Construído sem sensores

Normalmente, apenas um tipo de magia pode ser usado por vez?

Mas eu posso usar elas normalmente, não posso? Além disso, a mesma magia não pode ser usada em sequência devido ao tempo de espera.

Essa é a terceira vez que eu estou entrando na sala da estátua da Deusa como também é a terceira vez que vejo a estátua de Koshmar-sama, incluindo aquela dentro da igreja.

Como de costume, a estátua da Deusa era fiel a original… já que elas foram feitas pelas próprias Deusas-sama, não é de se estranhar que elas sejam tão bem reproduzidas.

Contudo, como elas fazem isso?

Olhando em um espelho… mas fazendo isso elas saíram invertidas. Elas pedem para outra Deusa-sama criar a sua estátua?

Ou… elas fazem um molde delas mesmas e enchem de gesso?

Se há a necessidade de produzir estátuas em massa, então essa seria a maneira mais eficiente.

Muito bem, eu vou trocar para meus empregos de Mulherengo e Caçador.

Assim, minha |Sorte vai aumentar bastante.

Para qualificar a quantidade de |Sorte, vamos dizer que minha |Sorte atual é equivalente a passar por uma situação onde a pessoa na sua frente desembarca na próxima estação justo quando você está entrando em um trem lotado. Mas se for com o aumento de agora, eu acredito que tenho |Sorte o bastante para ganhar o selo do serviço postal de ano novo.

Algum dia, eu quero atingir um nível de |Sorte que me permita ganhar os pacotes especiais de cidades natais[1].

A propósito, pessoas já me perguntaram se pacotes especiais não seriam irrelevantes para minha família, mas isso não é verdade, Miri ganhou uma vez.

Se eu me lembro bem, naquela vez, nós trocamos ele por um sortimento de Tsukudani[2].

A partir desse momento, eu notei claramente a distinção entre o senso de valores de Miri e as outras crianças.

Agora, se eu fosse trocar um pacote especial por algo, o que seria bom?

(Ichinojo): “Seria arroz com certeza”

(Haru): “Arroz?”

(Ichinojo): “Não, não ligue para isso”

Eu acabei pensando em voz alta. Já que eu não fui capaz de comer arroz ultimamente, eu meramente senti que arroz seria o mais saboroso para mim agora.

Já que sem arroz você não pode comer sushi ou curry[3].

Entretanto, mesmo que exista arroz, eu duvido que neste mundo exista o costume de comer peixe cru e parece que seria difícil conseguir todos os temperos que eu quero para comer curry.

… eu acabei pensando sobre meus desejos na frente da Estátua da Deusa.

(Ichinojo): “Muito bem, devemos rezar para a Deusa-sama? Aliás, Haru, que prêmio você gostaria de receber?”

Assim que eu perguntei a Haru, Carol, que estava ao meu lado, falou…

(Carol): “Eu escutei que se você pensar no que quer receber na frente da estátua da Deusa, será mais difícil de obter”

Então, a teoria de um sensor de ganância existe no |Outro Mundo| também, huh.

Mas é parecido com a teoria que diz: “A chance de o lado da torrada com manteiga cair no carpete é proporcional ao preço do carpete”. Essa é uma representação da Lei de Murphy[4].

(Ichinojo): “Bem, provavelmente isso é um mito. A Deusa-sama não seria tão perversa assim”

Eu podia dizer isso.

Tomando como exemplo o trem lotado de antes, é o mesmo que pensar: “Estou me sentindo muito cansado. Eu espero que a pessoa na minha frente desembarque”, mas só por você estar desejando isso, o passageiro na sua frente dificilmente se levantará.

Afinal, isso é decidido pela sorte.

(Haru): “Isso é verdade. Eu gostaria de uma habilidade de combate, habilidades para detecção de inimigos ou uma espada”

(Ichinojo): “E quanto a Carol… ah. Você não precisa dizer se você não quiser”

Já que, parecido com o sensor de ganância, mesmo que muitas pessoas entendam que a má sorte não é lógica, eles não são capazes de ignorar suas superstições.

Porém, parece que minha preocupação foi em vão.

