ela… pela aparência adorável de Bennet, ela era uma existência valiosa igualmente adorada por subordinados e superiores.

[Oldart]: (“E eu vou te dizer, a forma de Bennet-chan se remexendo nervosa depois que um subordinado a chamou de fofa foi a mais fofa!”)

Ele era esse tipo terrível de Capitão, mas ele parou com as brincadeiras. Para falar sobre trabalho, ele puxou um envelope da gaveta de sua escrivaninha. Ele detalhava uma missão que parecia não ser particularmente importante.

(Oldart): “Muito bem, isso conclui as piadas. Estou mudando de assunto, mas Rudel, uma missão especial foi preparada para você”

(Bennet): “Mas por quê!?”

(Keith): “Isso é terrível Capitão!”

Desta vez, Bennet e Keith ergueram suas vozes. Oldart suspirou enquanto continuava. Bennet não queria que seu subordinado ideal, Rudel, partisse. Keith… depois de pensar bastante, Oldart mudou sua linha de pensamento.

(Oldart): “Eu disse a vocês, eu não estou brincando. Esta não é uma missão de longo prazo. Você conhece o país de |Celestia| com que temos uma aliança? Nos disseram para preparar um guarda Dragoon para eles”

Colocando o envelope na mesa, Oldart puxou um papel de dentro dele. Nele, os detalhes do incidente em |Celestia| estavam escritos. Rudel aceitou o papel e ficou com uma cara confusa.

(Rudel): “Baseado no que está escrito, não seria ruim para eles usarem um Cavaleiro de outro país?”

Oldart acenou com sua mão esquerda com desdém enquanto respondia.

(Oldart): “Com o ataque, há os sentimentos dos civis, entende? Eles querem passar a imagem que eles estão usando um Dragoon e eles estão o fazendo se matar de trabalhar. Isto está ficando político, mas seria complicado para |Courtois| se um pequeno país se arrastasse em questões do passado para sempre. Já que chegamos a isso, eles estão enviando os chamativos você e Sakuya para mostrá-los que somos muito melhores do que eles! Ou é isso que os superiores estão pensando. Aliás, aconteceu isso e aquilo, e no que se refere ao resultado, seria melhor se nós despachássemos alguém”

Quando se tratava de política, Rudel tinha pouca informação para usar e tomar uma decisão, então ele colocou os papéis sob seu braço e prestou continência[6]. Oldart estava aliviado por Rudel não ter recusado a missão. Se ele fizesse, com aquele título dúbio de futuro Arquiduque, isso seria um problema.

Nesse sentido, foi de grande ajuda ele ser diligente em seu trabalho. Enquanto ele brincava sobre diminuir a avaliação de Rudel, ele estava adequadamente avaliando o trabalho de Rudel. Mesmo quando foi enviado para a zona de fronteira, ele sabia que Rudel estava trabalhando duro em suas tarefas e no desenvolvimento da região.

Do ponto de vista de Oldart, se apenas seu status fosse removido, ele seria um subordinado competente.

(Bennet): “Mas Capitão, Rudel tem supervisoras designadas”

Bennet trouxe para a discussão as supervisoras de Rudel… aquelas que o acompanhavam sob o nome de Inspetoras Especiais, fazendo Oldart se lembrar das duas Cavaleiras.

(Oldart): “Ah, aquelas garotas. Levar elas junto, por que não? Não, definitivamente, leve elas também. Eu fico preocupado com Rudel sozinho”

(Keith): “… se você está preocupado, eu devo ir também? Mesmo que eu tenha essa aparência, eu sou mais instruído sobre etiqueta do que qualquer mulher estrangeira ou qualquer ⌊Elfa

Quando Oldart disse que ele estava preocupado, Keith se intrometeu na conversa. Ele tinha a sensação de que havia ira incluída na parte “mulher”, e que isso provavelmente não era sua imaginação.

Contudo…

(Oldart): “Rejeitado. Eu não posso te enviar para um importante país aliado. Santo Deus”

Para a exasperação de Oldart, Keith ficou abalado. “Como você desvirtuou isso de uma forma tão conveniente para você?”, Oldart olhou para a expressão de Keith e pensou.

(Keith): “Capitão, você me quer ao seu lado, então t…”

(Oldart): “Errado! Não se aproxime!”

Oldart ficou nervoso de verdade, e, se levantando de sua cadeira, ele colocou suas costas contra a janela enquanto gritava. Ambos Rudel e Bennet olharam para os dois com surpresa. Mas isso era uma missão, então Rudel olhou para o conteúdo dos documentos mais uma vez. Talvez Bennet também pensasse que a conversa tinha terminado, enquanto ela seguia para o lado de Rudel e confirmava o conteúdo.

(Bennet): “Se eles estão enviando meu subordinado, eles vão precisar da minha assinatura”

(Rudel): “Você tem razão. Há uma linha para a sua assinatura Major. É todo seu”

(Bennet): “Correto. Porque eu sou sua Oficial Comandante!”

Vendo Bennet se alegrando com as palavras Oficial Comandante, Oldart se sentiu curado enquanto ele tentava fazer algo sobre esta situação com um indivíduo perigoso se aproximando.

(Oldart): “Oy, Keith, não ultrapasse essa linha!”

(Keith): “Não está tudo bem Capitão? Dê uma olhada ali, isto é tudo parte da comunicação entre superior e subordinado!”

(Oldart): “Seu idiota, se afaste!”

O escritório de Oldart estava bem caótico.


[1] Trovador, na lírica medieval, era o artista de origem nobre do sul da França que, geralmente acompanhado de instrumentos musicais, como o alaúde ou a cistre, compunha e entoava cantigas. Normalmente, os trovadores eram homens, mas houve trovadoras, também nobres.

[2] O sacerdócio xintoísta é aberto às mulheres. Para além de sacerdotisas, as mulheres podem ainda ser mikos (巫女). Uma miko é uma virgem que leva uma vida monástica, ajudando os sacerdotes a executar os ritos nos templos e executando as danças sagradas. Exercem estas funções durante cinco a dez anos.

[3] Drenagem é o ato de escoar as águas de terrenos encharcados por meio de tubos, túneis, canais, valas e fossos, sendo possível recorrer a motores como apoio ao escoamento. Os canais podem ser naturais (córregos) ou artificiais (de concreto simples, concreto armado ou gabião). Os sistemas de drenagem podem ser urbanos ou rurais e visam escoar as águas de chuvas e evitar enchentes.

[4] Comporta é uma porta móvel que contém as águas de uma represa, de um dique, de um açude etc.

[5] Não sei quantos de vocês perceberam, mas esta é a primeira vez que o autor fala sobre a cor dos cabelos e dos olhos do Rudel.

[6] Continência é a saudação militar e uma das maneiras de manifestar respeito e apreço aos seus superiores, pares, subordinados e símbolos, como a bandeira nacional, por exemplo. Ela deve ser feita em pé, com a movimentação da mão direita até a cabeça, com a palma da mão para baixo, e pode ser individual ou da tropa. Algumas pesquisas indicam que a continência foi criada na época medieval, onde os cavaleiros, para identificarem-se aos seus superiores abriam a parte frontal de seu elmo, com um movimento similar ao de prestar continência. O gesto também indicava paz nestes tempos mais antigos, pois a mão no elmo sinalizava que o cavaleiro não possuía a intenção de sacar sua arma.