O poderoso inimigo na armadura prateada

Eu andei pelo mesmo caminho de ontem com a mesma armadura.

Assim que estávamos a ponto de chegar a nosso destino, eu subitamente senti algo.

(Ichinojo): “Parece que hoje o outro grupo chegou aqui primeiro”

(Hallock): “Sensei, você é capaz de dizer isso?”

Hallock perguntou com olhos que pareciam estar encarando um parceiro muito confiável.

(Ichinojo): “Bem, sim. Eu tenho a habilidade ‖Detecção de Presença‖ afinal”

Meu emprego de Caçador tem uma habilidade chamada ‖Detecção de Presença II‖.

Apesar da ‖Detecção de Presença‖ ser capaz apenas de sentir a presença de monstros ou humanos, a ‖Detecção de Presença II‖ pode me dizer a força do alvo.

Havia uma enorme presença na frente das menores.

Eu presumi que não seria capaz de lidar com o oponente de uma maneira simples.

Foi a escolha correta fazer Carol entrar no |Meu Mundo|.

Se o oponente fosse algum tipo de homem selvagem, seria horrível se ele usasse Carol como refém. Por segurança, eu procurei pela presença de uma emboscada, mas parecia que eu não teria que me preocupar com isso. Eu só podia sentir a presença de pequenos animais.

(Ichinojo): “Muito bem, vamos nos manter focados”

Eu toquei meu cinto para verificar a posição da minha espada e caminhei em frente.

(Hallock): “Sim Sensei. Eu vou cuidar das negociações, então o Sensei pode apenas ficar escutando”

(Ichinojo): “Então é isso? Eu vou deixar tudo para você… metade dos pontos de pesca, okay? Não seja ganancioso”

(Hallock): “He… sim”

Essa foi uma resposta demorada. Talvez ele estivesse querendo garantir um campo de pesca ainda maior ao provocar o outro lado.

Foi a escolha certa lembra-lo disso.

Nós andamos mais um pouco e chegamos no mesmo lugar em que as discussões aconteceram no dia anterior.

A pessoa vestindo a armadura era claramente esguia… em outras palavras, eu podia facilmente dizer que era uma pessoa diferente.

Parecia que eles não queriam esconder isso. A cor da armadura que o homem enorme vestiu no dia anterior era dourada, mas a armadura que o homem estava vestindo hoje era de uma cor prateada.

Além disso, o homem enorme que estava vestindo a armadura dourada ontem…

(Pirata de Porto Ithaca): “Nós estávamos esperando, sua gangue de novatos de |Porto Kobe|

… riu enquanto nos ridicularizava.

(Hallock): “Diz a gangue de piratas incompetentes de |Porto Ithaca|. Vocês na verdade se atreveram a pedir ajuda porque vocês têm medo do meu capitão! Essa claramente é uma pessoa diferente da de ontem”

(Pirata de Porto Ithaca): “Não é um ajudante, este é o nosso verdadeiro capitão. Ontem nós não pensamos que vocês iriam aparecer, então eu vim como substituto… não há nenhuma regra dizendo que o próprio capitão precisa ser a pessoa que vai conduzir as negociações, não é? Sete anos atrás, o capitão dos piratas de |Porto Kobe| inventou alguma desculpa por estar de ressaca e tinha um substituto preparado, não é?”

(Hallock): “Guh”

Ele até que falou algo inteligente. Ou melhor, não use uma pessoa como substituta para uma negociação importante deste jeito só por causa de uma ressaca.

Entretanto, o capitão do outro lado… Armadura de Prata, não disse nenhuma palavra. Talvez ele esteja se concentrando já que ele não falou nada até agora.

Eu olhei para esse homem e ele também me encarou.

Parecia que ele estava animado.

A disputa de encaradas continuou até que…

(Hallock): “Capitão, a conversa terminou. Será um duelo um contra um com o capitão do outro grupo. Se nós vencermos, eles vão ceder metade dos pontos de pesca pelos próximos dez anos. Se nós perdemos, eles vão roubar 90% dos pontos de pesca”

(Ichinojo): “Entendo…”

Eu murmurei e concordei.

Hallock foi bastante habilidoso por negociar a divisão dos pontos de pesca não apenas para este ano, mas para os próximos dez anos.