(Carol): “Vejamos. ‖Magia Espacial‖ seria boa se estivéssemos conversando sobre habilidades convencionais. No entanto, é uma habilidade bem rara, então as chances de obter ela são quase zero”

(Ichinojo): “Eh. O que é isso?”

Espadachim Mágico é bom, mas essa habilidade também tem um ótimo nome.

(Carol):‖Magia Espacial‖ é literalmente a magia que manipula o espaço. Fuga instantânea de |Labirintos| e estoque de itens em um subespaço já foram confirmados”

(Ichinojo): “Uwa. Essa é uma bela trapaça”

Muito bem. Eu também vou mirar na aquisição da ‖Magia Espacial‖.

Já que nós já nos decidimos em quais serão nossos desejos, nós nos alinhamos diante da estátua da Deusa e oferecemos nossas preces.

Assim, eu estava no espaço totalmente branco.

Eu já até me acostumei com este lugar depois de vir aqui pela quarta vez.

(Ichinojo): “Já faz um bom tempo, Koshmar-sama”

Mesmo depois de olhar para a Deusa-sama diante de meus olhos, eu já não penso mais nela como uma Deusa Orc.

(Koshmar): “Como sempre, a voz de seu coração parece escapar incontrolavelmente”

Koshmar-sama coçou seu queixo duplo, ou quem sabe triplo, enquanto ela falava isso como se estivesse desistindo.

Desculpe, por favor, perdoe o que o meu coração fala.

(Ichinojo): “Erm. Eu quero perguntar algo para Koshmar-sama”

(Koshmar): “Ah. Sobre a sua irmã?”

(Ichinojo): “É claro que isso também, mas minha capacidade para usar múltiplos tipos de magia consecutivamente é graças a influência do Desempregado?”

(Koshmar): “Eu acho que sim. Suas companheiras, Haurvatat e Carol, também seriam capazes de usar dois tipos de magia se elas tentassem”

Koshmar-sama falou como se soubesse disso desde o início.

(Ichinojo): “… talvez, o número de magias que eu posso usar é o mesmo que o número de empregos que posso escolher?”

(Koshmar): “Acredito que sim. Mas isto está cheio de exceções, então eu realmente não sei te dizer. Você… você cortou fora pernas com o ‖Corte‖, não foi? Isso também é originalmente impossível”

Agora que ela mencionou isso, eu acho que já ouvi sobre isso antes. A influência do Desempregado parece ser surpreendentemente grande.

(Koshmar): “Se alguém descobrir isso, você pode dizer que é uma habilidade concedida pela Deusa-sama. Ninguém irá investigar se você falar isso. Há muitas habilidades incomuns que são concedidas nos |Labirintos|

(Ichinojo): “Entendido. A propósito…”

Eu perguntei sobre o assunto que eu estava mais ansioso, Miri.

Ela está bem?

(Koshmar): “Eu investiguei isso. Sua irmã mais nova está atualmente seguindo para o Monte Fuji”

(Ichinojo): “Para o Monte Fuji?”

O Monte Fuji não era o lugar para onde ela não queria ir de jeito nenhum?

(Ichinojo): “Mas por quê?”

(Koshmar): “No momento ela está muito bem se você estiver preocupado”

Bom, eu não estava pensando em algo como “Por que você iria para o Monte Fuji mesmo estando resfriada?”

Quem sabe… ela pretende espalhar minhas cinzas na cratera do Monte Fuji?

Eu com certeza estou morto daquele lado afinal.

Eu me pergunto se isso não vai se tornar um problema.

Mesmo assim… cinzas no Monte Fuji, huh.

Eu ri involuntariamente.

(Ichinojo): “Me desculpe, eu me lembrei de um conto do passado”

Notando Koshmar-sama na minha frente, eu inconscientemente pensei em uma desculpa.

Porém, meu coração deve ter sido lido de qualquer forma.

(Ichinojo): “Ah. Mesmo eu tendo dito que era um conto do passado, não é algo da minha infância, é um conto de fadas. É algo que começou há muito tempo. Mas, esse conto é provavelmente mais famoso por começar com ‘Era uma vez’”

“Era uma vez, um homem velho que cortava bambu. Ele ia até as florestas e colinas para coletar bambu e usava eles para criar vários produtos”

Ela começava com essa frase e é, na verdade, a história mais antiga do Japão.

