A força para encarar o amanhã

Nessa noite, os pescadores e ex-piratas, Hallock e seu bando, se reuniram e começaram uma festa em nome da celebração. Não era como se tivéssemos vencido, mas os pescadores já tinham desistido sobre assegurar um ponto de pesca este ano, então não era apenas sobre ganhar ou perder.

Além disso, como a situação foi resolvida sem gastarmos o dinheiro que seria entregue como pagamento para os piratas, esse dinheiro foi convertido em álcool que foi distribuído para todos.

Eu pensei comigo mesmo que tivemos sorte por Haru não estar por perto. Conhecendo ela, ela iria soltar alguma bomba graças ao cheiro do álcool e desmaiaria.

A propósito, Carol estava empenhada em andar ao redor servindo bebidas e reunindo informações. Ela é mesmo uma excelente garota.

Eu fui capaz de resistir hoje sem ter que usar o ‖Limpar‖ para resolver qualquer acidente, mas eu prometi a mim mesmo que iria manter o consumo de água em moderação e usar o banheiro do navio antes de seguir para as negociações de amanhã.

(Hallock): “Mesmo assim, os rostos daqueles caras quando Sensei usou sua magia… era como se eles tivessem se mijado”

Meu coração parou por um segundo quando Hallock disse isso com uma risada.

Ele não estava falando de mim. Não, não, eu não vazei. Yeah, eu estou bem.

Eu lentamente bebi a cerveja que me foi servida. A cerveja não era tão boa, mas a atmosfera não era ruim.

(Hallock): “A propósito Sensei, você não está acostumado com o mar apesar de ter seu próprio navio, não é?”

(Ichinojo): “Hn? Yeah. Na verdade, eu só comecei a navegar há pouco tempo”

(Hallock): “Então talvez você não conheça esse tipo de pratos”

Hallock disse isso enquanto ele trazia… um prato com peixe cru com uma linda carne branca brilhante.

Isso é…

(Ichinojo): “Isso é sashimi?”

(Hallock): “Você conhece isso? Sim, é um prato introduzido pelas pessoas que foram transportadas de outro mundo… na verdade, ele deveria ser saboreado com um molho chamado molho de soja”

(Ichinojo): “Há até molho de soja? Bom, neste ritmo, eu vou ficar bem só com molho de peixe mesmo”

(Hallock): “Desculpe, eu não tenho nenhum. Eu não tenho molho de soja… então eu vou usar ponsu”

(Ichinojo): “Molho ponzu?”

Eles têm molho ponzu[1]?

Eh? Mas eu me lembro que o molho de soja é o ingrediente básico do ponzu.

(Hallock): “Não. Não é ponzu, mas ponsu”

Hallock me mostrou um líquido levemente amarelo.

(Ichinojo): “Posso experimentar um pouco?”

(Hallock): “Sim, é claro”

Hallock colocou um pouco de ponsu em um pequeno pires e me passou ele junto de um prato de sashimi. Eu acrescentei um pouco desse molho no peixe branco e o levei até a minha boca.

(Ichinojo): “Hn… azedo… suco de fruta, huh”

(Hallock): “Sim, é o suco de frutas cítricas do país do Sul, então é azedo demais consumir só o molho, mas ele combina muito bem com peixe cru”

(Ichinojo): “… entendi, eu me lembrei agora”

Ponsu foi o tempero protótipo para o molho ponzu.

Eu escutei sobre isso do meu veterano em um emprego de meio-período em um restaurante familiar. Ele me disse que o que normalmente chamamos de molho ponzu deveria, na verdade, ser chamado de molho de soja ponzu e que ele era apenas suco de laranja no passado.

Eu sempre via laranjas como decorações de ano novo e nunca iria imaginar que elas eram ingrediente para o molho ponzu.

(Ichinojo): “Bom, bom. Isto me lembra o carpaccio[2]. É delicioso”

Eu disse isso com um sorriso sem graça, mas eu guardei para mim mesmo que ainda sentia falta do molho de soja.

Eu não tinha como saber naquele momento… mas aquela bola de fogo que eu lancei para o céu… muitas pessoas viram aquilo além dos piratas que estavam em cena.


No antigo esconderijo dos piratas perto de |Porto Kobe|

Norm, que estava se preparando para acampar, parecia estar extremamente agitada.

Durante o dia, a condição de Miri estava estranha depois que ela viu uma enorme bola de fogo que subitamente apareceu no céu a Oeste.

Depois que Miri, Norm e Kannon chegaram em |Porto Ithaca|, elas descobriram que os navios que iam para |Porto Kobe| parariam depois de uma última viagem.

