A |Cidade de Dharz|

(Fran): “Partindo”

(Jean): “Cuidem-se lá fora”

(Mestre): “Você tem certeza que está tudo bem para nós te deixarmos com tudo isso para fazer?”

(Jean): “Eu não me importo. As tarefas que você me deixou são as que acompanham a minha profissão”

Jean se recuperou bastante com o passar dos últimos dias. Ele finalmente era capaz de caminhar de novo, embora ele ainda precisasse do apoio dos ombros de Bernardo.

Jean disse que iria entregar todos os itens administrativos que precisavam ser feitos. Mais especificamente, ele ia se relatar o assunto tanto para a Guilda quanto para o país ao entregar o diário para as autoridades competentes. Ele também ia purificar as partes da ilha flutuante que se partiram e caíram assim que ele terminasse toda a papelada e documentos necessários. Ele disse que não teríamos que nos preocupar porque nós ainda estávamos no meio de uma jornada. Ele tinha tempo, e embora eu estivesse disposto a discordar, ele insistiu em não nos envolver nisso.

Mesmo assim, eu estava muito agradecido por ele estar disposto a lidar com isso e deixei tudo com ele. Pelo menos, eu vou me certificar de descartar corretamente as placas gigantes de pedra dentro do meu Armazenamento Dimensional. De acordo com Jean, nós devemos ser capazes de jogá-las fora dentro de um vulcão ou qualquer lugar que tenha grande influência do elemento da Terra. Se nós fizermos isso, os espíritos malévolos possuindo as rochas irão naturalmente se dispersar. Outros lugares possíveis para podermos descartá-las incluíam o fundo do oceano, o interior de um desfiladeiro, ou qualquer coisa nessas linhas.

(Jean): “E com isso fora do caminho, eu me despeço de vocês”

(Fran): “Nn. Até mais”

(Urushi): “Woof!”

(Mestre): “Cuide-se!”

Fran montou nas costas de Urushi. Nós partimos imediatamente depois de nos despedirmos.

(Jean): “Voltem e me visitem algum dia. Vocês sempre serão bem-vindos aqui”

Nos movemos tão rápido que o laboratório pareceu desaparecer em um piscar de olhos.

(Mestre): “Ele é um cara incrível”

(Fran): “Nn”

(Mestre): “Nós realmente temos que voltar e visitá-lo no futuro”

(Urushi): “Woof, woof!”

Se estivéssemos dentro do cronograma, nós teríamos deixado |Dharz| e embarcado em um navio seguindo para o Sul, mas nós ainda estávamos longe da cidade. Felizmente, as coisas estavam melhorando. Não havia mais nenhum obstáculo entre nós e a cidade.

Eu me perdi em pensamentos profundos enquanto viajávamos.

Aquele Lich… era mesmo um Lich? Bem, eu quero dizer, tecnicamente, eu acho que ele era, mas, quer dizer… com que exatamente nós lutamos? Nós lutamos com a pessoa que escreveu o diário ou sua outra personalidade?

Quer dizer, me parecia que o motivo para sua personalidade se distorcer era por culpa da [Fornalha da Malícia] ou qualquer que seja o nome daquilo, porém, nós acabamos destruindo a tal [Fornalha]. Eu tenho certeza que o Lich “maligno” estava no controle antes de destruirmos a [Fornalha], mas e quanto ao outro?

Nós teríamos sobrevivido se o Lich tivesse atacado com força total? Ele se segurou no fim, ou…

Bem, não faz sentido pensar sobre isso agora. Não é como se eu fosse capaz de chegar a nenhuma conclusão.

(Fran): “Mestre?”

(Mestre): “Então, qual Lich nós realmente enfrentamos no fim… ???”

(Fran): “Nn?”

(Mestre): “Não, não é nada. Eu só estou feliz por ambos aquele Lich e Stephan terem conseguido ascender”

(Fran): “Nn”

Dois dias se passaram em um piscar de olhos.

A |Cidade Portuária Dharz| finalmente estava à vista.

(Mestre): “Eu posso vê-la!”

(Fran): “Ooohh!!”