O Conto do Contador de Bambu[5].

Será que o livro de ilustrações da Princesa Kaguya é mais famoso?

No fim do conto, o elixir da imortalidade, presente da Princesa Kaguya, foi enterrado no topo do monte. Por isso o Monte Imortal se tornou o Monte Fuji[6].

Essa era a piada.

Eu realmente não estava rindo da ironia de espalhar as cinzas de um morto no lugar onde o elixir da imortalidade foi enterrado em um conto de fadas.

No livro ilustrado original para o Conto do Cortador de Bambu… eu ri quando me lembrei sobre a Princesa Kaguya.

Pelo que eu me lembro, Miri só lia livros que falassem da Princesa Kaguya. Além disso, vários tipos de livros específicos sobre a Princesa Kaguya estavam em sua estante.

Então, eu perguntei…

(Ichinojo): “Você gosta da Princesa Kaguya?”

Quando eu perguntava isso, Miri sempre iria responder…

(Miri): “Eu odeio ela”

Mesmo ela dizendo que odiava a Princesa, ela continuava a ler.

O ódio era certamente uma mentira e ela obviamente gostava dela.

Durante o ensino fundamental, eu pensei comigo mesmo que ela na verdade tinha os atributos de uma tsundere[7].

(Koshmar): “No fim, era uma história de quando você era jovem. Então, o que você vai querer? Você não precisa da recompensa por completar o |Labirinto|?”

(Ichinojo): “Preciso! Por favor me dê!”

Quando eu disse isso, roleta, caixa da loteria e dardos apareceram.

E pela terceira vez, eu encarei a roleta.

(Koshmar): “Você planeja escolher a roleta?”

(Ichinojo): “A ‖Magia Espacial‖ está disponível em algum desses?”

(Koshmar): “Não. Se a ‖Magia Espacial‖ pudesse ser adquirida com a probabilidade de 1/34, o mundo estaria cheio de usuários de ‖Magia Espacial‖

A ‖Magia Espacial‖ também não estava presente nos prêmios dos dardos.

(Ichinojo): “… então, para a loteria, eu só preciso colocar minha mão dentro?”

(Koshmar): “Correto. Você planeja escolher a loteria?”

(Ichinojo): “… sim”

Loteria, huh.

Era uma caixa de madeira com altura, comprimento e largura de quase 30 centímetros, com um buraco em cima que estava coberto por uma escuridão anormal, tornando impossível ver o tinha dentro.

Eu não sabia qual a probabilidade de adquirir ‖Magia Espacial‖.

Era basicamente um Gacha[8] sem a lista de probabilidades e de prêmios.

(Koshmar): “Então, jogue em nome de Carol”

(Ichinojo): “Eh? Está tudo bem para eu jogar pelos três?”

(Koshmar): “Sem problemas. Você aumentou sua |Sorte para isso, não foi?”

Eu fiquei agradecido, mas, consequentemente, minha responsabilidade ficou maior.

Bem, da última vez, o prêmio que Carol recebeu foi uma quantia questionável de 1.000 sense.

(Ichinojo): “Tudo bem. Estou indo”

Eu coloquei minha mão dentro da caixa.

Era uma caixa pequena, então eu vou atingir o fundo imediatamente, ou foi o que eu pensei. No entanto…

A caixa era funda!

Eu mergulhei com força, então eu coloquei minha mão até o ponto em que meu ombro chegou no buraco.

Isto não é ‖Magia Espacial‖?

Eu senti como se… existissem pequenas bolas dançando dentro da caixa.

Eu puxei uma bola de lá.

‖Decifrar‖?

Era o que estava escrito na bola.

Era uma bola negra com palavras brancas.

Parece ser uma habilidade.

(Koshmar): “É uma habilidade que decifra textos antigos”

(Ichinojo): “… outro prêmio questionável… desculpe, Carol”

(Koshmar): “É uma habilidade que os estudiosos desesperadamente procuram”

Koshmar-sama acrescentou, mas como não somos estudiosos…

A próxima é Haru.

