A cidade sobre a ponte

(Carol): “Desculpe por não te contar sobre isso”

Carol disse isso, mas ela não parecia estar arrependida, além disso, ela me mostrou um sorriso de uma criança satisfeita que acabou de pregar uma peça em alguém.

(Ichinojo): “Não se preocupe, eu pude ficar realmente surpreso porque você não me disse nada. Obrigado… então, por que tem uma cidade aqui?”

Cidade… isso mesmo, era uma cidade.

Mesmo eu tendo chamado ela de cidade, ela não tinha nenhuma construção parecida com uma casa, mas também não havia apenas barracas e lojas alinhadas, havia também o que pareciam ser áreas de descanso.

(Carol): “Ichino-sama, isto não é uma cidade. Ela não é reconhecida como uma cidade. O motivo para isso é que esse lugar não pertence nem a |Arundel| nem a |Dakyat|

Isso é verdade. No momento, eu saí de |Arundel| a ainda não entrei de |Dakyat|.

Entendo, este lugar certamente não pertence ao território de nenhum país.

(Carol): “Viver na ponte não é reconhecido e construir prédios na ponte também não, mas o comércio é legalizado. Originalmente, este lugar era usado para auxiliar nas transações entre Mercadores de |Arundel| e de |Dakyat|. Usando esse sistema, crianças que vinham vender o peixe que pescaram no rio começaram a aparecer. A partir de então, lojas de bento, lojas de lembranças, marcenarias e muitas barracas começaram a aparecer uma atrás da outra e chegamos no estado de hoje. Não há necessidade de pagar taxas quando fazemos compras aqui, então este é um lugar divino para os Mercadores

(Ichinojo): “Wow… mas, como você mencionou que viver aqui não é reconhecido, onde os vendedores ficam? Se eles têm que pagar a taxa por cruzar a fronteira todas as vezes que têm que voltar para casa, não importa o quão bom seja não ter que pagar taxas quando estão vendendo seus produtos, isso não seria difícil para eles?”

(Carol): “Ichino-sama você vai entender assim que olhar embaixo da ponte.”

Ouvindo o conselho de Carol, eu espiei embaixo da ponte.

Sob a ponte, havia muitas estruturas parecidas com balsas com pequenas cabanas construídas nelas.

Escadas feitas de corda desciam da ponte até essas balsas.

Uma garota morena vestindo camisa e shorts apareceu de dentro de uma dessas “casas”, agarrou a corda e começou a subir.

Então eles moram ali e fazem negócios na ponte, huh?

Que Mercadores indomáveis.

Eu confirmei isso e voltei para a carruagem.

(Ichinojo): “Entretanto, que cidade interessante. Eu quero dar uma parada e olhar um pouco”

(Carol): “Okay. Então vamos guardar a carruagem e explorar o lugar”

(Ichinojo): “Tem até estábulos!?”

(Carol): “Sim. Mas eles são um pouco mais caros que o normal”

Não importa para onde eu olhe, grama não vai crescer nesta área, então esses estábulos não vão estar só ocupando espaço?

O lugar para onde Carol no guiou era só um pouco mais à frente do portão de entrada.

Lá, eu confiei Fuyun e a carruagem a eles.

Com uma taxa adicional, eles iriam levar a carruagem até o estábulo do lado de |Dakyat|, assim eu pedi por este serviço.

O dono do estábulo nos deu um sorriso sem graça quando Haru disse com firmeza para Fuyun…

(Haru): “Ouça o que esse homem falar, okay? Mas se ele te levar para um lugar estranho, por favor, cause um tumulto no momento em isso acontecer”

Por precaução, eu devolvi nossos produtos para minha [Bolsa de Itens].

(Ichinojo): “É verdade. Eu vou deixar isso com vocês duas”

Eu peguei algumas bolsas e passei elas para as duas.

(Haru): “Mestre, este ouro é para quê?”

(Ichinojo): “É o ouro para aproveitarmos o lugar. 1.000 sense para cada uma”

(Carol): “Isso é demais”

Yup. Dez moedas de prata, comparando com os ienes japoneses, isso seria o mesmo que cem mil ienes[1].

Não conheço ninguém que anda com cem mil ienes em barracas de festivais.

Com certeza parece que nós estamos passeando como pessoas ricas.

(Ichinojo): “Olhem, graças a Carol, nós conseguimos economizar 4.500 sense, então está tudo bem se vocês usarem o dinheiro como quiserem em horas como essa. Se vocês não gastarem tudo, está tudo bem guardar o restante com vocês. Aliás, Carol definitivamente precisa estar comigo ou com Haru”

(Carol): “Ichino-sama, você não está tratando Carol como uma criança? Mesmo que Carol tenha esta aparência, Carol logo fará 17 anos, sabia?”

Carol fez um beicinho.

Eu realmente tratei ela como uma criança.

