Para as profundezas

Nós continuamos a lutar com Zumbis e Esqueletos enquanto seguíamos pelo terceiro andar do |Calabouço|. As armadilhas estavam ficando mais perigosas, mas as habilidades de Serkan nos permitiam passar tranquilamente por elas.

Nós conseguimos progredir com um bom ritmo sem nos cansarmos.

Tudo o que restava para nós era encontrar o Comedor da Morte que Jean estava procurando. Se as coisas correrem bem, nós devemos ser capazes de conquistar o |Calabouço| enquanto estamos fazendo isso.

(Mestre): “Então, que tipo de Fera Demoníaca é o tal de Comedor da Morte? Com o que ele parece?”

(Jean): “Hahahaha! Eu não faço a menor ideia”

(Mestre): “Espere, nós não deveríamos capturar ele? Você devia ao menos ter uma noção…”

(Jean): “A aparência dele costuma combinar com um Zumbi regular, mas o consumo de seus colegas leva a sua evolução. Ele se tornou um gigante na última vez que eu coloquei os olhos nele, e eu acredito que ele deve ter evoluído ainda mais. Eu já não posso mais imaginar sua forma”

(Mestre): “Qual foi o último local em que você o viu?”

(Jean): “Meu último avistamento foi bem na entrada do |Calabouço|. Ele era um integrante do que eu acredito ter sido um esquadrão que o Mestre do Calabouço enviou para me expulsar”

(Fran): “Não conseguiu derrotá-los?”

(Jean): “De fato. É uma pena, mas eu tenho que admitir que nem mesmo minha experiência em Necromancia era o bastante para me permitir criar um plano que me levasse até a vitória. Todos os esquemas que eu pensei só terminariam com o Comedor da Morte me devorando”

(Mestre): “Parece ser um baita oponente”

(Jean): “Sim, mas é precisamente por isso que não me importo se não formos capazes de conseguir captura-lo. Não temos ideia de seu paradeiro e eu só desejava ele porque eu queria usar os poderes dele para conquistar o |Calabouço|. Eu não preciso dele com companheiros como vocês ao meu lado”

(Mestre): “Então, não temos que procurar por ele?”

(Jean): “Correto”

E com isso, continuamos a avançar pelo |Calabouço|, nossas visões apontadas apenas para as profundezas.

Levamos dois dias para atravessar os primeiros oito andares. No momento que chegamos no nono, nós já tínhamos enfrentado alguns monstros Rank D como Cães do Inferno[1], Nagas[2] Zumbis, Esqueletos e Paladinos[3] das Trevas.

O apoio de Jean era essencial. Honestamente, nós provavelmente não teríamos chegado tão longe sem ele. Suas habilidades para purificar e tomar o controle dos Mortos-Vivos dentro de um |Calabouço| composto exclusivamente disso o permitiu agir como algo nas linhas de um Curinga[4] em um jogo de cartas.

Os itens que ele trouxe eram super úteis também.

Sua lâmpada em forma de caveira se provou algo incrível. Ela podia criar zonas seguras que repeliam os Mortos-Vivos contanto que permanecêssemos dentro delas. Graças a isso, nós fomos capazes de conseguir uma boa noite de sono apesar do fato de que estávamos no meio de um |Calabouço|. No entanto, eu me senti um pouco revoltado pelo fato de que Zumbis iriam acabar cercando a zona segura enquanto faziam os tão esperados sons de “ahhhh”. Eu não podia evitar de ficar com uma sensação de temor e respeito por ambos Fran e Jean, enquanto os dois conseguiam dormir facilmente apesar dos Zumbis.

Dito isso, era bem óbvio que Jean ainda estava muito mais confortável com nossas condições do que Fran. Jean iria criar uma zona segura sempre que parávamos para comer e, naturalmente, Zumbis terminariam nos cercando exatamente como eles faziam quando íamos dormir. Fran iria acabar fazendo uma cara um pouco enojada como reposta, mas Jean era capaz de continuar comendo como se nada estivesse acontecendo.

