A lua sem coelho

Durante a noite, Carol e eu nos revezamos como vigias.

Como Haru iria ser a cocheira mais uma vez amanhã, eu deixei ela dormir primeiro.

É claro que não esqueci de usar o ‖Limpar‖ para substituir nosso banho.

Já que Carol ficou com o primeiro turno de vigilância, Haru e eu estávamos descansando na carruagem enrolados em um cobertor.

É lógico que eu deixei “aquilo” para outro dia.

Afinal, eu não posso deixar Haru cansada e, acima de tudo, o local estava completamente visível para quem estava do lado de fora.

Como a carruagem tinha espaço suficiente, eu poderia dormir separado de Haru e não teria que sofrer aquele nervosismo que eu senti durante a noite inteira de anteontem.

Eu pedi para Carol me acordar quando a Lua passasse as árvores ao Sul.

Carol provavelmente pensa que ela deve ficar totalmente responsável pelo turno de vigia porque ela é uma Escrava, mas eu também não quero deixar uma garota atuar como vigia sozinha.

Nós acabamos com o nosso cenário atual depois de chegar a um acordo.

Além disso, eu disse a ela que iria ser o único vigia a partir de agora se ela quebrasse a promessa dela.

 (Carol): “Ichino-sama, é hora da troca”

Eu fui acordado por Carol.

Parece que chegou a hora de substituir ela.

A Lua certamente está acima das árvores.

Enquanto esfregava meus olhos sonolentos, eu sentei em uma pedra próxima da fogueira.

Quando eu dei um grande bocejo, Carol sentou do lado oposto ao meu.

(Carol): “Ichino-sama, está tudo bem se conversarmos?”

(Ichinojo): “Nós podemos, mas será difícil para você amanhã, não é?”

(Carol): “Não terei problemas. Carol é filha de Mascates, okay? Carol está acostumada com esse tipo de coisa”

Mesmo que ela seja filha de Mascates, os pais deveriam fazer seus filhos dormirem a noite.

Mas, bom, Carol pode dormir dentro da carruagem a qualquer momento, então isso não importa.

(Carol): “Ichino-sama, as estrelas estão lindas, não é?”

(Ichinojo): “Yeah. Muito lindas”

Me pergunto se existe algum lugar no Japão que podemos ver um céu tão estrelado.

Eu acabei pensando que talvez fosse possível em ilhas não habitadas ao Sul.

(Carol): “Carol pensou que Carol não seria capar de ver o céu estrelado nunca mais”

(Ichinojo): “… entendo. Isso é verdade”

Depois que Carol virou uma Tentadora, ela não poderia mais sair à noite devido a sua habilidade única.

Já que ela iria liberar feromônios que iriam atrair monstros.

(Carol): “Quince-sama fazia isso com frequência, mas normalmente, ninguém iria reservar um quarto privado para uma Escrava. Mesmo assim, as noites eram solitárias. Graças a isso, anteontem, quando Carol pôde dormir na mesma cama que o mestre, Carol estava extremamente feliz”

(Ichinojo): “Entendi”

(Carol): “Na última noite também, mesmo que ‘aquilo’ tenha acontecido, Carol ainda está feliz”

(Ichinojo): “Un. Por favor, esqueça sobre isso”

Na verdade, eu também quero esquecer sobre o que aconteceu logo.

Além disso, além de esquecer, eu gostaria de não cometer o mesmo erro.

E então…

(Carol): “Hoje também. Ser capaz de falar com Ichino-sama deste jeito… Carol está extremamente feliz”

(Ichinojo): “… é mesmo?”

(Carol): “Sim”

(Ichinojo): “Entendo… tudo bem”

Eu acariciei a cabeça de Carol.

Eu desmanchei o cabelo roxo dela.

Sério, que criança fofa.

Enquanto eu bagunçava seu cabelo e acariciava a cabeça dela, ela se apoiou em meu ombro.

O cabelo roxo foi iluminado pela luz da fogueira.

(Ichinojo): “Carol, você tem certeza que não quer dormir?”

(Carol): “Um pouco mais… está tudo bem se eu ficar assim só mais um pouquinho?”

(Ichinojo): “Yeah…”

As estrelas brilhavam lindamente.

Acima disso, uma linda Lua cheia também estava brilhando.

Não importava o quanto eu olhasse para as crateras da Lua, não havia nada parecido com um coelho[1].


Na manhã seguinte…

A verdade é que nós dois dormimos… isso não foi uma piada. Exatamente 20 minutos depois que Carol dormiu, eu caí no sono. E também não estou brincando ao dizer que esquecemos de guardar as [Ervas de Mana] na minha [Bolsa de Itens] assim que elas ficaram secas antes do Sol nascer.

Além disso, assim que eu mostrei as frutas que eu encontrei ontem para Carol, descobrimos que elas não eram adequadas para o consumo, então simplesmente tomamos nosso café da manhã com a comida que estava dentro da minha [Bolsa de Itens].