Nossa visão da cidade se expandiu assim que subimos uma colina. A vista que nos aguardava no pico era magnífica, um oceano que brilhava como uma safira ao lado de uma linda cidade portuária. Embora a cidade em si fosse um pouco menor do que |Aressa|, ela estava carregada com um ar de elegância. Suas docas estavam cheias de navios de todos os formatos e tamanhos, era quase como se fosse a cena tivesse saído de uma pintura.

(Urushi): “Woof, woof, woof!”

(Mestre): “Qual o problema Urushi?”

(Fran): “Mar. Feliz”

(Mestre): “Oh, é verdade, agora que você mencionou, eu não acho que ele viu o oceano antes”

(Urushi): ” ] Latido! [ “

(Mestre): “Muito bem, nesse caso, por que não seguir um pouco para a praia”

(Urushi): “Woof!”

Urushi começou a rapidamente abanar seu rabo para cá e para lá. Ele parecia mesmo animado.

(Fran): “Divertido”

(Mestre): “De verdade?”

(Fran): “Nn. Nunca estive em uma praia antes”

Ah, é verdade. Fran costumava ser uma Escrava, então ela provavelmente nunca teve uma chance de brincar no litoral apesar do fato de ela ter estado em um barco antes. Eu acho que podemos passar um pouco mais de tempo na praia antes de partirmos. Não é como se a |Cidade de Barbola| vai sair do lugar só porque não nos apressamos, não é?

(Mestre): “Muito bem então, quais são seus pensamentos sobre um piquenique à beira-mar”

(Fran): “Curry?”

(Mestre): “Curry não é exatamente o tipo de coisa que comemos em um piquenique… eu estava pensando em algo como sanduíches”

(Fran): “Sanduíches de curry?”

(Mestre): “Bom. Eu acho que alguns não farão mal”

(Fran): “Nn!”

(Urushi): “Wooooooof?”

(Mestre): “Eu sei, eu sei, eu vou preparar alguma coisa para você também. O que você acha de uma carne com osso?”

(Urushi): “Woof, woof!”

Eu não podia dizer se eles estavam animados porque teríamos um piquenique, ou simplesmente por causa da comida…

Mesmo assim, não podemos apenas seguir direto para a praia. Nós primeiro temos que encontrar um lugar para passarmos a noite, de preferência, algum lugar confortável. Havia uma chance de que teríamos que ficar na cidade por alguns dias antes de encontrarmos um navio para seguir para nosso destino.

(Mestre): “Urushi, você poderia encolher um pouco? Nós iremos caminhar pelo resto do caminho”

(Urushi): “Woof”

O enorme Lobo imediatamente se transformou em seu modo menor e mais parecido com um cão antes de correr atrás de Fran. Os dois imediatamente encontraram um caminho que levava diretamente para a cidade.

Aparentemente, não éramos as únicas pessoas nessa estrada. Nós nos encontramos com diferentes grupos viajando para e da cidade. Por alguma razão estranha, eles sempre se moviam para fora do caminho no momento que nos viam.

Eu acabei imaginando que isso fosse culpa de Urushi. Fran e eu basicamente o víamos como um cão porque o conhecíamos muito bem, mas fazia sentido para pessoas comuns o verem e falarem, “Puta merda, um Lobo Negro!”. Fazia total sentido para eles tentarem nos evitar. Felizmente, ele tinha um brasão para provar que era o familiar de Fran, então ninguém se virou, gritou e fugiu no momento que viu ele. Mesmo assim, se ele estivesse sozinho, eles provavelmente já teriam enviado alguns Aventureiros atrás dele.

Nós logo chegamos na entrada da cidade, involuntariamente intimidando todos que passavam por nosso caminho.

Eu estava esperando que os Guardas da cidade exigissem uma inspeção ou algo assim, mas para minha surpresa, nós conseguimos entrar bem facilmente. Tudo o que precisamos fazer foi mostrar nossa documentação e pagar 300 Gorudo de taxa de entrada.

(Mestre): “Muito bem, por que não procuramos por uma estalagem primeiro?”

(Fran): “Nada de praia?”

(Mestre): “Nós vamos depois de encontrarmos um lugar para ficar. No entanto… a cidade certamente parece bem animada”

A cidade era um pouco menor do que |Aressa|, mas parecia ter em torno de duas vezes mais pessoas nela. Essa é uma verdadeira cidade portuária, eu imagino.