Enquanto pensava se tinha feito algo ruim…

(Haru): “O Mestre só está preocupado com Carol”

Haru explicou.

Yup. Ótima desculpa.

(Haru): “O Mestre não se preocupa comigo porque eu tenho um pouco de força, então eu estou com inveja de Carol”

Haru disse isso enquanto soava um pouco triste.

Espere, isso não é perigoso?

Este não é um evento onde eu estou com duas garotas e devo tratar elas com igualdade?

… eu costumo ver protagonistas em jogos ou animes viajando com cinco ou seis garotas, mas eu me pergunto quantas vezes mais trabalho eles têm comparado com o que eu estou enfrentando atualmente?

(Ichinojo): “Ah… yeah. Como é a primeira vez que estamos visitando a cidade, por que não vamos todos juntos? Eu vou me sentir sozinho sem vocês”

(Carol e Haru): “Sim ♪”

Assim, foi decidido que iríamos caminhar juntos.

Havia muitas barracas vendendo comida. Era mesmo muito parecido com as barracas em festivais de templos.

Como nós três estávamos com sanduíches que pareciam hambúrgueres com carne grelhada e sanduíches de alface por quatro sense cada e mais garrafas cheias de água, nós passeamos pela cidade enquanto comíamos.

Havia uma loja com acessórios e bonecas feitas de madeira e as duas estavam conversando.

Eu pensei comigo mesmo que era esperado que garotas conversassem sobre esse tipo de coisa, porém…

(Carol): “Este broche custa apenas três sense!? Ele é feito de concha, mas o design e o acabamento são detalhados. Se nós comprarmos todo o estoque e vendermos… vai ter que ser naquela cidade se nós formos vender eles”

(Haru): “Esta boneca de madeira… parece com a boneca de madeira do castelo real. Eu queria ter uma boneca dessas como oponente para praticar minha esgrima quando estava crescendo. Vendedor, você tem algumas bonecas com este tamanho?”

(Carol): “Erm. Por favor, me dê todos esses broches. Sim, todos eles. A propósito, se você tiver algo como um certificado dizendo que eles foram comprados nesta cidade, por favor, me venda ele também. Sim, a informação sobre os fornecedores é a informação que os outros Mercadores mais procuram”

(Haru): “Esta é a com o maior tamanho, huh… hnnnn. Que pena. Hnnnn… não tenho escolha além de fazer uma por conta própria juntando pedaços de madeira. Eu acho que vou querer esta boneca para usar como modelo. Com licença, esta boneca de madeira… eh? Piru-chan? Ela tem esse nome? Vai ser difícil cortar ela depois de dar um nome, mas bem, isso também irá ser útil para praticar. Por favor, me dê uma”

eh?

É completamente diferente das conversas que eu imaginava entre garotas durante as compras…

É sempre assim quando garotas estão fazendo compras?

Olhando para Haru carregando uma boneca de madeira com um metro de altura e a expressão de satisfação de Carol carregando sacos cheios de broches feitos de conchas, eu tinha uma interrogação flutuando acima de minha cabeça.

Depois de chegarmos no meio da ponte, exibições parecidas com performances de artistas de rua e lojas de eventos se tornaram mais numerosas.

Havia cadeiras de pedra alinhadas, então nós sentamos e assistimos as apresentações.

A exibição do tipo Guilherme Tell[2] onde uma pessoa usava um arco e flecha para atingir uma maça colocada na cabeça de outra pessoa era mesmo impressionante.

Contudo, o homem que estava atirando a flecha era um Arqueiro Lv23, então a correção na pontaria deve ser bem útil aqui.

Por acaso, a exibição era feita ao lado de uma barraca que vendia maças e você podia comprar dez maças com 20 sense. Carol disse que o preço era um pouco mais caro, mas mencionou que o preço maior era por causa da embalagem.

Entre as lojas, havia algumas com poucos clientes.

(Ichinojo): “… isto é…”

Eu lancei um olhar engraçado para um item que estava exposto em uma loja.

Uma espada de prata presa em uma rocha.

Havia uma placa colocada na frente dela com a história da espada escrita.

“Espada lendária que só pode ser usada por HeróisExcalisur


[1] Aproximadamente R$ 2.900,00.

[2] Guilherme Tell (em inglês Willam Tell) foi um herói lendário do início do século XIV, que se pensa ter vivido no cantão de Uri, na Suíça. O nome Guilherme Tell surge tipicamente associado à guerra de libertação nacional da Suíça contra o império Habsburgo da Áustria. Guilherme era conhecido como um especialista no manejo da besta. Na época, os imperadores Habsburgos lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Hermann Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos que por lá passassem teriam de fazer uma saudação como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador fossem cumpridas. Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Prenderam-no imediatamente e levaram-no à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta em uma maçã na cabeça do filho.