Eu sabia que ele era um Necromante e imaginei que ele provavelmente estava acostumado com este tipo de coisa, mas, honestamente, eu ainda estava um pouco chocado. Quer dizer, são Zumbis, não são? Eles são literalmente corpos apodrecendo que caminham. Alguns deles até pareciam como se estivessem caindo aos pedaços.

Em um comentário adicional, eu tentei mudar de forma algumas vezes enquanto lutávamos para criar nosso caminho para as profundezas do |Calabouço|.

Eu fui capaz de me transformar em um machado, uma lança e até em uma adaga, não como se essas formas acabassem sendo de muito uso. Havia alguns problemas com a habilidade. Em primeiro lugar, isso continuava a consumar uma incrível quantidade de |Mana enquanto eu continuasse transformado. Também havia o fato de que não aumentamos as habilidades de nenhuma outra arma. A parte mais irritante de tudo isso era que minha massa tinha que continuar constante, então eu não poderia me tornar nenhum tipo de arma maior.

Tenho certeza que deve ter outra forma de usar a habilidade, mas isso vai ter que ficar em segundo plano por enquanto.

(Mestre): “Parece que chegamos na sala do Chefão do nono andar”

O |Calabouço| foi criado para que cada andar fosse um tipo de labirinto. A única coisa que realmente continuava constante era o fato de que todos os andares terminavam com uma enorme sala com um Chefão nela.

Isso era marcado pelo mesmo tipo de porta todas as vezes, então eu sabia com certeza que a sala que estávamos para entrar no momento era a sala do Chefão.

Os Chefões que enfrentamos até agora foram os seguintes: um Ogro Zumbi, um Tigre Esqueleto, um Zumbi Dragonoide[5], um Esqueleto Naga, um Órtros[6] Zumbi, um Esqueleto Quimera[7] e um Zumbi Ancião (Rank Superior Elevado). Cada Chefão era mais forte do que o anterior e o Zumbi Ancião que lutamos no oitavo andar estava até equipado com um [Lança Mágica]. Ele sabia como usar Habilidades Divinas com Lança, dessa forma, ele se provou um inimigo extremamente difícil.

Ele até conseguiu deixar o |HP de Fran abaixo da metade. No entanto, olhando para o lado bom, derrotá-lo nos permitiu ganhar acesso a ambas Habilidades Divinas com Lança e Técnicas Divinas com Lança. Me pergunto se isso significa que minha forma de Lança terminará tendo algum uso no fim.

(Jean): “Agora, por que não seguimos em frente e abrimos a porta?”

(Fran): “Nn”

A sala estava cheia com nada além de um único Esqueleto. Que tipo de inimigo será este, eu me pergunto…

(Mestre):Rajada de Fogo!”

(Fran):Tornado Hexagonal!”

(Jean):Chama do Inferno!”

(Urushi): “Arooo!”

Nós começamos com nossa usual estratégia. Nós quatro simultaneamente bombardeamos o Esqueleto com magia.

(Jean): “Ele ainda é capaz de se mover!”

Isso foi um eufemismo. Na verdade, não parecia que tínhamos feito qualquer dano nele.

 

Raça:Esqueleto Lutador Lendário
Espécie:Morto Vivo Fera Demoníaca
Condição:GuardiãoLevel:24
HP:1.568/1.663MP:988
Força Física:647Resistência:713
Agilidade:436Inteligência:289
Mágica:521Destreza:550
Habilidades
‖Interferência de Avaliação‖ Lv6 ‖Esgrima‖ LvMáx ‖Esgrima divina‖ Lv1 ‖Técnicas com Espada‖ LvMáx ‖Técnicas Divinas com Espada‖ Lv1 ‖Regeneração‖ Lv8 ‖Invocação Automática‖ Lv6 ‖Resistência a Status Anormais‖ Lv9 ‖Controle Espiritual‖ Lv4 ‖Magia Fantasma‖ Lv8 ‖Resistência a Anormalidades Mentais‖ Lv9 ‖Lâmina Elemental‖ Lv6 ‖Magia de Veneno‖ Lv6 ‖Resistência Mágica‖ Lv9 ‖Magia Negra‖ Lv4 ‖Manipulação de Vigor
Habilidades Extras
‖Liberar Potencial Latente‖
Títulos
Guardião do Calabouço
Equipamentos
[Espada Mágica Olhar da Morte[8]] [Armadura Completa de Placas[9] de Orichalcum[10]] [Manto de Hades][11]