(Mestre): “Quero dizer, você provavelmente não quer acabar acampando de novo apesar de finalmente chegarmos na cidade, não é verdade”

(Fran): “Pode crer”[1]

(Mestre): “Mas onde foi que você aprendeu isso!? Tanto faz. De qualquer forma, vamos encontrar um lugar para ficarmos. Nós provavelmente devemos dar uma olhada na Guilda de Aventureiros também, então poderemos vender algumas coisas”

Uma das similaridades mais aparentes que |Dharz| compartilhava com |Aressa| era o fato de ambas suas estradas principais estarem praticamente repletas de estalagens. Como tínhamos tantas para escolhermos, nós decidimos ir para algum lugar mais de ponta. As mais baratas poderiam ser pouco higiênicas, então eu imaginei que seria melhor evitarmos elas.

(Fran): “Cheia de novo”

(Mestre): “Hmm… isso é esquisito”

Nós visitamos cinco estalagens diferentes, mas nenhuma tinha um único quarto livre. A princípio, eu suspeitei que os proprietários estavam nos negando o serviço intencionalmente, talvez por Fran ser jovem demais, ou talvez porque eles não queriam hospedar Urushi, mas parecia que eles estavam mesmo dizendo a verdade.

(Mestre): “Por que não vamos apenas para a Guilda por enquanto? Eles podem ser capazes de nos ajudar”

(Fran): “Nn”

Nós rapidamente seguimos diretamente para a Guilda depois de perguntarmos sobre sua localização.

A filial de |Dharz| parecia significativamente menor do que a de |Aressa|.

(Fran): “Olá”

(Recepcionista): “Bem-vinda!”

Nós fomos recebidos por uma voz profunda e intimidadora no momento que abrimos as portas da Guilda, e foi nesse exato momento que eu comecei a sentir pena dos Aventureiros de |Dharz|. A recepcionista de |Aressa| era uma linda mulher jovem na flor da idade. Aqui, eles estavam presos com um cara muito musculoso. Oh, como o mundo é injusto.

(Recepcionista): “Você precisa de algo da Guilda senhorita?”

(Fran): “Quero vender materiais”

(Recepcionista): “Sinto muito mocinha, mas aqui, nós só compramos materiais de Aventureiros”

(Fran): “Sem problema. Aventureira”

(Recepcionista): “Qu-quê? Você é uma Aventureira Rank D? E o [Cartão]… parece ser real. Me dê um segundo”

O homem segurou o [Cartão da Guilda] de Fran diante de um dos cristais da Guilda. O cristal o leu sem nenhum problema, evidenciando assim sua genuinidade.

(Fran): “É-é real! Então você é mesmo uma Aventureira Rank D pequena senhorita”

O recepcionista musculoso gritou de surpresa. A voz dele foi tão alta que atraiu alguns Aventureiros que estavam sentados por perto.

Aproximadamente 20 Aventureiros se reuniram ao redor do bar localizado no meio do prédio em questão de minutos.

(Aventureiro A): “Qual é Mojh, cê tá só me sacaneando, né?”

(Aventureiro B): “Vamos lá, isso tem que ser falso. Você sabe disso, eu sei disso, pare já com essa merda”

E essas foram basicamente as reações de todos… não que isso importasse. Mojh, o recepcionista, já tinha verificado a integridade do [Cartão].

Irritantemente, os outros Aventureiros não se calaram, então não seríamos capazes de chegar a lugar algum.

(Fran): “Ainda comprando?”

(Mojh): “Cer-certo. Minha culpa. Você é uma Aventureira de verdade, então eu posso comprar tudo o que você tiver”

(Fran): “Nn. Aquele lugar, tudo bem?”

(Mojh): “Cla-claro”

Fran ignorou por completo todos os outros Aventureiros apesar do fato de que eles estavam fazendo uma enorme bagunça e seguiu diretamente para o Balcão para Trocas de Materiais. Ela começou a colocar os materiais em cima da placa de couro usada para a troca de materiais.

Especificamente, ela colocou primeiro todos os materiais das Feras Demoníacas que encontramos em nosso caminho até aqui antes de continuar com algumas coisas que conseguimos dos Mortos-Vivos dentro do |Calabouço| do Lich.