Eu coloquei minha mão na caixa.

Hnnnn. Se for uma habilidade de combate, bem, vai ser o suficiente.

Ruja, minha |Sorte!

Eu puxei uma bola.

Então, uma bola vermelha apareceu.

(Ichinojo): “… [Arco do Vento]

(Koshmar): “Ooo. Você venceu. [Arco do Vento] é um arco que não precisa de flechas. Quando você puxa a corda, você pode liberar uma flecha feita de vento”

Então é um arco mágico, huh. Sem dúvidas é um item raro, mas por não conseguir nem uma habilidade de combate ou mesmo uma espada…

Minha |Sorte não está funcionando, não é?

(Koshmar): “Eu vou colocar isso lá fora. O [Arco do Vento] é um item raro que pode ser vendido por oito moedas de ouro”

… várias vezes mais do que as [Medalhas Raras], huh.

Com certeza é uma vitória.

No geral.

Muito bem, o último sou eu.

Eu coloquei minha mão na caixa.

Desta vez… eu quero a ‖Magia Espacial‖! Se for impossível, ao menos uma espada que eu possa dar a Haru!

Eu concentrei todos os nervos da ponta de meus dedos.

Eu posso ver! Eu posso ver!

As bolas espalhadas como se fossem estrelas brilhando no espaço infinito.

Do meio delas, a bola brilhante… eu agarrei a bola brilhante e puxei minha mão para fora da caixa.

‖Magia Quotidiana‖.

eh?

Título: Conquistador do Labirinto II evoluiu para Conquistador do Labirinto III

⟦ Habilidade de Recompensa: ‖Magia Quotidiana‖ evoluiu para ‖Magia Quotidiana II‖

Eu inclinei minha cabeça com o resultado inesperado enquanto Koshmar dizia…

(Koshmar): “Você tem muita sorte. ‖Magia Quotidiana‖ só pode ser obtida como recompensa por completar um |Labirinto|, então não existem muitas pessoas que chegaram a adquirir ‖Magia Quotidiana II‖

(Ichinojo): “Erm. Deusa-sama, eu quero perguntar só mais uma coisa”

Eu cautelosamente tentei perguntar a Koshmar-sama, mas ela leu meu coração e respondeu de antemão.

Aparentemente, não existe nenhum sensor de ganância.


Nota do Autor (Yousuke Tokino)

Todos ganharam. Além disso, eles conseguiram ótimos prêmios.

Já que um fracasso resultaria em uma esponja…


[1] Esse serviço de pacotes especiais de cidades natais é um tipo de serviço japonês que vende e distribui especialidades locais de diferentes regiões do Japão.

[2] Tsukudani é um alimento em conserva cozido em molho de soja e mirin, um condimento muito usado na culinária japonesa.

[3] O curry é uma mistura de especiarias muito utilizada na culinária de países como Índia, Tailândia e alguns outros países asiáticos.

[4] A lei de Murphy diz que se algo pode dar errado, dará. Murphy era o engenheiro aeroespacial Edward Aloysius Murphy e formulou sua lei em 1949 depois de descobrir que estavam mal conectados todos os eletrodos de um equipamento para medir os efeitos da aceleração e desaceleração em pilotos.

[5] O Conto do Cortador de Bambu (em japonês, Taketori Monogatari), também conhecido como Princesa Kaguya (ou Kaguya Hime), é uma narrativa popular japonesa do século X considerada a mais antiga narrativa japonesa existente. Ele detalha principalmente a vida de uma garota misteriosa chamada Kaguya-hime, que foi encontrada quando bebê dentro do caule de um bambu brilhante. Ela se diz ser de Tsuki-no-Miyako, “A Capital da Lua”.

[6] Imortal em japonês é Fushi.

[7] Tsundere, em japonês, define uma personalidade que é inicialmente agressiva, que alterna com uma outra mais amável.

[8] Os termos gashapon ou gachapon se referem a um tipo de máquina de venda automática muito popular no Japão que oferecem, em troca de uma ficha, bonecos feitos de plástico PVC, bastante detalhados. Essa técnica passou a ser usada em jogos japoneses para os jogadores comprarem itens especiais, desbloquear personagens, etc.