A vista da profundeza da ilha deserta

Confiando a construção do barco a Pionia, Carol e eu voltamos para o litoral.

(Carol): “Faz muito tempo desde que Carol viu o mar… é lindo”

(Ichinojo): “Carol esteve viajando por todo este tempo afinal”

(Carol): “Yeah. Mas, mesmo como uma Mascate, não há tanta liberdade já que temos rotas de comércio determinadas, então não significa que podemos viajar pelo mundo. O pai e a mãe de Carol morreram há muito tempo, então, para ser honesta, Carol só tem memórias vagas sobre o mar”

(Ichinojo): “Entendo…”

Eu não poderia dizer mais nada.

A dor de perder os pais e o fato de a culpa ser sua, também é um passado e presente que eu carrego.

Ainda era de tarde, então os poderes da Tentadora de Carol ainda não poderiam ser usados e nós também não conseguíamos ver as estrelas.

Assim, nós entramos na floresta.

(Carol): “Ao menos nós devemos checar o que está na profundeza desta floresta”

(Ichinojo): “Você tem razão… espere?”

Talvez por Carol estar comigo até agora, minha mente ficou mais tranquila e eu pude me lembrar de uma habilidade que poderia ser usada em momentos como esse.

 

‖Olhos de Falcão‖: Outras Habilidades | Caçador Lv60
Permite a visão do chão a partir do céu.
No máximo, a altura pode ser definida para um quilômetro.

Se eu usar isso, eu posso ser capaz de verificar a vizinhança.

(Ichinojo): “Carol, eu vou usar os ‖Olhos de Falcão‖, então por favor, cuide do meu corpo por um tempo”

Eu ativei os ‖Olhos de Falcão‖.

Meu campo de visão continuou ficando mais e mais alto.

Então, depois de subir por um tempo, eu chequei os arredores.

A ilha era naturalmente cercada pelo mar e mesmo que eu pudesse olhar ainda mais longe do que antes, eu ainda não podia ver nem uma única sombra de outra ilha.

A ilha onde estávamos parecia ser quase circular.

O diâmetro da ilha era de quase dois quilômetros.

Quando eu olhei para baixo em direção aos meus pés, eu me vi olhando para o chão com Carol ao meu lado.

Então, eu virei meus olhos na direção da floresta.

Era uma floresta densa e coberta de vegetação… contudo, a porção central era um pouco estranha. Havia um lugar sem nenhuma árvore.

Graças a cobertura das outras árvores, eu não pude descobrir o que havia lá, mas eu estava curioso.

Eu não poderia dizer o que havia lá mesmo depois de aumentar minha altitude.

Cancelando os ‖Olhos de Falcão‖, meu campo de visão mudou e retornou para a areia branca da praia.

(Carol): “Ichino-sama, como foi?”

(Ichinojo): “Há um espaço vazio sem nenhuma árvore crescendo no centro da floresta. Eu acho que deve ter algo como uma nascente lá, então eu quero dar uma olhada”

(Carol): “Carol concorda”

(Ichinojo): “Carol, obrigado. Depois de ser jogado tão subitamente em uma ilha desabitada, eu estava agindo de forma bem patética”

Ser jogado em um espaço desconhecido era parecido com o que aconteceu quando eu morri depois de ser atropelado pelos cavalos.

Eu entrei em pânico naquela vez também.

Quando eu cheguei neste mundo, foi a anotação de Daijiro-san que combateu esse pânico.

E assim, desta vez, foi tudo graças a Carol que eu pude recuperar minha calma.

(Carol): “Então, Ichino-sama também pode ficar tão abalado. Mas Carol foi aquela que foi ajudada”

(Ichinojo): “Não, não. No mínimo, desta vez, eu pude enxergar a possibilidade de fugir graças a Carol agindo com tanta calma”

Era constrangedor, mas se eu estivesse sozinho, eu não teria pensado nos meios que Carol pensou para escapar, não importava quanto tempo se passasse.

Não, pensando bem, é claro que eu iria pensar nisso em algum momento.

Mas eu realmente me senti agradecido por Carol.

Entretanto, Carol balançou sua cabeça.

(Carol): “Carol pôde ficar calma porque Carol acreditava que Ichino-sama iria definitivamente fazer algo. Se Ichino-sama não estivesse aqui, Carol provavelmente choraria incessantemente e não conseguiria agir”

(Ichinojo): “Eu não acho que isso aconteceria. Carol é sempre tão sensata…”

(Carol): “Ichino-sama, você se esqueceu? No primeiro encontro de Carol com Ichino-sama, Carol queria morrer. Era um pedido do fundo do coração de Carol. Mas Carol não tinha coragem para cometer suicídio. Foi por isso que Carol não recusou o pedido de Oregeru-sama para entrar no |Labirinto| e Carol queria morrer ao fazer isso[1]. Não é certeza, mas Carol definitivamente não considera as ações de Carol nessa época como sensatas”

(Ichinojo): “Carol fez isso no passado. A Carol que nós conhecemos hoje é a mais inteligente entre nós, uma pessoa para consultar e uma companheira que confiamos. Eu realmente confio em você”

(Carol): “… Carol se sente um pouco constrangida ouvindo essas palavras”

Carol sorriu timidamente com um “Ehehe”.