O Esqueleto começou a se levantar. Eu tive uma sensação de urgência me atacando assim que os ossos carmesins chacoalharam dentro da armadura dourada. A quantidade total de |Poder Mágico emanando de seu corpo me dizia que seu Nível de Ameaça não era menor do que B.

Esse é um monstro no nível do Demônio que matamos. Seu Status revelava que ele possuía muitas táticas disponíveis; suas habilidades eram focadas em fortalecer seu poder defensivo.

Ele estava em posse da Regeneração Lv8, Resistência a Status Anormais Lv9, Resistência a Anormalidades Mentais Lv9 e Resistência Mágica Lv9. Acima disso, ele até vestia uma [Armadura de Orichalcum], um tipo de armadura que focava em aumentar sua Resistência Mágica ainda mais. Todas essas resistências significavam que atacá-lo com feitiços simplesmente não nos levaria a lugar nenhum.

(Mestre): “Jean, recue”

(Jean): “É claro. Parece que eu tenho a pior combinação contra este Esqueleto aqui. Eu vou focar na Cura

(Mestre): “Urushi, seu trabalho será proteger Jean. Só por precaução, tenha certeza de se manter atento caso outro Morto-Vivo apareça”

(Urushi): “Woof!”

O Esqueleto terminaria enfrentando Fran.

(Fran): “Mestre”

(Mestre): “Com certeza”

Fran colocou a [Espada Mágica] que ela estava usando de volta em seu Armazenamento Dimensional. Ela poderia dizer com um olhar que não seria capaz de derrotar o Esqueleto Lendário se ela não desse seu melhor.

Ela me segurou e assumiu uma postura, uma situação que fazia em me sentir muito mais natural.

(Fran): “Nn. Muito mais natural com o Mestre”

(Mestre): “Hahahaha!”

(Fran): “Nn?”

(Mestre): “Não é nada, não ligue para isso. Não tem jeito de perdermos se nós dois trabalharmos juntos, não é?”

(Fran): “É claro”

(Mestre): “Certo! Esta será a primeira luta difícil que teremos depois de muito tempo. Vamos lá!”

(Fran): “Nn!”


[1] Um Cão do Inferno (ou Cão de Caça do Inferno) é um ser sobrenatural do folclore de vários povos. Uma grande variedade de cães sinistros e infernais aparecem em mitologias ao redor do mundo. As características atribuídas a esses seres incluem pelo negro mutilado, olhos vermelhos brilhantes, super força e velocidade, características de fantasmas e um odor pestilento. Em culturas que associam o pós vida com fogo, Cães do Inferno podem ter habilidades e aparências associadas a fogo. Eles são frequentemente designados como guardas das entradas para o mundo dos mortos, tais como cemitérios e necrópoles, ou assumem outras tarefas relacionadas com o pós vida ou o sobrenatural, tais como caçar almas perdidas ou proteger um tesouro. Nas lendas europeias, ver um Cão do Inferno ou escutar seu uivo pode ser um presságio ou até a causa de uma morte. É dito que eles são protetores do sobrenatural, protegendo o segredo de criaturas ou seres sobrenaturais do mundo.

[2] Naga é uma palavra em sânscrito e páli que designa um grupo de divindades da mitologia hindu e budista. Normalmente têm a forma de uma enorme cobra-real, com uma ou várias cabeças. No grande épico Hindu Mahabharata, os Nagas tendem a ser apresentados como seres negativos, perseguidos por Garuda, o homem-pássaro, ou vítimas merecedoras de sacrifícios a deuses-serpente. O termo Naga é muitas vezes ambíguo, pois pode também se referir, em determinados contextos, a uma das várias tribos ou etnias humanas conhecidas como nāga e a certos a tipos de elefantes e de cobras.