Com isto, mesmo que eles não tenham piratas no próximo ano, eles ainda terão uma parte dos pontos de pesca.

(Hallock): “Aliás, Sensei… é uma sugestão do outro grupo. Eles pediram para usar a mesma arma… por favor, use esta [Espada de Bronze]

(Ichinojo):[Espada de Bronze]?”

Julgando pelo formato da bainha, o oponente realmente segurava a mesma arma.

(Hallock): “O oponente disse que se isso será um duelo, as condições devem ser as mesmas… Sensei não terá nenhum problema com isso, não é?”

(Ichinojo): “Yeah. Um bom trabalhador não culpa suas ferramentas. Eu vou conquistar a vitória mesmo que eu tenha que lutar com meus punhos”

Na verdade, eu estava nervoso ao pensar que meu oponente iria usar uma arma melhor do que a minha. Mesmo depois do ‖Avaliar Metal‖ na [Espada de Bronze], o resultado foi [Espada de Bronze], então parecia não haver nenhum problema.

[Ichinojo]: (“Condições iguais, huh… parece que o oponente acredita na justiça”)

Eu queria ter um duelo em que eu apertaria a mão do cara de armadura prateada depois de tudo terminasse.

Eu tirei a espada da bainha e deixei a bainha no chão enquanto eu andava para frente. Se meu oponente fosse Kojirõ Sasaki, eu provavelmente já teria sido feito em pedaços. Infelizmente, eu fui aquele que se atrasou para a luta[1][i].

O homem enorme se posicionou entre mim e o Armadura de Prata e perguntou com um sorriso.

(Pirata de Porto Ithaca): “Vocês estão prontos?”

Armadura de Prata pegou sua espada. Era uma excelente postura sem nenhuma abertura.

Eu também preparei minha espada.

(Pirata de Porto Ithaca): “Que a partida comece!”

Ele anunciou, mas nenhum de nós se moveu. Assim, o Armadura de Prata e eu lentamente diminuímos a distância entre nós e isso aconteceu no momento em que nossas espadas se tocaram. A espada do Armadura de Prata se moveu em um borrão em direção ao meu corpo. Contudo, eu saltei alto e balancei minha espada para baixo com a intenção de usar o ‖Corte‖, porém…

(Ichinojo): “Geh!”

A lâmina da minha espada simplesmente saiu. Impossível! Poderia ser que os fixadores da espada caíram!?

Mesmo ela parecendo completamente bem há pouco… havia algum truque nela para que isso acontecesse assim que um determinado período de tempo passasse?

(Hallock): “O que vocês fizeram!? Isso é covardia!”

Hallock explodiu, mas o homem enorme respondeu…

(Pirata de Porto Ithaca): “É sua culpa por não ter checado ela! Agora está na hora, pegue ele!”

Ele instruiu Armadura de Prata. Mas… Armadura de Prata não seguiu as ordens.

Então, ele jogou a espada dele para mim.

Ele quer que eu use esta espada?

Parecia que Armadura de Prata não estava consciente do truque feito na espada.

Ele provavelmente era um homem lindo igual Suzuki que levaria as garotas a loucura ao vê-lo… mas eu estou feliz por ser esse o caso dessa vez.

Eu peguei a [Espada de Bronze] e o oponente também puxou suas próprias espadas.

(Ichinojo): “!!!”

Vendo essas duas espadas, eu verifiquei o emprego do meu oponente e eu finalmente percebi minha própria idiotice. Bom, agora o outro lado provavelmente se sente da mesma forma, ou pelo menos eu acho que sim. Se possível, eu espero que ela acabe não se odiando por isso, mas… eu peguei a espada e disparei para frente.

(Ichinojo): “Receba este ataque diretamente com essas duas espadas!”

Seguindo minha ordem, Armadura de Prata bloqueou meu ataque frontal com as duas espadas. Então, ela parecia ter notado enquanto ela perguntava com uma voz suave.

(Armadura de Prata): “… mestre?”

(Ichinojo): “Yeah, eu senti sua falta, Haru”

Mas porque Haru está em um lugar desses?

Haru provavelmente estava se perguntando o mesmo.