Entretanto, eu usei metade do |MP que eu recuperei para usar a ‖Alquimia‖.

Consequentemente, o trabalho de hoje será pensar em um nome para o cavalo, algo que eu estive postergando até agora.

Hn. Um cavalo branco. Como eu sou ignorante quanto a corrida de cavalos, eu só conheço o Oguri Cap[2], mas ele era um garanhão[3].

Como imaginei, eu preciso escolher um nome original.

Branco… neve… boneco de neve.

Que tal Yukinobu[4].

Espere, esse não é um nome que combina com este mundo de fantasia.

(Ichinojo): “Neve… cavalo… cavalo de neve. Espere. Eu sinto que não precisa ter cavalo no nome”

Se esse é o caso, vamos pensar no nome de Haru.

De qualquer forma, ele foi domado por Haru.

A cor dos dois é o branco, então a estação que conecta essa cor seria o inverno.

(Ichinojo): “Já sei. Fuyun[5]. Também é fácil de lembrar”

Eu espiei do assento do cocheiro para ver a condição do cavalo branco.

O cavalo branco me encarou e bufou… foi isso o que pareceu para mim.

Não. Não foi um mal-entendido. Ele definitivamente está tirando com a minha cara.

… este cara… eu deveria fazer sashimi[6] de cavalo com ele?

(Haru): “Eu acho que é um bom nome. O que você acha? Fuyun?”

Quando Haru perguntou isso para o cavalo, ele relinchou animado.

Yup. Eu definitivamente vou comer esse cavalo algum dia.


Depois de decidirmos o nome do cavalo, nós avançamos ainda mais para o Sul.

Por volta do anoitecer, nós vimos uma cidade.

Nós também podíamos ver o rio além da cidade. Era um rio enorme.

(Haru): “Esta é a cidade postal da fronteira. Nós vamos entrar em |Dakyat| hoje? Ou nós vamos fazer isso pela manhã? O procedimento para atravessar a fronteira deve levar uns 30 minutos”

(Ichinojo): “Vamos entrar hoje se conseguirmos. Eu quero obter algumas informações sobre |Dakyat| e será mais conveniente se atravessarmos a fronteira”

(Haru): “Como esperado do mestre. Para se antecipar tanto assim”

Haru me elogiou, mas isso não é algo que qualquer um iria pensar?

(Carol): “Ichino-sama, por favor, tire todos os produtos de sua [Bolsa de Itens]

(Ichinojo): “Ah. É verdade”

Desta vez, nós estamos entrando na cidade como Mascates.

Aparentemente, a taxa de entrada terá um desconto.

Mesmo que esteja tudo bem pagar uma quantia maior, nós teremos que pagar a taxa de entrada do outro país também. Não faz mal nenhum economizar sempre que possível.

(Ichinojo): “Pensando bem, se eu mudar os empregos de Haru e Carol para Plebeias, os pontos de experiências que eu vou receber não vão ser distribuídos entre nós três quando eu pagar a taxa, da mesma forma quando derrotamos monstros? Já que estamos em um grupo”

(Carol): “Não. Só a pessoa que paga a taxa irá ganhar os pontos de experiência”

Entendo. Então isso funciona desse jeito.

Muito bem. Vamos entrar em |Dakyat|.

Eu extraí mais da metade das caixas de madeira onde os minérios de ferro convertidos em ferro puro estavam, assim como as pimentas da minha [Bolsa de Itens] enquanto entrávamos na cidade da fronteia com o objetivo de entrar no país que nós ainda não conhecíamos.


Nota do Autor (Yousuke Tokino)

Eu acabei deixando esse post como um rascunho. Desculpem pelos 55 minutos de atraso.

Foi um tempo conveniente para conversar, então a história secundária de Jofreli vai sair amanhã… ou melhor, ela deve ser trocada para o lançamento de hoje.

Eu tive uma viagem difícil onde eu dormi pouco.


[1] Coelho lunar, também conhecido como coelho de jade, é uma história a respeito de um coelho que vive na Lua, baseado na semelhança dos relevos lunares que formam a figura desse mamífero. A história existe em diversas culturas, particularmente no folclore da Ásia Oriental, onde ele aparece socando um almofariz (um utensílio que serve para moer pequenas quantidades de produtos). No folclore chinês, costuma ser retratado como o acompanhante da deusa lunar Chang’e, produzindo para ela constantemente o elixir da longa vida; nas versões japonesa e coreana, no entanto, o animal está simplesmente misturando os ingredientes de um bolo de arroz.

[2] Oguri Cap era um famoso cavalo de corridas japonês.

[3] Garanhão é o termo usado para cavalos destinados à reprodução.

[4] Yuki pode ser traduzido literalmente como “neve”.

[5] Em japonês, inverno se pronuncia como Fuyu.

[6] Sashimi é uma iguaria da culinária japonesa que consiste de peixes e frutos do mar muito frescos, fatiados em pequenos pedaços e servidos apenas com algum tipo de molho.