A ocupação única de Carol

O número de pessoas na frente da estátua da Deusa aumentou, então nós decidimos seguir nosso caminho.

O armazém com tijolos vermelhos… ou melhor, o posto de comércio de Escravos estava bem perto.

Eu entrei no posto de comércio de Escravos junto de Carol e Haru.

(???): “… bem-vindos… eh… Carol… você já terminou?”

Uma encantadora mulher de cerca de 40 anos de idade com longos cabelos vestindo uma longa saia disse isso. Ela estava fumando algo em seu cachimbo. No lugar do tabaco comum, isso exalava um cheiro extremamente suave, mas eu não era um grande fã desse tipo de fragrância.

(Carol): “Estou de volta Madame Quince”

(Quince): “Esta pessoa é?”

(Carol): “Ele me ajudou depois que os aventureiros que me contrataram morreram”

(Quince): “… entendo. Carol, volte para seu quarto. Eu vou falar com ele”

Carol obedeceu às palavras de Quince e partiu.

Mesmo assim, ela não se despediu. Que pessoa indiferente.

Bom, eu arbitrariamente ajudei ela, então eu não deveria esperar por gratidão, huh.

(Quince): “Me desculpem, essa garota vive em desespero”

Exalando fumaça de sua boca, Quince falou. Vivendo em desespero…

Eu me lembrei do pedido dela para matá-la.

(Quince): “Esse foi o quarto grupo de aventureiros que partiram com ela e enfrentaram a aniquilação. Mesmo se todos não tivessem sido mortos, o número de mortes já ultrapassou dois dígitos”

(Ichinojo): “… por que isso acontece?”

(Quince): “Aquela garota é dona de um emprego único”

(Ichinojo): “Emprego único?”

Eu inclinei minha cabeça para o termo desconhecido e Haru me explicou sobre isso.

Empregos únicos são empregos inatos[1] adquiridos desde o nascimento.

(Haru): “Os mais famosos são Herói, Lorde Demônio, Realeza e Nobreza. Nobres nascem com o emprego de Nobre, por isso existe um ditado que diz que os Plebeus nunca irão se tornar Nobres não importa o quanto eles tentem. Além disso, apesar de serem menor número, há empregos que só podem ser adquiridos por indivíduos específicos independente do Level de seu emprego. Há alguns que são inatos e alguns que podem ser adquiridos. Os donos de empregos únicos não podem mudar facilmente para outros empregos e eles possuem habilidades peculiares que só podem ser usadas por seus empregos únicos”

(Ichinojo): “Então, é isso o que você quis dizer com empregos únicos…”

Empregos que só podem ser adquiridos por pessoas específicas, huh.

Pensando sobre isso, naquela vez com a Deusa… entre as bênçãos apresentadas por Koshmar, havia uma para me tornar um ⌈Herói.

(Quince):Tentadora… é o emprego daquela criança”

(Ichinojo):Tentadora? Não parece um emprego relacionado a Carol”

(Quince): “À noite, um feromônio que atrai monstros é liberado pelo corpo dela. Aparentemente, é um emprego desse tipo. Foi quando ela tinha 14 anos de idade que esse emprego único subitamente apareceu e ela ficou imobilizada”

(Ichinojo): “Imobilizada?”

Mais uma vez eu escutei um termo estranho, então eu pedi para me explicarem o termo. Apesar de me sentir mal por constantemente interromper a história.

(Haru): “Isso se refere a uma situação onde uma pessoa não pode mudar de emprego nos templos comuns. Ou quando a troca de emprego não pode ser feita a não ser por alguém acima do bispo-sama”

Eu entendi depois de escutar a explicação de Haru.

(Quince): “No período da noite, ou em lugares onde o Sol não chega, por exemplo: se ela entrar em um |Labirinto| que segue pelo subsolo, no fim, ela irá atrair todos os monstros ao redor… contudo, os monstros atraídos nunca irão atacar Carol. Essa é a parte surpreendente sobre a Tentadora. Mas então, de acordo com a literatura, se a Tentadora ferir os monstros que foram atraídos, o estado hipnótico será desfeito e até mesmo ela será atacada”

(Ichinojo): “Então aqueles aventureiros enterraram Carol em um buraco para atrair os monstros, huh…”

(Quince): “Ah. É porque houve muitos pedidos para coletar a pele do Urso Marrom por altos preços. Nesta época do ano, os Ursos Marrons raramente aparecem em locais populosos, então eles queriam tentar usar o poder dessa criança… mesmo se ela for enterrada no chão, o feromônio irá se espalhar pelos buracos para ela respirar”

Quince disse e se levantou.

(Quince): “Graças a esse poder, aquela criança precisa dormir em um quarto hermético[2], então é complicado de várias formas, mas mesmo assim, a demanda por seu aluguel é alta. Já que ela é uma criança conveniente se você utilizar ela corretamente. Obrigado a vocês dois por trazerem ela de volta. Não parece que ela sofreu nenhum ferimento, então isso é um agradecimento”

Depois de dizer isso, Quince pegou uma pequena bolsa contendo moedas.

(Ichinojo): “… obrigado…”

Eu peguei a pequena bolsa de moedas e me curvei.

Eu não ajudei ela pensando no dinheiro, mas eu acredito que isso foi uma cortesia de Quince.

Assim, nós deixamos o posto de comércio de Escravos.

(Haru): “Mestre… quem sabe, com a habilidade do mestre?”

(Ichinojo): “… eu devo ser capaz de trocar o emprego de Carol… mas…”

Eu olhei para o emprego de um homem passando na nossa frente.

⟦ ⌈Carpinteiro Lv17

Eu mudei o emprego do homem para Plebeu em minha mente.

No entanto… o emprego dele não se alterou.

Eu tentei isso antes, mas eu só consigo mudar os empregos de meus companheiros.

Graças a isso, eu não posso secretamente mudar os empregos de outras pessoas.

Eu teria a opção de trocar o emprego de Carol se eu alugar ela.

Contudo, o que eu deveria fazer depois disso?

Há uma grande chance de Quince descobrir sobre minha habilidade para trocar empregos.

Para trocar o emprego dela sem que ninguém além dela saiba, minha única opção é comprar Carol.

Isso não me parece uma ideia ruim. Isso também resolveria os problemas de Carol.

Entretanto, se nós encontrarmos a mesma situação de novo, eu vou resolver ela da mesma maneira e vou continuar comprando Escravos?

E eu vou revelar meus segredos para todos eles?

Estou com medo de pensar nisso.

(Haru): “… quer dizer, nós não temos o bastante para comprar Carol agora. Devemos ir para a Guilda de Aventureiros?”

(Ichinojo): “Isso mesmo. Já que parece que a pele do Urso Marrom está sendo comprada por um bom preço, vamos vende-la agora”


Nota do autor (Yousuke Tokino):

Não tem dinheiro?

Vá ganha-lo!


[1] Inato significa que pertence ao ser desde o seu nascimento; inerente, natural, congênito.

[2] Completamente fechado, tapado de maneira a impedir passagem de ar e qualquer outra coisa.