Nota do Autor (Yousuke Tokino)

A luta acabou e talvez esteja na hora de começar a charada… ou…


[1] Ichinojo está fazendo uma brincadeira com o duelo entre dois dos maiores samurais da história japonesa: Kojirõ Sasaki e Musashi Miyamoto.

[i] Kojirõ Sasaki foi morto ao duelar na ilha de Ganryūjima contra o ronin mais famoso da história do Japão, Musashi Miyamoto, que considerou Kojirõ o seu maior rival. Musashi sabia que Kojirõ só poderia ser superado por um método que não se baseasse exclusivamente nas habilidades com a espada. Conta a história, baseada nas próprias narrativas de Musashi, que este, entendendo que superar o estilo de Sasaki Kojirõ seria muito difícil e arriscado, por causa da distância que a nodachi (também chamada de katana longa) alcançava, e já tendo ele muita velocidade e força no seu estilo, e também, conhecendo o orgulho e tradicionalismo dele, se valeu de alguns truques psicológicos para desestabilizá-lo emocionalmente. Musashi costumava dizer que um samurai enfurecido já estava a meio caminho da derrota, e este duelo provaria sua tese. Propositalmente se atrasou mais de 2 horas da hora marcada para chegar no local do duelo enquanto esculpia em um remo uma bokken (espada de madeira), um pouco maior que a nodachi de Kojirõ. Este, por sua vez, o observava da praia enquanto fazia isso, irritando-se cada vez mais à medida que o tempo passava e Musashi, intencionalmente, não lhe dava a menor atenção. Ao desembarcar na praia, estava usando vestes surradas e tinha os cabelos visivelmente desgrenhados, com a bokken recém esculpida em uma mão e um cobertor na outra. Kojirõ tomou isso como mais um insulto pois, na cultura samurai, apresentar-se desalinhado para um duelo significa completa desconsideração pelo adversário, ainda mais sem portar a espada, usando a bokken de madeira em vez da mesma. Esse instrumento era algo de que apenas os aprendizes se valiam, não os samurais de alta reputação e nem sequer a maioria dos ronin. Musashi, assim, insinuava que não considerava Kojirõ um verdadeiro samurai, não sendo, portanto, digno de consideração suficiente para fazê-lo desembainhar a sua espada. Além disso, Musashi também havia planejado descer na praia exatamente na direção oposta à do sol e esperou Kojirõ correr para cima dele pela areia. Assim, segundo planejara, Kojirõ, além de ter a visão ofuscada, também se cansaria mais rapidamente e teria mais dificuldade para se equilibrar, por causa do terreno irregular. Para a infelicidade de Kojirõ, este caiu no jogo psicológico de Musashi, e, irritadíssimo com o menosprezo com que o adversário lhe demonstrava, correu exasperado em sua direção. Alguns historiadores afirmam que antes disso Kojirõ proferiu vários e pesados insultos contra Musashi logo que este desceu do barco, aos quais seu rival teria respondido apenas com um sorriso irônico, o que teria terminado de enfurecê-lo. Kojirõ, descontrolado pelas provocações do adversário, correu diretamente na direção de Musashi e jogou a bainha da sua espada no chão. Neste momento Musashi disse a ele, “Acabou de perder a luta!”, pois em sua filosofia dizia que, quem jogava a bainha da espada no chão, não estava disposto a colocá-la de volta (obviamente, em um duelo entre samurais, a lâmina só não volta para a bainha quando o combatente morre). A luta real durou apenas o lance do seu momento decisivo, embora Musashi tenha escrito que a luta começou no momento em que meditava e esculpia sua espada no barco e durou até aquele momento: quando Kojirõ se aproximou dele após correr pela areia, Musashi saltou, já estando na direção do sol, ficou entre ele e os olhos de Kojirõ, assim atrapalhando sua visão por causa da luz, Kojirõ utilizou seu golpe supremo do “Voo rasante da andorinha” mas não conseguiu acertar Musashi em cheio, somente cortando uma tira de pano que estava amarrada em sua testa e causando-lhe apenas um leve arranhão. Porém, nesse mesmo tempo, no meio do salto, Musashi acertou-lhe com a bokken, bem na parte mais alta de sua testa, próximo à linha dos cabelos, o que fez com que Kojirõ caísse tonto e com sangue já descendo abundantemente por seu rosto, o que indicava que tivera o crânio fraturado pelo golpe.