Nós não vendemos todos os materiais que conseguimos do |Calabouço| porque alguns poderiam ser na criação de poções e outros itens. Os únicos que vendemos foram aqueles que não poderiam ser usados para nada além de equipamentos de proteção.

Quanto mais materiais ela empilhava, mais barulhentos os Aventureiros ficavam, mas depois que a pilha chegou a uma certa altura, o entusiasmo começou a desaparecer; o barulho tempestuoso foi rapidamente substituído por murmúrios baixos.

E no momento que ela começou a pegar materiais de Feras Demoníacas Rank D, todos pararam de falar completamente. A sala ficou em silêncio.

(Fran): “Isso é tudo”

(Mojh): “…”

(Fran): “Nn?”

(Mojh): “…”

(Fran): “Olá?”

(Mojh): “Me desculpe… eu só fiquei um pouco surpreso com tudo isso”

(Fran): “Negociação”

(Mojh): “Eu já vou chegar lá, mas há muito o que eu tenho que fazer. Isso deve levar cerca de uma hora para ser processado. Você se incomoda em esperar, ou…”

[Fran]: (“E agora?”)

(Mestre): “Vamos tentar perguntar a ele sobre um quarto ou alojamento”

[Fran]: (“Entendido”)

E assim, Fran perguntou a Mojh sobre estalagens que poderiam estar vagas, apenas para receber… uma resposta menos do que favorável.

(Mojh): “É bem difícil encontrar um quarto nesta época do ano”

(Fran): “Por quê?”

(Mojh): “Como tenho certeza que você sabe, o Banquete Lunar está se aproximando”

(Fran): “Nn”

(Mojh): “Então, yeah, é isso. Esse é um evento que acontece a cada estação. |Barbola| cedia um enorme festival a cada três meses, e como resultado, muitas pessoas tendem a se reunir aqui para seguir até lá de barco. Graças a isso, as estalagens sempre acabam completamente lotadas”

(Fran): “Ohh…”

Merda, parece que nós vamos acabar acampando em algum lugar.

Fran parecia saber o que este Banquete Lunar era, então eu acho que era provavelmente uma das festividades comuns deste mundo.

(Mestre): “Hey, Fran, o que é este tal de Banquete Lunar?”

[Fran]: (“Festival”)

(Mestre): “Bem, quer dizer, eu imaginei que seria isso”

[Fran]: (“Lua cheia”)

(Mestre): “Mas luas cheias não são algo meio que normal?”

[Fran]: (“Apenas durante o banquete”)

Eu tentei entender o que Fran me disse.

O Banquete Lunar era algo que só acontecia a cada três meses.

Este mundo tem sete luas diferentes. Há uma enorme e outras seis pequenas. Aparentemente, a única vez em que você é capaz de ver as sete em sua fase cheia é durante o festival.

Se isso acontece a cada três meses, então eu acho que significa que eles só têm luas “cheias” quatro vezes por ano.

Oh! Agora eu entendi. A data marcada no calendário que encontramos em |Aressa| estava marcando o Banquete Lunar[2].

Estávamos no dia 26, então isso significava que ainda faltavam cinco dias até o festival acontecer.

Ao invés de ficarmos sentados dentro da Guilda e apenas esperar pelo fim do processo, nós decidimos visitar mais algumas estalagens durante esse tempo. Infelizmente, cada dez de dez estalagens que visitamos estavam totalmente lotadas. Os únicos quartos que estavam livres estavam reservados para nobres e afins.

Mas que saco…

(Mestre): “Parece que não vamos conseguir encontrar nenhum lugar… oh, bem, não há o que fazer. Vamos voltar para a Guilda por ora para recebermos o dinheiro que eles nos devem”

(Fran): “Nn”

No pior caso possível, vamos pedir para a Guilda nos emprestar um canto de sua taverna ou algo do tipo.


[1] Aqui Fran usa um termo arcaico em japonês que significa “Com certeza” ou “É claro”. Como o tradutor gringo não conseguiu encontrar um termo equivalente, ele usou uma gíria moderna que Fran não deveria conhecer para substituir este termo.

[2] No capítulo 059, durante sua explicação sobre algumas características sobre este mundo, o Mestre tinha comentado que viu uma data em um calendário marcando um “dia comemorativo”.