Prólogo

Por favor Deus…

… isso dói.

… é solitário.

Mesmo se eu tentar apertar o botão para chamar a enfermeira, minha visão está estreita. Está ficando escuro e eu nem sei onde está.

Este coração incrivelmente doloroso. Esses pulmões que não conseguem respirar… eles me disseram que eu não tenho muito tempo.

E mesmo que isto seja algo que eu já tenha me preparado inúmeras vezes, meu coração rejeita este fim com toda a sua força… eu não quero morrer assim.

Eu vivi uma vida que não pode trazer alegria para ninguém.

Eu virei refém de uma cama desde que entrei na escola. Assim nunca tive nenhum amigo.

Até as enfermeiras que me tratam com tanta gentileza já estabeleceram que nosso relacionamento é meramente profissional.

Eu sei que até meus pais, em alguma parte de seus corações, já me culparam por essa minha vida fraca que ainda não se apagou mesmo depois de tanto tempo.

Tenho certeza que mesmo se morrer, todos irão me esquecer.

Esses lençóis brancos; esta pilha de livros; o som mecânico do equipamento médico; isso é tudo o que existe neste mundo que me cerca.

Memórias sobre correr debaixo do Sol são coisas impossíveis para mim.

Eu nunca brinquei com alguém com toda a minha vontade, nem entrei em uma briga com ninguém.

Uma memória feliz o bastante para que eu nunca esqueça… tal coisa não existe em minha mente.

Aaah… sério, que vida triste.

Ficar sozinha dessa forma… não é a forma como eu quero morrer.

Para mim, morrer sem que ninguém sinta minha falta…

Para mim, morrer depois de viver uma vida tão vazia…

Porém, não é como se esses sentimentos levassem embora a dor que sinto no meu coração.

Este é o fim.

Mesmo se eu chamar pelas enfermeiras, eu irei morrer.

Neste caso…

Eu estiquei minha mão trêmula para o livro na mesa atrás de mim.

Talvez eu não seja capaz de alcança-lo.

Talvez eu não seja capaz de segura-lo.

Mas, no momento final, mesmo que esta minha vida não deixe nada para trás… no final, eu quero morrer me sentindo feliz.

Eu quero tocar este meu amado, adorado, sonhado, cheio de esperanças, livro.

Aaah.

Se eu puder nascer de novo, desta vez, eu quero viver uma vida como a dele.

Minha mão esticada caiu nos lençóis brancos, vazia.