[3] Um paladino é um herói cavalheiresco, errante e destemido, de caráter inquestionável que segue sempre o caminho da verdade, lei e ordem, sempre disposto a proteger os fracos e lutar por causas justas. A palavra Paladino vem do latim palatinus (relativo a “palácio”), por sua vez derivado do Palatino, uma das sete colinas de Roma. Os paladinos originais foram os 12 pares de Carlos Magno que aparecem no poema La Chanson de Roland (A Canção de Rolando) que conta a história de Rolando e Os Doze Pares da França na batalha de Roncesvalles. Também podem ser considerados paladinos os lendários Rei Artur e Os Cavaleiros da Távola Redonda das lendas célticas.

[4] Curinga (em inglês joker) é a carta do baralho que, em certos jogos, muda de valor conforme a combinação de cartas que o jogador tem em mãos.

[5] Dragonoide parece ser um ser com forma de Dragão e características humanoides.

[6] Órtros, ou Ortos, era um cão bicéfalo da mitologia grega. Considerado o cão de guarda mais feroz da antiguidade, sua cauda era uma serpente. Sua mãe, Equidna, era uma mulher-serpente e seu pai, Tifão, possuía cabeça de cavalo. Órtros era irmão do cão Cérbero, que guardava o Hades. Órtros era mascote de Gerião, gigante de três corpos, seis asas e seis braços, pastor de um dos maiores e melhores rebanhos de toda a África. Órtros vigiava seu gado vermelho, na ilha de Erítia, onde Hércules o matou, para cumprir o seu décimo trabalho. Há quem diga que o dono original de Ortros foi Atlas, o titã que carregava o Céu nos ombros. Conta-se que depois de ter sido morto por Hércules, Ortros ascendeu aos céus e transformou-se na estrela Sirius (Estrela do Cão), que é a estrela mais brilhante do céu noturno.

[7] Quimera é uma figura mística caracterizada por uma aparência híbrida de dois ou mais animais e a capacidade de lançar fogo pelas narinas, sendo portanto, uma fera ou besta mitológica. Oriunda da Anatólia e cujo tipo surgiu na Grécia durante o século VII a.C., sempre exerceu atração sobre o imaginário popular. De acordo com a versão mais difundida da lenda, a quimera era um monstruoso produto da união entre Equidna (metade mulher, metade serpente) e o gigantesco Tifão. Outras lendas a fazem filha da hidra de Lerna e do leão da Nemeia, que foram mortos por Hércules. Criada pelo rei da Cária, mais tarde assolaria este reino e o de Lícia cuspindo fogo incessantemente, até que o herói Belerofonte, montado no cavalo alado Pégaso, conseguiu matá-la. Com o passar do tempo, chamou-se genericamente quimera a todo monstro fantástico empregado na decoração arquitetônica. Em Alquimia, é um ser artificial (assim como o homúnculo), criado a partir da fusão de um ser humano e animal.

[8] O nome original dessa arma é Deathgaze (デスゲイズ), que é uma junção das palavras “morte” (death) e “olhar intenso/fixo” (gaze).

[9] A armadura de placas foi uma armadura de grande importância histórica, feita com chapas de ferro ou aço. Apesar de existirem armaduras parecidas já na Roma Antiga, armaduras completas de placas se desenvolveram de fato apenas na parte final da Idade Média, notadamente no contexto da Guerra dos Cem Anos, com um casaco de chapas vestidas sobre uma cota de malha, durante o século XIII.

[10] Orichalcum, ou Oricalco, é um tipo de metal que teria sido usado em Atlântida, citado em “Crítias”, obra de Platão. De acordo com Crítias, o oricalco era considerado muito valioso, depois apenas do ouro. Teria sido achado e explorado em muitos lugares de Atlântida em tempos remotos.

[11] Hades (também chamado de Aidoneus), na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos, irmão de Zeus e Poseidon. Seu nome era usado frequentemente para designar tanto o deus quanto o reino que governava, nos subterrâneos da Terra.