Depois disso, a escolha de ações de Miri foi rápida e Norm não conseguiu entender seu objetivo.

Miri repentinamente invocou Fenrir fora da cidade e escolheu com determinação montar nas costas do lobo e atravessar a montanha.

Normalmente, se levaria uma semana para atravessar a pé e esse era um caminho que só era usado por monges, mas, ao confiar na mobilidade de Fenrir, elas atravessaram a distância em apenas meio dia.

Assim, o que aconteceu em seguida foi a aniquilação dos piratas ao redor de |Porto Kobe|.

(Miri): “Parem agora mesmo com seus negócios de pirataria”

O pirata que ouviu essas palavras de Miri a atacou imediatamente, mas os tentáculos da ‖Magia da Escuridão‖ de Miri enrolou os piratas e os jogou no mar enquanto Fenrir nadava e atacava os navios piratas flutuando na costa.

Ele voltou depois que os navios se transformaram em lascas de madeira.

Os piratas não sentiram raiva ou ódio ao verem seus navios sendo enviados para o baú de Davy Jones[3], eles sentiram apenas medo.

Elas escutaram mais tarde que esses piratas decidiram parar com a pirataria e tomaram o último navio que partia para |Porto Ithaca|.

Miri tinha dois motivos para destruir os navios dos piratas.

O primeiro era para prevenir que seu irmão, Ichinojo, fosse atacado por piratas quando tomasse o navio para |Porto Kobe|.

E o outro motivo era manter Haurvatat e Malina em |Porto Ithaca|.

Como mencionado antes, era impossível pegar o navio de |Porto Ithaca| para |Porto Kobe|. Viajar por terra e atravessar as montanhas levaria tempo demais. O único método restante seria utilizar os piratas para atravessar.

Em outras palavras, elas teriam que ir até a ilha perto de |Porto Ithaca| onde os piratas teriam sua reunião e elas poderiam subir no navio dos piratas para seguir para |Porto Kobe|. Contudo, agora que os piratas de |Porto Kobe| foram completamente exterminados, Haurvatat e Malina não tinham nenhuma opção sobrando.

Norm a questionou.

Por que Miri rejeitou a reunião com Haurvatat e Ichinojo? E se ela não queria que eles se reunissem, por que ela disse a Haurvatat que Ichinojo iria para |Porto Kobe|?

Apesar de ela não ter conseguido uma resposta de Miri, ela ficou ainda mais nervosa depois de ouvir o relatório de Norm quando ela voltou.

Parecia que havia um novo pirata. Esse pirata era absurdamente forte e era um messias da cidade deles.

E depois de ver aquela bola de fogo gigante há pouco, Norm notou que isso era o trabalho desse novo pirata.

No dia seguinte, os piratas teriam outra reunião.

[Miri]: (“Não é mais uma situação onde apenas os piratas de |Porto Kobe| devem ser aniquilados… eu devo acabar com os piratas de |Porto Kobe| e |Porto Ithaca|”)

Miri considerou que que não era assunto seu se os pontos de pesca virariam uma bagunça por causa disso.

As notícias de que um novo navio tinha atracado no porto ainda não tinham chegado até seus ouvidos.

[Miri]: (“Eu irei resolver tudo antes que Onii chegue”)

Miri tomou sua decisão e foi para a cama cedo com o objetivo de se preparar para o amanhã.


[1] Ponzu, também grafado ponju ou ponsu, é um molho à base de limão utilizado na culinária japonesa. É de sabor muito ácido, com uma consistência fina e aquosa e uma coloração amarelo-clara.

[2] Carpaccio é um prato italiano feito a partir de carne ou de peixe cru, cortado em fatias finas, e é comumente servido como um aperitivo.

[3] Desde o século XVIII, questiona-se se Davy Jones, também chamado David Jones, realmente existiu. Segundo uma lenda popular de marinheiros, ele era um homem do mar ou, para algumas pessoas, um deus que atormentava marinheiros até a morte, atraía tempestades para navios despreparados, confundia capitães e pilotos para fazê-los errar a rota de seus navios e bater em rochedos, recifes, bancos de areias ou entrar em correntes marítimas perigosas. Também engajava marinheiros em missões perigosas, em que o número de sobreviventes era ínfimo. Acredita-se que poderia prolongar a vida de um morto ou semimorto através de um pacto. Talvez por esse motivo, em terras equatoriais, Davy Jones corresponda ao Diabo. O Baú de Davy Jones é uma expressão usada para definir o fundo do mar, o local de descanso dos marinheiros afogados e de quem morre no mar.