(Ichinojo): “Muito bem. Vamos para o centro da floresta… Carol, tome cuidado. Eu sinto a presença de monstros em todos os lugares. Em geral, é em uma ilha desabitada como esta, que não é nem listada no mapa deste mundo, que devemos encontrar um tesouro escondido e monstros o protegendo… pode até existir um |Labirinto| secreto”

É claro que eu estava fazendo uma comparação com jogos, mas este mundo era mais ou menos como um jogo.

A possibilidade não era zero, então seria melhor manter a atenção.

(Carol): “Eu não sei sobre tesouros, mas a possibilidade de monstros e |Labirintos| é alta”

(Ichinojo): “Eh? Sério? O objetivo dos |Labirintos| é juntar e purificar o miasma, mas se eles não purificarem completamente, então o miasma se transformará e monstros aparecerão, não é?”

Por esse motivo, há a necessidade de aventureiros entrarem nos |Labirintos| para derrotarem monstros e purificarem completamente o miasma nos |Labirintos|. Para incentivar essa tarefa, há as estátuas das Deusas na parte mais profunda que concedem uma recompensa para os aventureiros.

Eu acredito que essa é a crença deste mundo.

É por isso que eu não acho que existirão |Labirintos| em lugares em que não há nenhum humano.

(Carol): “Isso é verdade. Mas se existirem monstros poderosos que marquem o |Labirinto| como parte de seu território, então a história será diferente. Monstros irão matar uns aos outros e purificarão o |Labirinto|

(Ichinojo): “Então os humanos não são os únicos inimigos dos monstros dos |Labirintos|, é possível até que outros monstros possam se tornar inimigos deles?”

Bem, pensando nisso, é inimaginável pensar que na ausência de humanos, os monstros irão dar as mãos e viver em harmonia.

Mesmo na Terra, sem humanos por perto, ou melhor, precisamente quando não há humanos, a cadeia alimentar “matar ou morrer” irá aparecer.

A possibilidade de um |Labirinto|, huh… se for verdade, então se aventurar para conquista-lo pode não ser uma decisão ruim.

Se for um |Labirinto| controlado por Koshmar-sama ou Torerul-sama, eu serei capaz de conversar diretamente com as Deusas-sama e perguntar a elas. Se eu puder fazer isso, nós podemos descobrir onde estamos sem ter que esperar até escurecer. Se isso acontecer, ficará mais fácil escaparmos desta ilha e talvez até poderemos obter alguma informação sobre a minha nova habilidade com as Deusas-sama.

Na verdade, mesmo que não seja uma das duas, eu devo ser capaz de me encontrar com as outras Deusas. Eu sou um conhecido de Libra-sama e Setolance-sama.

Então a possibilidade é 4/6, mais de 66%.

Mesmo se for uma das outras Deusas, Carol e eu devemos conseguir aumentar nossos Levels e receber uma recompensa.

Bem, tudo depende se há ou não um |Labirinto| aqui, não faz sentido contar os ovos antes da galinha.

(Ichinojo): “Okay. Devemos entrar na floresta?”

Dizendo isso, eu peguei minha espada da minha [Bolsa de Itens], a prendi na minha cintura e tirei a espada da bainha.

(Ichinojo): “Vamos. Carol, fique atrás de mim”

(Carol): “Sim, Ichino-sama”

Assim, nós atravessamos a floresta enquanto eu cortava a grama ou só passava por cima dela.

Era para facilitar o movimento de Carol assim como marcar o nosso caminho, então não perderíamos de vista nosso caminho de volta e, para garantir, eu ocasionalmente usava os ‖Olhos de Falcão‖ depois de avançar uma certa distância para confirmar nossa posição. Levou cinco horas para chegarmos no centro da floresta.

Já era fim de tarde e dentro da floresta, era praticamente noite.

Normalmente, eu iria escolher entre voltar para a costa ou voltar para o |Meu Mundo|.

Contudo, eu não podia controlar minha curiosidade sobre o lugar que eu vi com os ‖Olhos de Falcão‖.

Localizado lá estava… algo parecido com uma nascente, que foi o que eu imaginei inicialmente.

Eu não esperava algo assim em um local como esse.

(Carol): “Ichino-sama, esta é a primeira vez que Carol vê isto pessoalmente”

(Ichinojo): “Entendo. Também é a primeira vez que eu vejo isso depois de vir para este mundo”

Era algo que poderia ser considerado uma coisa rara no Japão, mas praticamente todos já viram isso muitas vezes.

Entretanto, isto está fadado a se transformar em uma atração turística.

Localizado no centro da floresta havia uma fonte de água quente… uma fonte termal.

(Ichinojo): “Uma fonte termal natural ao ar livre…”

Vapor envolvia a vizinhança da fonte termal deserta.

Claramente, a temperatura estava alta demais… então, o que devemos fazer agora?

Enquanto eu pensava nisso, eu peguei um pano da minha [Bolsa de Itens] e me preparei para entrar na fonte termal.


[1] Carol está se referindo aos eventos dos capítulos 042 a 045, onde Carol foi levado por Oregeru, o nobre que queria comprar Haru, para o Labirinto e seus poderes atraíram uma horda de monstros para a cidade de Belasra.